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Enshine é um projecto de death metal melódico composto por dois músicos, um francês (Sebastien Pierre na voz, dos Cold Insight e Fractal Gates) e um sueco (Jari Lindholm dos Exgenesis). Falar em death metal melódico nos tempos que correm é o ponto de partida para se ficar com suspeitas de que se tem alguma proposta modernaça igual a outras todas. Felizmente não é o que encontramos aqui. "Singularity" é o segundo álbum deste projecto que nos apresenta uma proposta bastante viciante. A melodia que encontramos este trabalho não vem de duelos de guitarra com base nas harmonias nem de refrões bonitinhos com voz limpa, embora a voz limpa faça a sua aparição em temas como “Adrift”. Longe disso.

Mesmo.

A melodia aqui contida vem de um sentido de atmosfera que faz com que o ouvinte levite enquanto viaja durante quase uma hora por estas nove faixas. Chamar isto de ambient metal será forçado, ridículo, preguiçoso e falta de imaginação além de não corresponder totalmente à verdade, mesmo fazendo todo o sentido. As ambiências que encontramos aqui são as mesmas que podemos encontrar em propostas mais voltadas para doom tais como os October Tide ou Katatonia, duas bandas que acabam por estar algo ligadas. Seja o que for o que se tem aqui, é algo que é viciante de tão bom que é.

Desde a abertura épica com "Dual Existence" até ao final com "Apex" esta é uma viagem que se quer repetir vezes sem conta. Com uma produção límpida e poderosa mas mesmo assim a soar orgânica o suficiente para não parecer estéril - igual a tanta coisa que anda por aí - e com uma capacidade para fazerem verdadeiras músicas, que crescem dentro do ouvinte não só a cada a audição mas na própria audição, enquanto a mesma decorre. Poderia acabar com uma frase dramática e sempre discutível como “o melhor trabalho de death metal melódico de 2015”, mas será mais sensato apenas afirmar que se trata de um caminho para um género que parece estar num beco sem saída. Quando a criatividade e o génio existe, nunca há becos sem saída que não se consigam evitar ou ultrapassar.


Nota: 9.5/10

Review por Fernando Ferreira