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O pescador louco por baleias está de volta. A banda alemã chega com este "The Boats Of The Glen Carrig" ao quarto álbum e não se estabelece como uma das mais brilhantes propostas dentro do Funeral Doom porque já o é há já algum tempo, mesmo que aqui evidencie vontade e argumentos para não encaixar perfeitamente neste género - na verdade, este facto não é exclusivo a este álbum, mesmo que seja bem mais evidente. Aquilo que caracteriza o funeral doom são os ritmos paquidérmicos e um peso descomunal, coisa que temos aqui em abundância. No entanto, o que temos aqui é uma dose considerável de dinâmicas que fazem com que as suas músicas tenham muito mais punch. Se pegarmos nos momentos de calmaria que "The Isle" e "The Thing That Made search", quase que nos esquecemos do peso bruto que a banda alemã é capaz de colocar em cima das nossas cabeças.

Apenas uma faixa destas cinco é mais unidimensional - "Red Foam (The Great Storm)" que também é a mais curta, apenas com seis minutos e meio - e mesmo essa é provavelmente a música mais rápida que a banda já escreveu, com um andamento algo acima do lentidão habitual e umas melodias incomuns para o estilo. São estas diferenças que podem apontar para o problema que os fãs da banda e/ou do género funeral doom podem ter  com "The Boats Of The Glen Carrig": o que apresenta é algo que vai para além do estilo o que pode representar um (eventual) problema para os puristas. No entanto, para os apreciadores de boa música, este é um álbum de qualidade ímpar.

Doom metal é um estilo muito particular, funeral doom ainda mais. Uma das coisas que os caracteriza é a dificuldade. Dificuldade das bandas em fazer temas que consigam cativar sem desvirtuar as regras do género e dificuldade por parte dos fãs em se deixarem cativar por temas longos e lentos e na maioria das vezes repetitivos. A repetição é algo que está na génese do género, principalmente no variante funeral. Aqui os Ahab fazem batota, porque contornam essas regras. Fazendo uma comparação talvez parva e simplista, "The Boats Of The Glen Carrig" soam como se os Opeth, nas vésperas de lançar o "Blackwater Park" decidissem investir no doom metal com referências náuticas. Independente disto, o que interessa reter é que ao quarto álbum, os Ahab transcende a sua própria identidade com um álbum que tem das melhores composições alguma vez criadas pela banda alemã.


Nota: 9/10

Review por Fernando Ferreira


O que nos espera da união dos belgas All We Expected e dos irlandeses Raum Kingdom? Uma fusão interessante entre pós rock e pós metal. De um lado os All We Expected com dois temas que têm tudo para agradar sem qualquer tipo de dificuldades os amantes de pós rock instrumental. Do outro, os Raum Kingdom, também com dois temas, onde se apoiam naquilo que se convencionou chamar de pós metal, ou seja, a mistura de elementos de hardcore, do sentido de atmosfera do pós rock e, claro, do peso do metal. Apesar das diferenças óbvias que a descrição atrás revela, há mais do que une estas duas bandas do que aquilo que parece. Ambas têm uma capacidade incomum para fazer com que o ouvinte se transcenda para além do lugar presente e até para além do seu próprio corpo.

É de esperar que os All We Expected sejam mais bem sucedidos a atingir esse objectivo, por serem uma proposta instrumental, mas os Raum Kingdom também conseguem chegar lá, de forma diferente e apesar de usarem a voz. A voz limpa que a banda irlandesa usa tem uma capacidade de hipnose admirável (dando até uns repentes dos Tool do médio oriente ou algo parecido com isso) e o peso das suas guitarras e um certo groove que possuiem também vão nessa direcção. Como o split está alinhado, é inevitável que os Raum Kingdom sejam o nome que mais fica gravado no final destes mais de quarenta minutos. No entanto, e vamos entrar numa área de especulação, se viessem os All We Expected no final, o resultado seria provavelmente o mesmo.

São duas propostas diferentes, apesar da sua proximidade estilística, e duas bandas a acompanhar no futuro. E este é um split que é obrigatório conhecer para quem gosta de ouvir a sua música com os pés sem tocar a terra.


Nota: 8.2/10

Review por Fernando Ferreira


Este é o terceiro lançamento por parte do projecto argentino The Last. Trata-se de uma one-man band levada a cabo por um músico que se autodesigna de Sir Last. Aqui temos três músicas de difícil catalogação onde vão tanto do nu-metal como ao hard rock e ao simplesmente esquisito. O rótulo industrial cai sobretudo na parte da percussão que é programada e sobre uns efeitos que até seriam dispensáveis. As três músicas são bastante diferente umas das outras o que não é muito benéfico para que se consiga chegar aos ouvintes. Mesmo após repetidas audições, não nos é possível discernir ao certo do que se trata The Last. O que nos é possível identificar é que Sir Last é um excelente guitarrista - os solos de "The Power To Say Goodbye" - um vocalista interessante que não se decide que tom deve usar e um compositor que deveria se focar em algo concreto.

Posto isto, "Wars Of Solitude (Transitions Pt 3)" sofre de esquizofrenia aguda e essa condição pode ajudar a que não se consiga apreciar totalmente as boas ideias que por aqui andam. "What Do You Care About?" por exemplo, começa de forma bem caótica e demora até que se consiga tornar viciante, com o refrão a ficar bem colado na cabeça. A potencialidade que o talento e as boas ideias que aqui aparecem acabam por ficar um pouco aquém. A produção também não ajuda, ficando a ideia que se trata de algo caseiro, digital e muito pouco orgânico. Seria necessário um maior foco e rever as opções disponíveis para que este projecto materialize todo o talento que demonstra ter.


Nota: 6/10

Review por Fernando Ferreira



Das Filipinas surgem-nos os Hauteure. Surgem-nos como quem diz. A banda não é propriamente estreante nestas andanças e precisamente nas vésperas de lançarem o terceiro álbum, disponibilizam este EP com três temas. É uma boa apresentação ao álbum mas também à banda em si, embora possa deixar aqueles que aqui chegam pela primeira vez algo confusos. Começando com o tema título, instrumental, ficamos na impressão de que temos aqui uma banda que aposta no groove, num certo aroma stoner e, porque não, pós-rock com os pés bem acentes não chão e não muito dado a vôos astrais. Para baralhar um pouco, segue-se "Reptilian Blues" que nos apresenta um doom, bem mergulhado em sludge como que se estivesse a afundar num pântano dentro de um cubo mágico - para se ficar com a ideia certa no que diz respeito à claustrofobia da coisa.

Isto poderia ser um problema, já que a disparidade perante o que se ouviu antes é imensa. Poderia, mas não é, já que se trata de um grande tema, com onze minutos, mas que agarra o ouvinte do início ao fim e até consegue transmitir um certo groove apocalíptico e hipnótico, sem esquecer uma saudável dose de psiquedelismo que fica sempre bem neste tipo de som. "Koleoptera" é o tema final que segue pelos caminhos da faixa anterior, embora não consiga atingir a mesma efectividade e intensidade. Ainda assim, fica uma excelente impressão deste trabalho e alguma antecipação para o álbum que aí vem. A conhecer.


Nota: 7.7/10

Review por Fernando Ferreira


Quase acabadinhos de surgir - a banda formou-se em meados do ano passado - os Sibiir explodem neste single/EP (como o queiram chamar. Anos atrás, duas musicas seria chamado de single, entretanto, como as vendas e importância do formato eventualmente desceram, no underground manteve-se a designação EP) que apesar de não ser um arrombo de originalidade, impressiona pela sua intensidade. O tema que dá título ao lançamento é uma poderosa mistura entre a raiva latente no hardcore e a agressividade do metal. Poderá dizer-se que o género que os noruegueses escolhem é o pós-metal, embora tal escolha seja feita por se desistir de procurar por uma categoria melhor. Apesar do som não ser definitivamente original, o facto de não se conseguir discernir bem o que é só joga a seu favor.

O que também joga a seu favor é o facto dos membros dos Sibiir serem experientes na cena de peso, já que inclui membros dos Jack Dalton (que passaram por estas páginas recentemente), dos Sigh & Explode, dos Call: Vega e dos Do You Love Melena?. Se o primeiro tema é bombástico, o segundo não se fica muito atrás, ficando aqui uma bela estreia e uma bela indicação para mais um colectivo de peso que nos chega da Escandinávia. A acompanhar de perto.


Nota: 7.5/10

Review por Fernando Ferreira


Do Canadá chegam-nos os Scissortooth com uma espécie de híbrido entre thrash e heavy metal como aquele que era feito na década de noventa, que ainda tinha alguns tiques da década de oitenta. E é um misto de emoções. Por um lado, a nostalgia óbvia de relembrar uma época que já passou – e o factor nostalgia junta sempre elementos muito pessoais à equação – mas por outro lado, também remonta a uma época que não foi especialmente famosa para o metal. O thrash estava a morrer, o alternativo e o grunge estavam na ordem do dia e as bandas insistiam ainda no thrash e no heavy metal lançavam propostas algo amorfas como este “Novagomorrah”, que também acabava por tentar tocar naquilo que bandas como Alice In Chains, The God Machine e em parte Candlebox.

Para já esta estranheza não é impeditivo a que se ouça música após música com curiosidade e algum gosto. Para já tem um enorme ponto a seu favor: os solos de guitarra. Se a produção é algo baça (a lembrar os trabalhos malditos de bandas como Kreator no “Cause For Conflict” ou Overkill no “I Hear Black” ou “W.F.O.”) o trabalho de guitarra das três primeiras faixas “Hostile Takeover”, “10 30” e “Slowber” é excelente. Então inicia-se assim uma relação de amor-quase ódio com “Novagomorrah”, em que o amor provavelmente acabará por sair vitorioso, já que além do trabalho de guitarra que se mantem com uma qualidade excepcional até ao final do trabalho, as músicas em si também são de uma qualidade acima da média.

Aquilo que retém este trabalho é mesmo a indefinição em que deixa o ouvinte, sem saber se é grunge, se é heavy metal ou se é thrash metal. Por outro lado e sabendo que aquilo que pode caracterizar a genialidade de um trabalho é a sua incapacidade de encaixar onde quer que seja, o ouvinte poderá ser, sem se aperceber, convidado a ouvir uma e duas vezes, até decidir repetir a dose. Descobrirá que as músicas realmente são boas e que quantas mais vezes ouve, mais as músicas vão crescer dentro de si e é efectivamente isso que acontece. Este trabalho poderá passar ao lado de muita gente mas aqueles a quem chegar e se lhe for dada hipótese, ficará definitivamente.


Nota: 7.8/10

Review por Fernando Ferreira


Segundo álbum da banda norte-americana de power/thrash metal, lançado em edição de autor. A cena musical está fortíssima e é cada vez mais comum encontrarmos bandas que acreditam no seu trabalho o suficiente para não ter medo de ir à luta e promover os seus próprios trabalhos. Ainda bem que assim é, porque além de continuar a provar que o som sagrado é o estilo de música que fala directamente aos seus fãs, também é a prova de que a boa música consegue superar (quase) todas as dificuldades.

“7” conjuga na perfeição a face moderna e a mais tradicional do estilo e só peca num pequeno ponto, é demasiado pequeno, tanto em termos de duração como em termos de número de faixas. No entanto, e como a quantidade nem sempre é sinónimo de qualidade, o que se pode ouvir aqui é inteiramente satisfatório. Desde o tema título que inicia as hostilidades até à última “The March For Mankind – Heavens Carnage”, tem-se thrash metal tingido a heavy metal tradicional típico dos E.U.A. que flui muito bem.

Necessitará algumas audições até que entre por completo, embora os fãs da velha guarda não terão dificuldades nenhumas com temas como “Don’t Eat The Eyes” e “Cry Out For Justice” que têm aquela pitada de NWOBHM que faz com que se sinta logo em casa. Haverá propostas superiores neste espectro mas “7” provoca umas boas audições sem grandes dificuldades. Espera-se que a banda continue a lutar por aquilo que acredita, algo que se nota depois no resultado final dos seus trabalhos, como é o caso. Como “7” é o nome do álbum, a sua avaliação justa acaba também por passar por esse número.


Nota: 7/10

Review por Fernando Ferreira


Não será novidade isto que vamos dizer, mas a Escandinávia é mesmo um grande viveiro de música pesada. Nos mais variados quadrantes. Quando se fala em Noruega, pensa-se imediatamente em black metal mas a verdade é que há muito mais para além desse estilo de som, nomeadamente uma cena hardcore/pós-metal bastante forte. Os Jack Dalton inserem-se (mais ou menos) nesse quadrante e são apenas mais um exemplo do alto nível qualitativo que nos chega daquela parte da Europa. A diferença estará é que a banda não é marcadamente hardcore, nem propriamente pós-metal ou pós-rock mas uma mescla inteligente das suas características mais marcantes.

“Inherit Repetition” e o tema título colocam a nu as intenções da banda e estabelece o mood para o resto do álbum: sensibilidade punk/hardcore, com a apetência para usar ambiências mais atmosféricas que resultam muito bem neste contexto. Poderá não soar muito original esta estreia e até relembrar em demasia outras propostas já firmadas na cena, mas pela força das suas composições e pela qualidade da produção de Matt Bayles (que já trabalhou com Mastodon e Alice In Chains) e Jorgen Munkeby (reconhecido pelo seu trabalho com Shining), consegue ter uma obra com um impacto acima da média.

Não é um trabalho recomendável a todos os que gostam de sonoridades mais tradicionais, mas para quem gosta das experimentações mais recentes do hardcore com o metal e com o rock mais alternativo, Jack Dalton (sim, o nome é inspirado no amigo mentiroso compulsivo do famoso herói de tv, MacGyver) é um nome a reter. Espera-se que um álbum seguinte consiga fazer com que descolem definitivamente, longe das influências e da concorrência. Temas como “Dead End” (numa perspectiva mais melódica) e “Unpreventable Patterns” (numa perspectiva mais progressiva e experimental) mostram que tal é possível sem grandes problemas.


Nota: 7.5/10

Review por Fernando Ferreira


Frontiers strikes back! Já conhecemos muito bem o modus operandi da Frontiers Records e já falámos muito dele nestas páginas pelo que não adianta começar por esse ponto já gasto. Comecemos por dizer que os Lynch Mob são há já muito tempo uma força a ter em conta no panorama do hard rock mundial e que, como tal, têm o apoio da editora italiana que lança este “Rebel”, o oitavo álbum de originais. Para os mais distraídos, os Lynch Mob são a banda de George Lynch, guitarrista conhecido pelo seu trabalho com os Dokken. A banda é composta por, além do próprio Lynch, claro, Oni Logan na voz, Jeff Pilson no baixo (também ex-membro dos Dokken, Foreigner e Dio) e Brian Tichy na bateria (ex-Whitesnake e Ozzy Osbourne).

Como se poderia esperar, o que se tem é mais do bom e velho hard rock’n’roll que o velho George sempre foi capaz de nos presentear. São onze faixas dentro do género clássico do hard rock, o único que parece desafiar e passar com sucesso o teste do tempo. É o facto não haver propriamente uma fronteira estabelecida entre o hard rock e o heavy metal e colocar lá pelo meio os elementos puros de rock – ou seja, mais uma definição para aquela categoria fantástica chamada de hard’n’heavy. Claro que no final, o sinle de avanço “Automatic Fix”, “Jelly Roll” e “Dirty Money” são apenas indicadas para quem gostar deste tipo de coisa.

A banda não procura converter ninguém, e isso é notário. A única preocupação é fazer bom e velho hard rock sem ter outras coisas a preocupar, tendo apenas atenção às raízes do rock (a intro da “The Hollw Queen” faz mesmo lembrar AC-DC, no “Back In Black”) e criando no processo uma série de músicas clássicas que não precisam de muito para que cresçam no interior do ouvinte a cada audição. É, no entanto, um álbum que não encerra grandes segredos. What you hear is what you get, basicamente. As coisas boas da vida são simples e “Rebel” lembra-nos isso mesmo, música após música. Bom álbum.


Nota: 8/10

Review por Fernando Ferreira


Os Despair não são dos nomes mais conhecidos do thrash metal alemão, isso é um facto. Lançaram três álbuns entre 1988 e 1992, tendo-se desintegrado no ano seguinte sem dar sinais de vida até aos dias de hoje. A história da banda está associada à Century Media (foi a primeira banda europeia que assinou pela editora alemã e o primeiro vocalista, Robert Kampf que cantou no primeiro álbum “History Of Hate”, saiu para se dedicar exactamente à Century Media) mas é pelas mãos da Punishment 18 Records que surge esta reedição vinte e cinco anos depois.

Este “Decay Of Humanity” é precisamente o segundo trabalho, contando já com um novo vocalista, Andreas Henschel, e tanto tempo após do seu lançamento original ainda soa capaz de aguentar umas audições. Talvez seja fruto de actualmente o thrash metal estar na berlinda, com muitas propostas retro, seja mais assentes no crossover, no mais genérico ou em propostas a pender mais para o técnico, como é o caso. Não deixa no entanto de soar como um produto retirado do momento em que foi lançado. Quer pela produção – responsável por um tal Waldemar Sorychta – que apesar de excelente, não consegue escapar ao factor tempo.

Ainda assim, este trabalho consegue surpreender pelo teor algo progressivo de faixas como “A Distant Territory” que servem muito bem as dinâmicas do álbum, servindo para contrabalançar os temas mais comuns (mas não menos bons) como “Cry For Liberty” e “Victim Of Vanity” . Agora a reflexão que importa neste tipo de lançamentos é… será “Decay Of Humanity” merecedor das honras de reedição? Sim, sem dúvida. Não só pelo factor histórico como também como forma de dar a conhecer aos fãs dos dias de hoje de thrash metal das boas propostas do passado. É fácil perceber porque é que este trabalho ficou esquecido na memória, mas há aqui valor suficiente para que se volte a ele de vez em quando.


Nota: 7.5/10

Review por Fernando Ferreira



Quem são os Publicist UK? Além de ter um nome estranho e algo pretencioso na sua pseudo-intelectualidade, aquilo que os destingue mais é por ser uma banda que poderia ser um cruzamento entre o new wave e rock gótico de bandas como The Mission com os The Cure, ou Gene Loves Jezebel com os Joy Division, ou ainda os New Order com os Sisters Of Mercy, isto se todos eles gostassem de abusar da distorção de vez em quando. Provavelmente não dá para ter uma ideia, o que é bom, porque não há nada como não ouvir as opiniões alheias e conferir-mos nós próprios.

A particularidade que encontramos aqui é que os seus membros são quase todos da metalada, principalmente se considerarmos que a bateria está a cargo de Dave Witte (dos Municipal Waste e mais outras quinhentas bandasa), o baixo está com Brett Bamberger (dos Revocation), a guitarra com David Obuchowski (dos Goes Cube) e a voz com Zachary Lipez (dos Freshkills), o que faz com que "Forgive Yourself" se revista com ainda mais curiosidade. Com um feeling bem próprio do tempo em que todas as bandas citadas no primeiro parágrafo davam os primeiros passos e com o algum do peso característico de propostas mais modernas, este é um álbum que se estranha à primeira. E à segunda. Definitivamente à terceira. E depois disso continua a estranhar-se, mas não se pára de ouvir.

Tem-se alguns momentos mais intensos (se bem que a intensidade aqui demonstrada nunca chega propriamente aos níveis "metal" que tanto gostamos) como na "Levitate The Pentagon" que contrastam bem com aqueles que nos chegam em "You Are The Stars", mas "Forgive Yourself" acaba por ser bastante homogéneo. A sua grande arma é a voz de Zachary Lipez, que consegue remeter o ouvinte para os primórdios da década de oitenta, embalar e hipnotizar ao mesmo tempo. E consegue fazê-lo. Para um disco que NÃO É de metal, é obra!


Nota: 8/10

Review por Fernando Ferreira


Os mais novos poderão não saber mas os Praying Mantis são um dos bons nomes que surgiu da chamada New Wave Of British Heavy Metal e como tal muitos outros que foram/são apanhados (Def Leppard é um dos nomes que surge imediato na mente), não se encaixavam propriamente na categoria. Ainda assim, o seu som sempre teve uma boa qualidade no que ao hard rock melódico diz respeito. Após um silêncio de cinco anos, a banda regressa para o seu décimo álbum e com ela regressa aquele feeling clássico que apenas o rock da década de oitenta consegue transmitir. Basta ouvir "The One" para se perceber isso mesmo.

Claro que aqueles que são avessos à melodia no rock ou que sentem este estilo de som como algo mais datado que sei lá o quê, alegarão que é apenas mais um caso de uma banda que nos chega pelas mãos da Frontiers e que já devia estar morta e enterrada. Para combater este tipo de argumento basta apenas pensar que a música, a boa música, é imortal e que como tal, o bom rock melódico, que remeta à década de sessenta, setenta, oitenta ou noventa, vai soar mesmo bem. E não há defeito que possa cair em relação a este "Legacy" quando a música tem uma qualidade tão alta.

A nova formação (novo vocalista - Jaycee Cuijpers - e baterista - Hans In’t Zandt) trazem novo sangue que consegue fazer a diferença, principalmente o vocalista que tem um tom de voz quente, a lembrar o vozeirão do insubstituível. Melodias que colam aos ouvidos e ao cérebro, refrões que procedem da mesma forma, guitarras fortes e bons solos de guitarra por cima de uma boa secção rítmica, sem esquecer os bons arranjos de teclados, fazem de "Legacy" um álbum essencial para todos os que gostam de hard rock (ou apenas rock) melódico. A Frontiers continua com a pontaria apurada.


Nota: 8/10

Review por Fernando Ferreira


Numa altura em que os Holocausto Canibal fazem as malas para mais uns festivais fora de Portugal e se preparam para lançar a reedição do disco de estreia a Metal Imperium achou ser o momento para falar com o grupo.


M.I. - Recuando a 2014, logo no início do ano repetiram a experiência “Box Sized Die”. Como correu isso? Sei que o artista que trabalhou com vocês, repetiu a experiência em Madrid. Há planos para se repetir?

ZP - Correu de forma irrepreensível e superou as nossas melhores expectativas! Pessoalmente, já acompanhava o trabalho do João Onofre, embora nunca tenhamos tido contacto prévio e foi sem dúvida uma grande honra termos sido convidados directamente por ele para materializar mais uma edição da “Box Size Die” (que já teve no seu interior bandas como Konkhra, Gorod, Serial Butcher…) e já percorreu mais de uma dezena de diferentes cidades europeias. O facto da “Box Size Die” fazer actualmente parte do acervo da coleção permanente do Museu de Arte Contemporânea de Serralves reveste toda a iniciativa de uma importância ainda maior para nós. Foi sem dúvida um grande desafio expor o nosso trabalho a um circuito que embora completamente distinto do nosso habitat natural, nos cativa imenso e existem já alguns planos num horizonte próximo de novas incursões pelo meio das Artes Plásticas e Performance.


M.I. - A edição do “Larvas”, permitiu diversas digressões, mais no exterior que por cá. Uma delas passou pelas datas inglesas com Basement Torture Killing. A tour nacional, com eles, foi a vossa retribuição?

AC - Não foi uma retribuição como "forma de pagamento" mas sim um sinal de agradecimento. Fomos tratados de forma absolutamente irrepreensível quando lá estivemos e quando nos perguntaram se podiam fazer umas datas por cá connosco naturalmente que não hesitamos. Para além disso, já estava mais que na altura de voltarmos à estrada de um modo mais intenso por cá e o balanço foi extremamente positivo.

EF - de certa forma temos por base retribuir e compensar quem aposta em nós, como se costuma dizer uma mão lava a outra.


M.I. - Apesar de 2014 ter marcado a vossa estreia na Inglaterra, certamente que a digressão brasileira foi de longe uma experiência mais interessante. Façam um balanço dela.

ZP – Curiosamente alguns de nós já tinham feito tours na Inglaterra com outras bandas paralelas, mas efectivamente com Holocausto Canibal, esta incursão só se proporcionou em 2014. Se, inicialmente, sentimos que foi uma opção tardia e até nos arrependemos de declinar convites anteriores, depois apercebemo-nos ter sido o timing mais adequado, pois se calhar no passado estaríamos confinados a uma tour de clubs mais modesta e seguramente não teríamos uma data esgotada no centro de Londres nem participaríamos num festival a abrir para nomes incontornáveis como Napalm Death, Lock Up, Pentagram, Anaal Nathrakh, Desecration, Onslaught, Massacre, etc. Em relação à nossa estreia na América do Sul, foi indubitavelmente o ponto alto do ano transacto! A “Sangue, Suor e Grind – Brasil Tour 2014” foi composta por 16 datas, percorrendo os estados brasileiros mais relevantes do Norte ao Sul do país. Era um sonho bastante antigo tocar na América do Sul, e à semelhança do que disse em relação à Inglaterra, penso que o concretizamos na altura certa. A reacção do público brasileiro foi extremamente calorosa e 90% das datas tiveram uma afluência massiva. Foi especial conhecer pessoalmente amigos de longa data e partilhar o palco com bandas que nos influenciaram desde o início. Esgotamos todo o merchandise que a promotora da tour produziu a cerca de 6 datas do fim e entretanto já surgiram bastantes convites para um regresso que incluirá igualmente outros países da América do Sul.

EF - sem sombra de duvida que a tour brasileira foi um dos pontos altos ao longo destes 17 anos de carreira, como disse anteriormente o Zé Pedro, era um sonho já antigo, pois tínhamos conhecimento que o nome Holocausto Canibal já tinha algum peso no Brasil a alguns anos, e quando lá chegamos, isso foi visível em quase todas as datas, sem sombra de duvida. É algo para repetir muito em breve. 


M.I. - Depois de um conjunto de datas em festivais, 2015 já apresenta mais datas e até tem já um festival agendado para 2016. Não é estranho serem tão solicitados no estrangeiro e terem menos exposição por cá?

ZP – Somos continuadamente solicitados em Portugal, só que somos obrigados a seleccionar o melhor possível as propostas que surgem. É efectivamente curioso que mesmo a nível financeiro as propostas que nos chegam de países remotos, são bastante mais generosas que as de cá. O nosso tempo é bastante valioso e temos mesmo de o preencher da melhor forma. Adoramos tocar em Portugal e continuamos a fazê-lo, mas não escondemos que é igualmente excitante coleccionar novas nacionalidades e conhecer novos seguidores pelo Mundo fora.

EF - Continuar a tocar no nosso país será sempre um prazer, mas cada vez mais tentamos gerir da melhor forma o nosso tempo e tentar internacionalizar a banda ao máximo, é sempre bom conhecer novas culturas e novos países.


M.I. - 2015 vai ser um dos anos mais ricos em edições, na vossa carreira: um 7-way split, o split de Desecration, a edição do novo álbum, a reedição de Gonorreía… vamos por partes. Como surgiu isso do 7-way split? 

AC - Sem dúvida, temos um ano bastante preenchido a nível de lançamentos. A ideia do 7-way split surgiu do guitarrista de uma das bandas com quem tocamos na tour que fizemos em Inglaterra no ano passado. Quiseram juntar uma série de bandas num só disco e inicialmente era suposto serem 5, mas rapidamente outras bandas manifestaram interesse em participar e teremos um split com bandas de vários países.

M.I. - A edição com os Desecration já está assegurada? Porque partiram para o projecto sem terem editora?

ZP - Penso que a única vez que nos lançamos para a gravação de álbum já com um contrato previamente assinado, foi a única vez que tivemos problemas e uma ruptura editorial ainda antes do lançamento. Acreditamos no nosso nome e no culto conseguido ao longo dos anos. Nunca tivemos problemas em encontrar editora mas sim em decidir por qual optar para determinado lançamento. Para este Split nem um e-mail de prospecção massiva de editoras fizemos…limitamo-nos a fazer um post banal de Facebook e surgiram logo várias interessadas, das quais seleccionamos 4 selos de diferentes países, que se irão complementar a nível de distribuição mundial. Na verdade somos o tipo de banda que é muito mais útil a determinada editora do que o inverso.

EF - ao longo destes anos e tendo em conta tudo o que temos passado, cada vez mais achamos que é muito mais vantajoso investir em nós mesmos e ter alguém a distribuir o trabalho, que entregar de mão beijada um trabalho já feito para uma editora apenas por o selo e distribuir.
Dá mais trabalho mas é mais vantajoso, assim conseguimos gerir da melhor forma o que temos em mão e tentamos espremer cada lançamento ao máximo.  

AC - Na verdade o tal post só foi feito por descargo de consciência. Estávamos inteiramente determinados em fazer o lançamento pelos nossos próprios meios até sermos contactados por todas as editoras envolvidas. Obviamente que o interesse demonstrado por essas mesmas editoras e a própria relevância que têm no underground rapidamente nos demoveu dessa ideia.


M.I. -  Já este ano surpreenderam muita gente a anunciarem o Dan Swano para masterizar o tema com Desecration  e a reedição de “Gonorreía…”. É um velho sonho? Como surgiu isso?

EF - Tentamos sempre trabalhar directamente com produtores que estiveram ligados a trabalhos que nos serviram de influência e no caso do Dan Swano... dispensa apresentações. Acho que qualquer músico ligado a este meio tão específico como o Death Grind gostaria de trabalhar com um produtor como ele. Estamos muito satisfeitos com o resultado e sem dúvida alguma que foi uma boa opção para o tipo de resultado que pretendíamos, se muita gente ficou surpreendida com essa notícia, acho que vão ficar ainda mais surpreendidos com o resultado final, e para quem esta a espera de uma super produção moderna, pode esquecer isso!

AC - Foi a cereja no topo do bolo e foi absolutamente determinante para que se pudesse criar o feeling pútrido que o lançamento exige. Para além disso foi uma experiência incrível pelo facto de ter bastado dizer-lhe o que queríamos e superar as expectativas logo na primeira preview. Quem sabe, sabe, e a reputação que conseguiu neste meio não foi à toa.


M.I. - A reedição de “Gonorreía…” como vai ser feita, o que vai lá estar? É apenas nacional ou pensam distribuir lá fora?

EF - Estamos neste momento a ver qual a melhor opção a nível de distribuição, apenas podemos adiantar que será em vinil com edição limitada.

AC - Exactamente. A ideia é lançar em vinil e estamos neste momento a procurar editoras para concretizar o lançamento em terras lusas e no estrangeiro. Ainda está tudo muito indefinido mas não falta muito para podermos revelar mais pormenores.


M.I. - Há algum tempo, numa conversa, fazia o balanço dos grupos nacionais com mínima projecção internacional e reparei que quase todos ultrapassam a dezena de anos de existência e que não ultrapassam a dezena. Que se passa, na vossa opinião, com o underground nacional para ter pouca projecção? Muita conversa e pouca acção??

ZP - O underground nacional é composto na sua grande maioria por pessoas sem qualquer ambição, sem método de trabalho e sobretudo e sem garra alguma. Achamos sempre positivo o surgimento de novas bandas e curioso todo o mini-hype que os media nacionais lhes proporcionam durante os primeiros tempos, embora já saibamos que passados 3 ou 5 anos já cessaram actividades. Claro que há honrosas excepções que se contam infelizmente por uma mão (e talvez sobrem dedos). Seja como for nunca olhamos para o lado, olhamos para a frente.

EF - Na minha opinião o mais complicado é mesmo manter aquele garra que maior parte das pessoas tem quando começa algo novo, o problema esta depois, com o passar dos anos a desmotivação acaba por ganhar terreno e quando isso acontece é como tudo na vida, é bem mais fácil deitar um problema para trás das costas do que tentar resolvê-lo, mas isso para mim não é solução, prefiro tentar ao máximo resolver as coisas e tentar dar a volta, caso não consiga, pelo menos estou de consciência tranquila porque tentei. Se todos tivessem essa atitude acho que seria bem mais fácil marcar terreno e seguir caminho.   


M.I. - Vocês estão envolvidos em outros projectos musicais, como vai resultar o equilíbrio entre as várias partes? 

AC - Resulta e vai continuar a resultar na perfeição. Neste momento estamos envolvidos em bandas como Grunt, Dementia 13, Colosso e Decrepidemic e existe uma relação bastante harmoniosa entre todas essas entidades. A verdade é que sem existir uma partilha massiva de membros há um contacto constante entre todas as bandas entre estúdios e editoras e a experiência de cada um num determinado projecto vai inevitavelmente enriquecer o trabalho desenvolvido no outro. Por outro lado, as ocasionais mudanças de ares são essenciais para evitar cair em definitivo no estado de demência que impera nesta banda.  


Entrevista realizada por Emanuel Ferreira


As bandas de metal francesas destacam-se por serem, na sua grande maioria, inovadoras e com aquele muito bom hábito de querer fugir sempre da norma. Os The Long Escape são parte do outro escalão de bandas que opta por se manterem bem dentro dos cânones da sonoridade que praticam. No caso deste grupo, cujo este “The Warning Signal” já é o segundo álbum de originais, temos uma sonoridade que hoje em dia já não se ouve falar muito: nu metal. E, deva-se acrescentar, há uma muito boa razão para falta de interesse no estilo depois da gigantesca estagnação que ocorreu há uns quantos anos, não muito atrás.

O que roda neste registo é algo na onda de uns P.O.D. só que mais pesado, com uns riffs orelhudos e pujantes que por vezes chegam a aproximar-se do thrash, acompanhados pela voz de Kimo que muito raramente sai do registo melódico onde mostra uma performance bastante satisfatória. Os 11 temas de “The Warning Signal” são consistentes, mesmo que, como já foi escrito, não se afastem da sua fórmula, os The Long Escape quiseram compor onze boas músicas radio friendly de metal, pelo que, goste-se ou não, a qualidade de uma “Awakened Ones” ou “World Going Down” é inegável.

Por tudo aquilo que já escrevi (ou se o leitor já pôs no youtube alguma música desta banda enquanto lê esta review), já se comprovou que isto é metal na sua forma mais comercial possível o que automaticamente afasta cerca de 95% dos apreciadores deste belo género musical, mesmo assim não deixa de ser um bom registo.

Nota: 7.5/10

Review por Tiago Neves


Lançamentos como este tem por norma não serem muito longos – quando ultrapassam os 30 minutos já são considerados grandes – mas este split, disponível também no formato de 7’’ mal roça os 10 minutos. Nele vêm duas jovens bandas dos Estados Unidos: a que primeira é apresentada formou-se em 2012 e a segunda no ano seguinte e, pela brevidade de duração desta peça é normal que se pense em grindcore e, mesmo não sendo, não fica lá muito longe.

Abrindo com o único tema que os Augurs gravaram para este split, “From Maggots To Flies” entra trovejante mostrando uma bem efectuada fusão de crust e black metal que vai ganhando substância à medida que vai caminhando para o final, deixando o ouvinte com interesse em conhecer melhor o que esta banda é capaz de fazer, mas, tirando a Internet, não há mais nada de Augurs para se ouvir neste trabalho o que acaba por ser uma lástima. Já os Deathgrave surgem com três temas que, todos juntos não conseguem ultrapassar os 4 minutos e meio de “From Maggots To Flies”. Estes conterrâneos não são dados à mistura de estilos, fornecendo 3 temas de crust bem puro onde o nome do primeiro - “Brutal” - define muito bem a natureza violenta e in your face de todos eles e daí não muda praticamente nada, sendo que as 3 músicas se bem que velozes e selvagens como se quer têm muito pouca variedade nos riffs e na forma como são tocados.

Pode-se dizer que de um lado temos uma proposta mais moderna e do outro uma que não se afasta das raízes old school, ambas unidas por uma das facetas mais raivosas do punk. Interessante para os seguidores do crust, grind e hardcore mas não há de ser mais do que isso.

Nota: 7.3/10

Review por Tiago Neves


Quantos de vocês poderão afirmar categoricamente que conhecem uma banda do Luxemburgo? Pois é, se não conheciam passam agora a conhecer através dos My Own Ghost. Mas será a proveniência do coletivo o seu único ponto de interesse? À partida poderá parecer que sim, mas uma escuta aprofundada de Love Kills revela no entanto algumas surpresas. 

Para já estamos na presença de uma banda cuja voz e delicadeza do som, nos remete quase que instintivamente para o universo Americano das vozes femininas, com Paramore e Flyleaf logo à cabeça. Contudo e pese embora seja inegável a influencia pop no seu som, os My Own Ghost parecem ser um pouco mais criativos do que os nomes supracitados. Afinal de contas, sem o “apoio” de uma indústria discográfica como a norte-americana, tarefas como a escrita, produção e promoção, terão que ficar quase que exclusivamente dependentes da banda, isto para não falar de que tal indústria é praticamente irrelevante no Luxemburgo.

Como tal Love Kills não é um irritantemente perfeitinho e unidimensional disco, mas sim o mais do que satisfatório resultado da grande coesão entre Fred Breve e David Soppelsa nas guitarras, Joe May no baixo e Michael Stein na bateria, aos quais se sobrepõe a voz de Julie Rodesch, que pelo seu agradável timbre e talento, acaba naturalmente por ser o grande ponto de interesse deste lançamento. Nele encontramos rockalhadas enérgicas como Broken Mirror e Free Fall, refrãos bem orelhudos como Waiting in the Wings e Bad Love, batidas electrónicas aqui e ali, bem como temas derivados do piano como Silence, ou até sonoridades a fazer lembrar The Cure. Decididamente fica a ideia de que este disco comporta as diversas influências musicais dos elementos deste coletivo, o que é normal tendo em conta tratar-se do seu primeiro lançamento, e sendo ou não ainda uma busca pelo seu some, a verdade é que essa heterogeneidade acaba por dar ao disco um travo especial.

Naturalmente que os My Own Ghost ainda têm muito que aprender e evoluir, especialmente na altura de dar um cunho mais pessoal e carismático nas suas canções, para que possam assim distinguir-se, de forma mais categórica da concorrência. Para já ainda na modesta (mas que tão boas bandas tem descoberto) Inverse Records, mas prontos a dar o salto num futuro que se prevê auspicioso. Um bom disco para quem não tiver problemas com um metal rock meio apopalhado.

Nota: 8.4/10

Review por António Salazar Antunes


Podem vir da França, mas se há coisa que se nota depressa na sonoridade dos Abyssal Ascendant é a inspiração americana da mesma, mais concretamente o que se fazia de death metal na zona da Florida durante os anos 90. Quem está a ler deve ter ficado imediatamente com a sensação de que esta é mais uma banda de death metal old school e até há aqui muita coisa que faz lembrar uns Morbid Angel ou uns Immolation da época, mas, muito felizmente, a música destes franceses não é tão linear como a de muitas bandas jovens como eles que tocam este subgénero, ao invés disso traz em si aquela centelha do querer inovar e levar a sua música mais além e isso é bastante notório neste primeiro álbum, o que dá sempre uma boa impressão.

Conceptualmente centrado nas monstruosidades cósmicas das obras de Howard Lovecraft, a atmosfera sombria e mística já é por si um requisito obrigatório para muitas das bandas que querem compor música sobre Cthulhu e Cia., pelo que aqui a mesma está bem executada e sempre presente, não sendo necessários teclados ou elementos exteriores ao death metal rijo e voraz dos 10 temas aqui gravados, sendo uns absolutamente destruidores e velozes como “The Gift Of Shub-Niggurath” ou “Interdimensional Predation II” e outros dão mais espaço para a imprevisibilidade e para todas as metamorfoses musicais que acabam por acontecer, ai sim adicionando elementos exteriores às guitarras, baixo e bateria, como coros ou fugazes momentos sinfónicos inseridos no meio da agressividade bélica um pouco como os Vader gostam de fazer uma ou duas vezes por álbum e aqui podemos dar destaque a “The Black Pharaoh” um tema com muitos ecos de Nile, outra das influências dos Abyssal Ascendant.

“Chronicles Of The Doomed Worlds (…)” mostra uma banda a misturar as suas muitas influências e a criar o seu próprio som e nisso há muito mérito a ser atribuído. Não é nenhuma obra prima mas é um bom e saciante disco de death metal a ser descoberto.

Nota: 8.4/10 

Review por Tiago Neves

Os Paradise Lost dispensam todo o tipo de apresentações. Estes gigantes britânicos estão de volta com um novo e excelente álbum “The Plague Within”. Nick Holmes esteve à conversa com a Metal Imperium.

M.I. – Quando formaste a banda, esperavas que durasse tanto tempo?

Claro que não.


M.I. – Os membros da banda são os mesmos desde o início… qual o segredo para a longevidade da vossa relação?

Pode tornar-se cansativo estar 24 horas diariamente com alguém, mas temos de saber quando parar de os irritar e isso ajuda-nos a rir e a aguentar tudo, funciona assim em qualquer relação.


M.I. – Qual foi o ponto de viragem para os Paradise Lost?

Penso que foi com o álbum “Shades of God” que notámos que havia um certo burburinho por nossa causa.


M.I. – Porquê “The Plague Within”? Qual a mensagem presente?

O título “The Plague Within” é sobre o estado de saúde mental, insanidade ou sobre o que se classifica como tal, e é um assunto fascinante.


M.I. – A capa apresenta um homem de duas faces… uma caveira com uma coroa de folhas a lembrar o passado glorioso das civilizações e uma face velha e decrépita do outro lado, ambos em cima de um monte de lixo. Qual o verdadeiro significado afinal? Tem algo a ver com a industrialização e a perda de valores morais por causa do dinheiro?

Por acaso, a capa representa Sysyphus a transportar o seu fardo por uma ilusão gelada, mas a tua descrição também é muito boa.


M.I. – A banda recuperou sonoridades presentes em álbuns anteriores… sentias-vos nostálgicos? Supostamente o novo álbum agradará a fãs mais antigos e mais recentes, achas que tal é mesmo possível? Qual a receita secreta?

Só escrevemos riffs cujo som nos agrada, não há segredos, temos a sorte de ainda estar na mesma cena que nos viu nascer, apesar de nos termos desviado aqui e ali, mas ainda somos grandes fãs de metal, caso não fossemos, tal era perceptível na música.


M.I. – O vídeo para o tema “Beneath broken Earth” é bastante básico, é para mostrar que a humanidade deveria voltar a uma existência básica para permitir a salvação do planeta?

Não, é simplesmente um vídeo.


M.I. – O vídeo foi dirigido por Ash Pears. Quem criou o conceito?

Não podes fazer headbang ou ficar louco com este tema, portanto tocámo-lo como fazemos na sala de ensaios, com alguma iluminação. O Ash fez um trabalho fantástico. Já vi demasiados vídeos de headbang e saltos loucos!!!


M.I. – A procura dos vinis coloridos do novo álbum tem sido excepcional. Considerando a evolução da tecnologia, compensa investir em vinis?

Duvido que volte a ser como era mas percebo que as pessoas, principalmente as da minha geração, tenham interesse neste tipo de material. Os anos do vinil foram mágicos, algo que se perdeu com a geração mais nova. 


M.I. – Os Paradise Lost integraram a lista de metal do The Guardian. Aposto que nunca esperavas ver isto a acontecer?!

Podes crer! O Dom Lawson tem um gosto muito perspicaz! 


M.I. – Com o novo álbum, a banda tem estado a ter um Verão agitado. Como lidais com o stress de andar em tournée durante muito tempo? Qual o maior obstáculo que tens de enfrentar?

Simplesmente habituamo-nos a isso, é divertido mas a falta de espaço pessoal começa a moer após algum tempo, mas podia ser pior… podíamos ter um emprego a sério! 


M.I. – Porque é que Portugal não consta da tour?

Penso que não encaixava no roteiro mas acho que tocaremos aí mais tarde.


M.I. – Qual a tua opinião sobre as tatuagens em vossa honra?

É uma decisão pessoal.


M.I. – Qual a melhor memória da carreira dos Paradise Lost? E a pior?

Visitar locais e fazer montes de amigos que nunca faríamos noutras circunstâncias, tem sido espectacular. A pior é estar muito tempo longe de casa.


M.I. – Agora que o Nick é o frontman dos Bloodbath, como lidas com horários e tournées de ambas as bandas?

Os Bloodbath têm sido uma banda de festivais durante o verão, podemos fazer alguns concertos em salas mas serão limitados. Os nossos espectáculos não se têm cruzado com nenhuma das nossas bandas, portanto tem corrido bem. 


M.I. Que pensas da evolução do underground desde que formaste os Paradise Lost?

Como tudo hoje em dia, a música tem a ver com marketing. A cena underground que eu conheci tinha fãs a apoiar bandas por puro gosto. Penso que é mais difícil para as boas bandas conseguirem algo nos dias que correm, já que às vezes as que não valem nada têm mais sorte por causa de conhecimentos e afins. 


M.I. – Como estão as tuas cordas vocais após tantos anos de cantos e grunhidos? Como tratas delas?

Muitas horas de descanso, evitar clubes nocturnos e concertos. Após os concertos costumo festejar visualizando um filme no autocarro. 


M.I. – A banda costuma envolver-se em recolha de fundos para obras de caridade. Recentemente o Aaron envolveu-se em caridade para crianças. Porque vos envolveis em acções deste género?

Eu já me envolvi várias vezes ao longo dos anos, é excelente fazer algo assim porque é um desafio e se for possível juntar dinheiro para ajudar alguém que necessite, é uma situação vantajosa para todos os envolvidos.


M.I. – Deixa uma mensagem para os fãs portugueses e leitores da Metal Imperium.

Muito obrigado pelo apoio. Espero tocar com os Paradise Lost em 2015 ou 2016, mas iremos aí com certeza! Obrigado!

Entrevista realizada por Sónia Fonseca


Cinco anos bastaram para Chelsea Wolfe passar de uma completa desconhecida a uma das mais relevantes cantoras da nossa época. Com cinco álbuns lançados nesse espaço de tempo, um dos traços mais marcantes da sua discografia é a impossibilidade de a confinar a um só género, passando pelo folk, o synthpop, ou até as influências de black metal que marcam as suas faixas mais sombrias. "Abyss", álbum lançado este mês, mostra uma Chelsea seduzida pela distorção e lentidão do doom, mas sem se afastar da sensibilidade que lhe é característica. Falámos com ela a propósito do seu mais recente lançamento.

M.I. - Desculpa começar logo pela questão mais pesada, mas um tema recorrente nas tuas letras é uma espécie de desapontamento ao não conseguir amar, ou até mesmo viver, de forma intensa. Ainda assim, não assumes uma postura niilista. Consideras-te uma optimista?

Diria que sou uma idealista. A minha música está alicerçada no lado negro da realidade, mas tento sempre injectar alguma esperança ou luz nela. Às vezes dou a uma história sombria um novo final, um final feliz. É o meu modo de confrontar estas coisas, mas também de lhes escapar. Posso ser uma pessoa bastante hedonista, mas contenho-me e afasto-me das coisas que sei que me destruiriam, porque quero continuar a trabalhar.

M.I. - Essa perspetiva é responsável pelo teu interesse em momentos de "suspensão da consciência"? A morte, a apatia e o torpor são tópicos comuns ao longo da tua discografia.

Claro que sim. Gostava que o sono fosse um descanso das ansiedades do quotidiano, mas por norma não é assim para mim. As raras ocasiões nas quais tenho um sonho agradável ou uma boa noite de sono são eufóricas.


M.I. - Nas semanas que conduziram ao lançamento de "Abyss" mencionaste que a forma como vivencias o sono foi uma grande influência no álbum. Falas num sentido geral ou tens sonhos ou pesadelos que te levam a escrever músicas?

Não é verdadeiramente um impacto directo - não anoto os meus sonhos nem os tento interpretar. Mas ter tantos problemas com o meu sono, e durante tanto tempo... os efeitos acabam por se reflectir na minha vida e na minha obra. Estive sempre numa luta com o reino dos sonhos. Em certos momentos da vida tive até dificuldade em distinguir entre os sonhos e o real.


M.I. - A escrita do álbum teve algum efeito nesse aspecto da tua vida?

Bem, para escrever o álbum decidi sair de Los Angeles e ir para um local sossegado nas montanhas. Tenho mais espaço aqui e estou rodeada de árvores e colinas verdes por isso é inspirador e pacífico, o que me faz dormir muito melhor. A zona de LA onde eu vivia era barulhenta, movimentada e frenética. Os meus problemas com o sono eram infernais aí mas, quando me afastei, melhoraram um pouco.


M.I. - Um desses problemas, pelo que já disseste no passado, é a paralisia do sono. Era algo que te fazia entrar em pânico ou conseguias perceber o que se estava a passar? Algumas pessoas dizem que quando acordam e não se conseguem mover, sentem estar a ser observadas.

Na forma como eu a experiencio, a paralisia do sono faz-me acordar, o meu corpo acorda e os meus olhos estão abertos, mas as figuras dos meus sonhos continuam no meu quarto, sob a forma de sombras que habitualmente se movem em direcção a mim. É assustador, mas agora costumo conseguir sair desse estado bastante depressa.

M.I. - No "Pain Is Beauty" estava patente o desejo de incluíres mais elementos electrónicos na tua música. Ao nível sonoro, havia algum objectivo em "Abyss"?

Temos feito imensas tours nos últimos anos, com imensas bandas óptimas. Quis incluir algumas músicas pesadas neste álbum que resultassem bem ao vivo. Muitas guitarras. Quis também que estivesse presente uma certa crueza nas dinâmicas dos agudos e graves, altos e baixos, aproximações e afastamentos da consciência. Desejei mais momentos de vulnerabilidade do que de perfeição.


M.I. - Depois de esboçares uma música, custa-te envolver outras pessoas, sejam os membros da tua banda ou um produtor?

Quando comecei, era-me praticamente impossível tocar uma música em frente a outra pessoa, ou escrever com alguém. Tornar-me apta a fazer isso foi uma longa experiência de aprendizagem, com o apoio de excelentes pessoas que serviram enquanto mentores. O meu amigo Ruben Reveles teve um enorme impacto em mim. Ele viaja imenso e um dia convidou-me a ir com ele a uma cidade fantasma chamada Locke e disse-me para levar a minha guitarra. Passeámos um bocado e fomos parar a uma planície vasta, ao lado de um pomar. Ele tinha um gravador de quatro pistas e encorajou-me a tocar. Foi lá que escrevi a "Flatlands". Depois disso escrevemos algumas músicas juntos e ele ajudou-me a desenvolver a "Widow" para o "The Grime and the Glow". Também aprendi muito quando comecei a tocar numa banda, antes de continuar a trabalhar no material a solo, e eventualmente comecei a tocá-lo com outras pessoas. Quando o Ben Chisholm se juntou à banda, descobrimos que éramos capazes de escrever muito bem juntos e com o tempo ele tornou-se uma parte enorme de escrever e produzir este projecto.


M.I. - Começaste a escrever letras quando eras criança e desde então nunca paraste. Sentes que aquelas que escreves em casa e em tour são muito diferentes?

Estou sempre a escrever coisas aqui e ali, e também escrevo muitos esboços de letras quando estou em tour. Quando estou em casa, junto-as a novas ideias e começam a ganhar uma forma definida. Uma música como a "After the Fall" combina o sentimento de estar presa dentro de um sonho com o de estar presa dentro de um avião, regressando aos Estados Unidos após uma tour europeia, com o sol a acompanhar o avião ao longo de toda a viagem. 


M.I. - A determinação em não ficares presa a um só género e variares bastante de música para música pode ser encarada como uma afirmação de confiança. Sentes-te mais livre enquanto artista do que eras no passado? Algumas das tuas músicas mais antigas eram bastante pessoais e, tendo em conta que não gostavas de tocar em frente a outras pessoas, devia ser difícil nessa altura subires a um palco.

Sinto-me mais livre, realmente, porque quando estava a escrever o "Pain Is Beauty" fiz a escolha consciente de não impor restrições a este projeto e comecei a experimentar com mais eletrónica e mais sons. Enquanto banda, divertimo-nos a tocar as músicas, e pareceu-nos que as pessoas aceitaram as alternâncias entre a música mais folk e acústica e os sons mais pesados, por isso tenho a sorte de ter tido esse apoio. Inicialmente, a minha música era muito pessoal - demasiado pessoal - e por isso comecei a escrever sobre outros temas. O "Abyss" é um álbum muito interno e, sob essa perspectiva, é mais íntimo do que os outros, mas ainda assim canto sobre as histórias de outras pessoas. Os momentos mais pessoais estão escondidos em meia dúzia de linhas ao longo do álbum. Um verso como “I go to him in paths of dreams” é sobre pensar em alguém quando estás a adormecer, na esperança de sonhares com essa pessoa. 


M.I. - Fazeres o "Lone" [filme de Mark Pellington lançado em 2014] teve algum impacto na tua música? A estética pode ser descrita como surrealista e onírica e, nesse aspecto, parece semelhante ao "Abyss".

Aprendi muito ao fazer esse filme, e é possível que explorar tanto os sonhos e as memórias tenha inspirado um pouco do "Abyss", mas são diferentes sentimentos, abordagens completamente diferentes.


M.I. - Outra arte que parece ter afectado a tua carreira é a fotografia. Tens feito sessões fotográficas bastante glamorosas, o que parece incomum para alguém com dificuldade em expor-se.

Comecei a fazer sessões fotográficas com amigos, só por diversão, e às vezes ainda as faço assim, mas outras vezes levo-as mais a sério e tento criar personagens ou algum tipo de extensão da minha música através de imagens ou da moda. E identifico-me muito com alguns designers de moda, e gosto de sentir que certas roupas são como uma armadura que ajuda a enfrentar o mundo.


Entrevista realizada por Daniel Sampaio


Já lá vão os dias em que a novidade era acompanhada de imaturidade, pelo menos, esta é uma tendência que se acentua nas bandas mais recentes. No caso dos Nacionais Vaee Solis, tudo o que constitui este trabalho de apresentação é simplesmente tocante, ao ponto de nos iludir com uma falsa mensagem de desnorte. Aqui, os caminhos foram bem trilhados pelo que a pretensa simplicidade que nos atinge é resultado de um lote de experiências emocionais envelhecidas em pipas de carvalho enraivecido e debitadas numa cadência tortuosa e q.b. maquiavélica.

“Saturn’s Storm” inicia esta incursão com um poder descomunal, onde as notas são o prelúdio desta mesma tempestade anunciada, a sua marcha lenta é uma mera ilusão à turbulência e consequente poder destrutivo que vai demonstrando. “Adversarial Light” segue-se e o ritmo imposto continua a consolidar a visão da chegada desta intempérie perfeita, o refrão, aqui, esmaga-nos com a sua crueza frágil. “Enoia” já não deixa dúvidas, estamos a ser intensamente fustigados por esta baixa pressão, sem apelo nem agravo. “Feral Isolation” consume-nos com a sua brutalidade despida de tabus, mais uma vez esta nudez é elevada a um estado de pura fúria, onde somos confrontados com o lado mais primitivo da banda. Por esta altura já estamos triturados, trucidados e somos facilmente engolidos ao som de “Libra”, é inevitável, tanto como incontornável aparenta ser o nosso destino. Mas como em qualquer temporal podemos ser cuspidos da tormenta e é precisamente isso que acontece com “Cosmocrat”, porém o que aqui é lançado nada tem a ver com uma eventual bonança esperançosa, antes pelo contrário, o registo mantém-se e o que é projectado são apenas os restos moribundos desta infernal passagem pelo reino dos vivos.

Em jeito de conclusão, os Vaee Solis conseguem, com este disco, uma sublime estreia e criam uma oportunidade única para intensamente se saborear a dor da forma mais viciante. Como tal, atrevam-se e não os deixem passar sem que vos toquem!

Nota: 8,2/10

Review elaborada por Pedro Pedra


O lendário vocalista Joe Lynn Turner (Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen) é a estrela do documentário norueguês "Street Of Dreams", lançado internacionalmente no passado dia 20 de Agosto.

"Street Of Dreams" conta a história de Jan Erling Holberg, um baixista e compositor de uma pequena cidade na Noruega. Com 47 anos, uma família e um emprego estável, Jan não esquece o seu sonho de infância de se tornar um músico profissional. Após uma crise de meia-idade percebe que é a altura de fazer uma última tentativa para alcançar esse objectivo. É deste modo que entra em contacto com o seu ídolo de longa data, Joe Lynn Turner. Impressionado pelas demos de Jan, Joe Lynn vai até à Noruega para gravar um álbum e participar numa digressão com Jan.

O documentário foi gravado entre Janeiro de 2011 e Agosto de 2012 e foi inicialmente apenas exibido pelo canal televisivo norueguês NRK e em festivais específicos. Está agora disponível para download ou aluguer através do site Musicfilmweb.tv

Pode ser visto abaixo o trailer de "Street Of Dreams". 

 

Por: Mariana Crespo - 22 Agosto 15


À medida que nos vamos aproximando da data de lançamento do seu novo álbum de estúdio, "Eternal", no dia 11 de Setembro, os Stratovarius disponibilizam agora um mini-documentário onde retratam como foi a sua vida nas gravações deste mesmo álbum, o making-off no estúdio em conjunto com entrevistas com os membros da banda finlandesa.

Abaixo pode ser visto o mini-documentário.



Por: Carlos Ribeiro - 22 Agosto 15



Os Amorphis vão lançar o seu novo álbum, "Under The Red Cloud", no próximo dia 4 de Setembro, através da Nuclear Blast. Os finlandeses acabam de lançar um vídeo para um dos seus novos temas, "Sacrifice", que pode ser visualizado acima. Anteriormente foi dado a conhecer um outro tema deste lançamento, "Death Of A King", que pode ser recordado aqui.

Track list de "Under The Red Cloud":

01. Under The Red Cloud
02. The Four Wise Ones
03. Bad Blood
04. The Skull
05. Death Of A King
06. Sacrifice
07. Dark Path
08. Enemy At The Gates
09. Tree Of Ages
10. White Night

Bonus tracks (digipak & 2LP):

11. Come The Spring
12. Winter’s Sleep


Por: Sara Delgado - 22 Agosto 15


 Com um álbum prestes a estrear, os Kylesa disponibilizam nova música em streaming. “Exhausting Fire” será lançado a 2 de Outubro através da Season Of Mist e “Shaping The Southern Sky” faz parte deste álbum.

Phil Cope, guitarrista/vocalista, fala sobre o novo trabalho: “‘Exhausting Fire’ é um álbum em que colocamos o nosso coração. Nós sempre fizemos isso, mas, emocionalmente, é provavelmente o álbum mais honesto e cru que já fizemos.”

Laura Pleasants, guitarrista/vocalista, acrescenta: “Nenhuma banda soa como nós e nós não soamos como outra banda. Depois de todos estes anos a experimentar diferentes estilos e sons, nós desenvolvemos a nossa própria coisa e eu posso fielmente dizer que soa como nós. Com este álbum, nós fizemos com sucesso um registo que incorpora todos os elementos com que sempre tocamos num registo que funciona por conta própria. ”

“Shaping The Southerm Sky” pode ser ouvida aqui.

Por: Ana Costa - 22 Agosto 15