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Reportagem: Electric Callboy, Bury Tomorrow e Wargasm @ Sala Tejo, MEO Arena - 25.01.2026


Os Electric Callboy regressaram a Portugal depois de uma passagem particularmente bem-sucedida pelo EvilLive de 2024, agora com novos temas na bagagem e uma popularidade cada vez mais evidente junto do público nacional. A prova disso foi um concerto completamente esgotado na Sala Tejo da MEO Arena. A banda alemã tinha-se estreado em solo português em 2023, no LAV – Lisboa ao Vivo, e esta trajetória ascendente deixa poucas dúvidas quanto a futuras passagens por palcos portugueses. Em próximas ocasiões, é até plausível que a Sala Tejo já não seja suficiente para acomodar a crescente falange de seguidores da banda, conhecida pela sua abordagem descontraída e bem-humorada à música pesada. Nesta que foi a última data da maior digressão alguma vez realizada pelos Electric Callboy, a responsabilidade de aquecer o público ficou a cargo de duas bandas inglesas: Wargasm e Bury Tomorrow.

Os Wargasm foram os primeiros a subir ao palco, apresentando um alinhamento de oito temas distribuídos por cerca de meia hora de atuação. O projeto liderado por Milkie Way (Rachel Alexandra Hastings) e Sam Matlock não deixou margem para dúvidas quanto à intensidade da sua proposta. A fusão entre nu-metal e electropunk foi apresentada de forma direta e energética, num concerto de abertura longe de ser protocolar. A entrega da banda e o incentivo constante à interação com o público revelaram-se determinantes para envolver os mais recetivos e criar, desde cedo, um ambiente propício à celebração que marcaria toda a noite.

Seguiu-se a atuação dos Bury Tomorrow, a banda mais experiente e pesada do cartaz, que não deixou o seu crédito por mãos alheias. O seu metalcore poderoso e moderno ficou bem patente logo no arranque com “Choke”, um início particularmente forte, sustentado por um refrão contagiante e um breakdown demolidor. Ao longo do concerto, não faltaram temas marcantes do percurso da banda, como “Cannibal”, “Boltcutter”, “Black Flame” e “Abandon Us”, agradando tanto aos seguidores mais dedicados como a quem se encontrava na Sala Tejo essencialmente para ver os Electric Callboy. Estes momentos representaram os pontos altos da atuação, que incluiu ainda “Death (Ever Colder)”, single lançado em 2023, bem como “Let Go”, “Villain Arc” e “What If I Burn”, temas retirados do trabalho mais recente do grupo. Durante o concerto, o vocalista Dani Winter-Bates refletiu sobre o tempo que a banda demorou a regressar a Portugal e sublinhou o caráter inclusivo da comunidade associada a este género musical. No final, ficou clara a importância dos Bury Tomorrow como contributo sólido e relevante para o alinhamento da noite.

A última data europeia da Tanzneid World Tour começou com o tema homónimo, escolhido para abrir o concerto dos Electric Callboy. A reação do público foi imediata e entusiástica, com direito a pirotecnia logo nos primeiros minutos. Seguiu-se uma versão de “Still Waiting”, dos Sum 41, escolha particularmente pertinente tendo em conta que Frank Zummo, baterista da banda de punk rock recentemente extinta, tem vindo a assumir a bateria dos Electric Callboy, tendo  inclusivamente participado na gravação desta cover. Sendo um clássico, o refrão foi cantado em uníssono por grande parte da sala, num momento reforçado visualmente pelo lançamento de confettis. Esta componente visual e festiva acompanhou todo o espetáculo, como seria de esperar.

“Tekkno Train” soou tão poderosa quanto contagiante, enquanto “Hypa Hypa” levou o público a um verdadeiro êxtase coletivo. Seguiu-se um instante mais intimista, com o público a cantar os parabéns a uma fã aniversariante, a pedido da banda. “MC Thunder” fez toda a sala saltar e confirmou, por esta altura, a eficácia dos Electric Callboy enquanto performers e entertainers. “Neon” marcou um registo diferente, mais contido, durante o qual alguns fãs colocaram outros às cavalitas, novamente incentivados pelo grupo. Com “Pump It”, um dos temas incontornáveis do repertório, a energia voltou a disparar, com o público a alternar entre headbang e dança.

“Hurrikan”, tema que a banda descreveu como inspirado na música popular tradicional alemã, foi incluído no alinhamento, ainda que sem a sua parte final mais pesada. De seguida, num momento assumidamente voltado para a vertente mais eletrónica e festiva do espetáculo, os Electric Callboy recorreram ao seu alter-ego Electric Bassboy, identidade que a banda utiliza para apresentar versões em formato DJ e remisturas mais dançáveis. Foi sob essa designação que surgiram as interpretações de “All the Small Things”, dos Blink-182, e “Bodies”, dos Drowning Pool, mantendo o público num registo claramente festivo. O lado mais pesado e sério dos Electric Callboy surgiu logo depois, com “Revery”, “Hate/Love” e “Mindreader”.

Após este momento de nostalgia, seguiu-se uma fase mais contida do concerto, com interpretações acústicas de “Fuckboy” e de grande parte de “Everytime We Touch”, regressando ao peso no final deste último. A partir daí, o entusiasmo voltou a crescer com uma sequência de temas escolhidos a dedo para reacender a energia da sala: “MC Thunder II (Dancing Like a Ninja)”, “Elevator Operator” e um encore particularmente forte composto por “Ratatata”, “Spaceman” e “We Got The Moves”.

No final da noite, os Electric Callboy voltaram a provar que a música pesada pode ser simultaneamente intensa, divertida e bem-humorada, deixando claro que estão aqui para ficar e que o seu impacto e relevância continuam a crescer de forma sustentada e exponencial. 


Texto por Mário Rodrigues
Fotografia por Paulo Jorge Tavares
Agradecimentos: Prime Artists