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O tema de abertura deste novo álbum dos The Lions’ Daughter, tema-título, ao iniciar as hostilidades com um som de sintetizador, relembra “Trouble with being born” dos The Great Tyrant (banda que precedeu os Pinkish Black).

A agressividade e desconforto deixado pela voz e a atmosfera opressiva de sonos electrónicos mantém-se no tema seguinte “Call the Midnight Animal”, o que deixa o ouvinte encostado à parede. A introdução de baixo neste tema de Scott Fogelbach representa, inclusive, uma sonoridade limpa que destoa da restante atmosfera.

“Die Into Us” apresenta um diferente tipo de opressividade sonora com o som de sintetizadores a formar uma sequência de notas que me inspira a sensação de estar preso num turbilhão, onde a voz de Rick Giordano apenas serve para tornar a situação mais desconfortável. Na sua segunda parte, o tema parece abrir para uma nova paisagem mais livre. 

Com efeito, a sonoridade de “Future Cult” como um todo é em si desconfortável mas, dada a temática lírica que percorre os temas do mesmo, parece ser essa a intenção deste conjunto. Com efeito, este facto torna-se mais evidente ao se consultar os títulos dos dois primeiros álbuns, “Shame On Us All” e “Existence is Horror”.

“Suicide Market” começa de forma mais aberta com voz-off a soar como um anúncio, o que o torna num dos temas mais relaxados do disco, mas sem fugir à temática do mesmo, com o som de sintetizadores omnipresente e um baixo urgente, como uma bomba relógio em contagem decrescente para um solo de guitarra cortante. “The Gown” demonstra uma sonoridade mais clássica com sons a reverter para o rock dos anos 70, relembrando os contemporâneos Zombi (em “Spirit Animal”).

Esta sonoridade mantém-se nos temas seguinte, o que torna “Future Cult” num álbum de metal misturado com noise, que consegue ser interessante, mas pouco surpreendente dada a repetida utilização de motivos harmónicos e instrumentação. O instrumental “Girl Autopsy”, por sua vez, parece invocar Deafheaven nas ambiências de guitarra com delay e tremolo picking. O disco ao terminar com “In the Flesh” parece retomar a estrutura da maioria dos temas que o precederam, como um breakdown a lembrar Gojira em “Magma”.

Apesar dos aspectos repetitivos a nível de estrutura dos seus temas, a curta duração de “Future Cult” e a forma como foram distribuídos os momentos de tensão e libertação dentro dos próprios temas, faz com que o ouvinte se sinta tentado a ouvir de novo, pois existem bons pormenores ao nível de execução instrumental a serem descobertos (“Galaxy Ripper” é um bom exemplo disto). Desta forma, os The Lions’ Daughter parecem estar ao leme de um barco perdido no meio de um tufão, mas com a perfeita noção de como o devem navegar.

Nota: 7/10

Review por Raúl Avelar