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Como é que uma banda passa de heavy metal tradicional a um death/black melódico? Não, a sério, estamos a perguntar. NBão se trata de uma pergunta de retórica. Talvez a distância de dez anos entre o álbum de estreia e este "Black Heart" possa ser uma explicação, afinal dez anos é realmente muito tempo. No entanto, mais que saber como é que a metamorfose foi feita, interessa saber se a música tem valor e a primeira impressão é que sim. Sem querer ou conseguir reinventar a roda, a sonoridade tem bastantes elementos tradicionais que conseguirá até cativar os fãs da sua primeira fase.

A fórmula é bastante simples e faz-nos pensar naquela que seria a união entre os Rotting Christ e os Children Of Bodom, sem ter o brilho técnico e a arte de escrever músicas imortais de ambos. A banda brasileira consegue transmitir a agressividade própria da música extrema mas tendo quase sempre uma base tradicional de heavy/thrash e por vezes até ligeiramente power metal que faz com que temas como "Voice Of Darkness", "Black Heart" e "Vultures Of War" se destaquem do resto, embora não se possa dizer também de que se trata de um álbum desequilibrado.

No entanto, a impressão geral depois de algumas audições é que se chega ao final quase indiferente. "Black Heart" prende o ouvinte mas essa captura da atenão não consegue fazer com que perdure durante muito tempo. A mistura entre heavy e black metal não é nova e apesar de ser bem conseguida, não impressiona já que este tipo de fórmula já estamos carecas de ouvir (ainda antes dos Doomsday Ceremony lançarem o primeiro álbum): um bom álbum para o underground e um regresso interessante após dez anos de ausência mas para subir mais uns degraus na difícil escada para fora do underground, precisam de fazer muito mais.


Nota: 6.3/10

Review por Fernando Ferreira