Bård Torstensen, guitarrista, produtor musical e membro de longa data da banda de rap metal Clawfinger, conversou com a Metal Imperium e discutiu sobre o processo do novo álbum, chamado “Before We All Die”, lançado pela Perception Label - uma divisão da Reigning Phoenix Music, no dia 20 de fevereiro. Aqui, o guitarrista fala sobre como é lançar um álbum 19 anos depois do anterior, riffs de guitarra, passado e presente, raiva e muito mais. Uma conversa muito interessante!
M.I. - Olá, Bård. É uma grande honra entrevistar o fundador, membro de longa data dos Clawfinger e pioneiro do Rap Metal. Como estás?
Estou com frio. Estão cinco graus negativos e está a nevar muito aqui, mas também gosto disto. Gosto de neve, então o meu estado atual é: “Estou a ficar velho!”. Não me importa. Está tudo bem. Temos uma banda. Temos um novo álbum. Estamos a gravar novas músicas, a lançar material, a tocar em festivais e andar em tournées. Por isso, não podia estar melhor. Estou ótimo!
M.I. - É ótimo ouvir isso. Passaram-se 19 anos desde o último álbum dos Clawfinger. Porquê esta altura para regressar?
Foram 19 anos sem um álbum, sabes? Após o álbum anterior, cerca de 2008/2009, as vendas caíram. Vendemos muitos álbuns e CDs. Isso era uma fonte de rendimento importante para manter a banda a funcionar. É como ficar imóvel! Temos dois pés para nos mantermos de pé. Basta ficarmos só com um. Só ficaram as tournées. Decidimos assim, pois se quiséssemos andar em tournées e fazer disto vida, teríamos de andar sempre em tournées e não era isso que queríamos. Estamos a ficar velhos. “Vamos fazer algo semiprofissional!”. Decidimos procurar trabalho e dar os melhores concertos que pudéssemos. Durante esse processo, deixamos de nos encontrar e de compor músicas. De certa forma, foi algo bastante natural para não compormos nada. Com o passar dos anos foi: “Temos de lançar uma música nova! Quero compor novas músicas!”. Ficas emocionado com o retorno. Durante um tempo, foi: “Ok! Temos cinco músicas novas!”. Há dois ou três anos: “Vamos criar um álbum novo! Vamos escrever mais algumas músicas e tentar produzir um novo álbum!”. O nosso empresário disse: “Sim! Vamos criar um novo álbum antes de morrermos!”. E foi do tipo: “Sim! Já temos o título: “Before We Wall Die”! É por essa razão que o álbum possui esse nome! Estamos todos em diferentes países: o teclista, que produz e mistura, está no norte da Suécia. Zack, o cantor, está em Estocolmo. Começámos a trocar ficheiros incessantemente. Criámos o álbum. Foi um processo diferente, mas foi muito interessante ver como é possível ficarmos tão próximos, mesmo estando tão longe. Acabamos por conseguir!
M.I. - Durante estes 19 anos, como mudou a tua relação com a música?
A minha relação não mudou! Continua tudo igual como quando eu era criança, com 17 anos, e coloquei na minha cabeça e no meu coração que queria ser guitarrista numa banda de Rock. A partir daí, passei a ter exatamente o mesmo foco! Queria ganhar a vida com música, porque adorava e ainda adoro. Adoro todo o processo de estar numa banda: gosto da produção, gosto de aprender instrumentos novos, aprender tudo, as coisas técnicas que surgem, equipamento! Gosto de estar presente, cantar coisas novas, ver como tudo se encaixa! Ver o que a editora discográfica faz, como é a promoção. Tenho muito interesse, mesmo não sendo muito bom nessas coisas, mas é mais porque tenho curiosidade. Quero ver como é.
M.I. - Como foi a tua abordagem na composição das guitarras para o “Before We All Die” comparativamente com os álbuns anteriores dos Clawfinger?
Exatamente da mesma maneira! Sentas-te com uma batida, tocas durante horas e gravas e depois deixas isso de lado. Quando pego nisso novamente, talvez uma semana depois, ouço o que fiz, porque quando estás a trabalhar no momento, não consegues perceber se é bom ou ruim, mas se te afastas e voltas, de repente tornas-te um ouvinte. Então, podes ouvir o que fizeste. É como se eu próprio fosse um estranho, de certa forma! Era assim que eu fazia sempre: gravava as coisas, tomava um café, ia dormir, voltava, ouvia e dizia: «Isto está bom! Isto está mau!». Depois disso, é possível pegar nessa parte e combiná-la com outra e, assim, criar músicas.
M.I. - Há riffs neste álbum que são especialmente pessoais para ti?
Sim! Acho que é o riff scum. Acho que é muito Clawfinger, porque é uma guitarra slide muito divertida. Não há muitas bandas de Hard Rock que usem guitarra slide nos riffs. Acho que posso dizer que o riff scum é muito típico e aquele de que me orgulho.
M.I. - Vês este álbum como uma continuação do vosso trabalho anterior ou como um novo começo?
Ambos! Ambos, porque fazemos as coisas da mesma forma que fazíamos antes. Mas, ao mesmo tempo, é como se não acreditássemos realmente que seríamos capazes de lançar um novo álbum. Então, agora é como se tivéssemos conseguido de repente! Fazer um novo álbum é: “Uau! Conseguimos! Não sabíamos que íamos fazer isso!”. Então, de certa forma, é a mesma coisa que sempre fizemos e, ao mesmo tempo, é um novo começo, porque são 19 anos que definitivamente fazem a diferença.
M.I. - Depois de um hiato tão longo, como foi a química dentro da banda no estúdio?
Como te disse, o estúdio fica em países diferentes. Estávamos sentados, uma pessoa aqui, outra ali e uma terceira pessoa. Nós não nos encontramos no estúdio, mas acho que a reunião no estúdio foi como eu e o Jocke a conversar agora. Aquilo era o estúdio!
M.I. - A música dos Clawfinger sempre teve uma forte carga emocional. Como é que canalizas isso através da guitarra, em vez de palavras?
É algo que fazes por instinto, percebes? É como se fizesses algo e sentisses que está certo. Não penso muito. É mais como se isso fosse adequado para aquela parte. Não consigo explicar com palavras! É algo que se sente! Isto está certo e isto não! É difícil expressar em palavras, mas é mais do tipo: “Ok! Decido usar isto e deitar aquilo fora!”. É assim que as coisas são!
M.I. - Achas que a raiva ainda é um combustível necessário para o Heavy Metal nos dias de hoje?
Sim! A raiva está ligada aos nossos sentidos! Está ligada à política e a política é muito importante para ser expressa através da música dos Clawfinger! Esse tipo de música sempre foi a nossa marca! Usamos a nossa raiva em relação aos problemas do mundo e expressamos isso! Não é como se fossemos salvar o mundo, mas pelo menos podemos gritar sobre o que está errado e sei que muitas pessoas à minha volta ficam muito felizes com isso! É do género: “Oh! É tão bom quando coloco essa música! Posso gritar com toda a minha raiva!”.
M.I. - “Before We All Die” transmite uma sensação de urgência e confronto. Essa urgência influenciou a forma como tocavas ou compunhas?
Sim! Sim! É isso que posso dizer! É sempre quando vemos as coisas à nossa volta e o que está a acontecer no Mundo. Para dar um exemplo: “Precisamos de ter uma canção sobre a guerra neste álbum, sobre a Ucrânia e Gaza!”. E escrevemos uma canção sobre isso! Era importante expressar as nossas opiniões sobre estas guerras!
M.I. - Vês este álbum como uma forma de protesto, terapia ou ambos?
Exatamente! Terapia de protesto é uma expressão nova, mas o terceiro fator é que nós realmente adoramos fazer música e adoramos fazer música exatamente dessa maneira! Usar a força da raiva e protestar! Portanto, raiva, protesto, política e a música dos Clawfinger estão muito conectados!
M.I. - O que esperas que os fãs notem primeiro quando ouvirem a tua guitarra neste álbum e como achas que os fãs de longa data vão reagir a este disco?
Não faço ideia! Já recebemos algumas críticas e são muito boas, mas os meus amigos ainda não ouviram. Por isso, é sempre emocionante ver o que os amigos dizem. É o que é! Demos o nosso melhor! Espero que seja bom o suficiente para as pessoas e o que eu realmente quero é que as pessoas adorem a música.
M.I. - Criar o “Before We All Die” mudou a forma como vês o futuro dos Clawfinger?
Talvez! Talvez, porque eu não achava que seríamos capazes de criar um álbum. Mas agora parece que o podemos fazer! Talvez façamos outro! Não sei! Então, sim! Isso mudou a forma como vejo o futuro da banda!
M.I. - Se este fosse o último álbum da banda, sentir-te-ias criativamente realizado?
Sim! Neste momento, sinto-me realizado, mas e daqui para a frente? Talvez esteja a começar tudo de novo! A acender-se a chama novamente. Talvez daqui a um ano seja do tipo: “Não quero mais fazer isto!”. Não sei! Mas é sempre assim depois de lançar um álbum ou pouco antes: “Isto é bom!”. Cheguei até aqui e sinto-me realmente realizado, mas conheço-me bem. Daqui a um ou dois anos pode ser: “Vamos fazer mais alguma coisa!” (risos).
M.I. - Qual é a importância dos riffs na propagação da mensagem das músicas, juntamente com os vocais do Zak?
É isso que fazemos! De certa forma, tem sido a marca registada da banda e é assim que funciona! Eu e o Zak conhecemo-nos em 1990. Criámos um riff com Rap e começámos a partir daí! De certa forma, essa é a base da banda. Então, sim, ambos são muito importantes!
M.I. - Que surpresas os fãs podem esperar desta digressão e que países vão visitar?
A primeira parte da tournée será principalmente na Europa Central, depois disso, não sabemos! Talvez vamos a Portugal, não sei, mas não está na lista agora, porque primeiro temos o mercado prioritário. Depois, vamos ver como corre, se há margem para fazer mais alguma coisa. Depois, talvez possamos expandir um pouco mais: Espanha, Portugal. Mas nada está decidido!
M.I. - Existe algum guitarrista — do passado ou do presente — que admiras mais pela sua atitude do que pela sua habilidade técnica?
Quando comecei a tocar guitarra, era o Angus Young! Eu conseguia aprender, porque ele tocava de forma bastante simples: eu conseguia descobrir, a ouvir o álbum e a perceber o que ele fazia! Quando tinha dezasseis anos, ouvia muito Angus Young, Toni Iommi e Ritchie Blackmore. Esses três foram os primeiros guitarristas que tentei copiar até começar a fazer a minha própria música. E depois disso, foi o Eddie Van Halen. Ele era totalmente incrível e eu adorava o seu estilo! Comecei a ouvir muito Jazz e Jazz Fusion. Comecei a gostar muito da Sarah McLachlan! Gosto da forma como o Jerry Cantrell toca nos Alice in Chains! Há tantos guitarristas bons nos dias de hoje. Vejo o YouTube e penso: “Caramba! Este miúdo tem seis anos e toca muito melhor do que eu!” (risos).
M.I. - Mais uma vez, obrigada por esta grande oportunidade. Algumas palavras finais para os fãs portugueses, que esperaram tão pacientemente por este álbum?
Sinto-me muito honrado pelas pessoas ainda gostarem do que fazemos! Espero sinceramente que gostem! Se não gostarem, basta dizerem-nos, mas se gostarem, fico muito feliz! Também me sinto realizado se disserem que não gostam! Não há problema! Vamos continuar a fazer o que fazemos, enquanto acharmos que está correto! Mas obrigado, fãs portugueses! Vocês sempre foram muito, muito bons para nós nas vezes que estivemos em Portugal e espero sinceramente que possamos tocar aí com o novo álbum, talvez em 2027.












