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Porventura, Songs from the North, o sexto trabalho dos Swallow the Sun, poderá não ter sido o melhor disco do ano passado, mas certamente foi um dos mais ambiciosos. Uma experiência maior que a vida, aquilo que os finlandeses se propuseram fazer, e que resultou num lançamento dividido em 3 discos, diferentes na execução, mas intercalados no conceito, perfazendo um total de uns impressionantes 153 minutos de música.



Mas dissertemos então sobre cada uma das 3 obras deste monumental lançamento. No primeiro disco, entitulado Gloom, temos uns Swallow the Sun mais próximos daquilo a que estamos habituados a ouvi-los. Ou seja, um doom death gótico, cheio de dinâmicas, variações de andamentos e com forte tendência teatral. Um disco onde a calma muitas vezes se intercala com a agressividade, resultando em excelentes contrastes musicais, reflectidos em temas intensos como Rooms and Shadows, 10 Silver Bullets ou Sillhouhettes. Desde logo uma evolução notória, quando comparado com o supra complexo disco anterior.



Segue-se o segundo disco, e com ele toda uma nova experiência. Apropriadamente chamado de Beauty, de facto beleza é um dos adjectivos que fazem parte do léxico com o qual se pode catalogar este disco. Diferente de tudo aquilo que fizeram até então, Beauty consiste num disco baseado em instrumentos maioritariamente acusticos, totalmente despido de distorção, ou qualquer tipo de agressividade sonora e assente na voz limpa tanto do vocalista Mikko Kotamäki e, ocasionalmente da vocalista convidada. Uma peça etérea, por vezes mesmo relaxante e que acima de tudo é um testemunho da pretinencia de todo este lançamento. Sem duvida o mais desafiador e difícil de encaixar dos 3 discos, mas talvez o mais compensador.



Quanto a Despair, o terceiro disco, funciona como a antítese de Beauty, estando, de forma sónica nos antipodas deste ultimo. Um manifesto de Doom metal, como nunca antes tinhamos visto na carreira dos Swallow the Sun, tocado de forma quase crua, maioritariamente lenta e compassada envolvendo o ouvinte numa atmosfera fúnebre, obscura e lúgebre. Muito ao nível daquilo que bandas como Mourning Beloveth ou Evoken nos têm vindo a dar nos ultimos tempos.

Se em Beauty tínhamos a fluidez das melodias, em Gloom temos a dissonância distrubante do peso das guitarras e cadência da secção rítmica. Os temas, como esperado são epicamente longos, baseados na sobre repetição e nas atmosferas mais sinistras e opressivas, mas felizmente os Swallow the Sun sabém o que fazem, e conseguem sempre imprimir algum dinamismo nas composições, como se andassem a tocar este tipo de música desde sempre.


Em suma, um lançamento, que pese embora todos os riscos que comportou a sua edição, acaba por ser um sucesso, na medida em que não só qualquer um dos discos pode ser desfrutado de forma individual, dependendo do modo em questão, como todos eles têm uma qualidade acima da média.



Nota: 8.5/10

Review por António Salazar Antunes