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Reportagem: Riot City, Seven Sisters e Dolmen Gate @ R.C.A. Club, Lisboa – 15.05.2023


Este era o evento em que os verdadeiros apreciadores de heavy metal -daquele de cariz mais clássico- queriam participar. Na verdade, fizeram-no até em bom número. Tendo em conta que estávamos numa segunda-feira, o R.C.A. registou uma boa casa. Falando dos verdadeiros motivos que levaram a que tal acontecesse, eles passaram por duas estreias absolutas no nosso país, a dos canadianos Riot City, a dos britânicos Seven Sisters e porque não dizê-lo, dos nacionais Dolmen Gate.

Foram mesmo estes últimos a darem o pontapé de saída ao evento e o número de pessoas que fizeram questão de assistir ao seu concerto foi assinalável. Os Dolmen Gate tocam um heavy metal épico, que parece estar a pedir uma voz masculina, mas, quem está à frente das vocais é a Ana, com muito mérito. Nem parece que estamos a falar do segundo concerto desta banda, que tem elementos jovens, como a dupla de guitarristas e a própria Ana, mas também músicos experientes, caso do baterista e do baixista. O melhor elogio que se pode fazer a esta jovem banda é dizer que o tempo passou a voar durante a sua atuação, até o tema “Betrayal”, anunciado como sendo longo, pareceu demasiado curto. Ficámos ansiosos por voltar a assistir a um concerto deste quinteto.

Faltava pouco para as 21h00 quando os Seven Sisters iniciaram a sua atuação. A tournée Tyrants of the Stars tem percorrido a europa e havia finalmente chegado a vez de Portugal. O concerto dos ingleses pareceu focar-se mais nos dois primeiros trabalhos do que no seu mais recente álbum, Shadow of a Fallen Star pt.1. e temas como “Once and Future King”, Commanded by Fear” e “the Cauldron and the Cross” foram apenas algumas das descargas de puro heavy metal a que tivemos direito nesta noite. O quarteto inglês parecia genuinamente contente por estar a tocar pela primeira vez no nosso país e até surpreendido com a adesão do público. Para despedida tocaram o mais recente single, “the Artifice”, e prometeram um regresso para breve.

Algumas bandas têm vindo a adotar o hábito de deixar correr uma música com que se identificam antes da sua entrada em palco. Os Iron Maiden fazem-no com “Doctor Doctor” dos UFO, os Riot City com “Rock n´Roll Party in the Streets”, original dos Axe. O resultado, que passa por captar a atenção da audiência e prepará-los para uma entrada enérgica da banda em palco foi conseguido. Aos primeiros acordes de “The Hunter” o público estava eufórico. Com apenas dois álbuns lançados, todos sabiam o que esperar desta atuação da banda canadiana. A surpresa talvez resida na capacidade vocal de Jordan Jacobs ao vivo. Uau…ao nível de um Ralf Scheepers, por exemplo. Apesar da sua baixa estatura, este senhor é dono de uma voz impressionante e a música dos Riot City vive muito dela.
O público ia ajudando a cantar os temas, ou pelo menos parte deles. “Burn the Night” foi uma das malhas da noite, apenas interrompida para um solo de bateria de Jake Gracie que parecia ter energia suficiente para dar e vender. Os Riot City também estavam deveras satisfeitos pela sua estreia no nosso país e revelaram-no com orgulho. Para além disso, foi também deixada a promessa de um regresso. “Eye of the Jaguar” e “In the Dark” pareciam ser as últimas músicas para esta noite, mas o R.C.A. queria mais. O regresso ao palco parecia obrigatório e ele concretizou-se. Para o encore a banda guardou “Lucky Diamond” e ainda um tema que se revelou uma enorme surpresa. Refiro-me a “See You in Hell”, original de Grim Reaper que proporcionou um final de concerto memorável, com todo o público a cantar.

Três horas de música com três bandas que fizeram um verdadeiro tributo ao heavy metal. Baterias fortes, grandes vocalistas, guitarras que pareciam estar sempre ao despique umas com as outras, todos eles deram corpo aos fantásticos temas interpretados nesta noite.


Texto por António Rodrigues
Fotografia por Paulo Jorge Tavares
Agradecimentos: Metals Alliance