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Agora que dois discos passaram desde a trágica morte de Andrew “Mac” McDermott, está na hora de (re)apresentar o novo vocalista, Damien Wilson, a todos aqueles que infelizmente não têm a possibilidade de ver os Threshold ao vivo. Já se sabe a tendência para os coletivos que tocam sobre a chancela do metal / rock progressivo de lançar discos ao vivo, como forma de mostrarem ao mundo o quão virtuosamente evoluidos os seus músicos são, mas felizmente os Threshold sempre foram um bocado mais do que apenas um desfilar de notas tocadas à velocidade da luz, ou pluralidade de ritmos.

Este novo lançamento ao vivo European Journey é, com efeito, o cartão de visita perfeito para quem quer descobrir a música dos Threshold. Desde logo, quando comparado com as edições ao vivo anteriores do colectivo, poderemos ouvir uma maior dinâmica entre os músicos e o próprio vocalista, o que faz com que os temas não só se soltem mais, ao invés de presos às suas versões de estúdio, como também ganhem uma nova pujança, em especial na forma mais alta como as guitarras se apresentam na mixagem final.

A setlist é também o expectável, embora com demasiada enfase nos trabalhos mais recentes, mas tirando isso, pouco ou nada se poderá apontar quando temos obras como os já enigmáticos Slipstream, Ashes, Coda ou Watchtower on the Moon. A esses juntam-se também a mestria dos longos épicos como The Hours, Pilot in the Sky of Dreams ou The Box, tornando este lançamento perfeito no que diz respeito a complementar a parte direta com a parte mais complexa dos Threshold.

E no fundo, é mesmo a mistura desses dois predicados que fazem dos Threshold uma banda tão interessante e, de certa forma, subvalorizada, quando comparada com os grandes nomes do metal progressivo. Como se não bastasse, alguns dos temas referidos acima (com Pilot in the Sky of Dreams à cabeça), mostram também que não se trata de um coletivo frio e robótico, conseguindo na maioria das vezes transpor nas suas composições uma carga emocional bem vincada, muito devido também ao tom caloroso de Damien Wilson. A descobrir, mesmo para quem geralmente não tem grande paciência para metal progressivo.


Nota: 8.8/10


Review por António Salazar Antunes