Vindos de Gotemburgo, os Åskväder estão de regresso com “Wax”, um novo álbum que abre um capítulo diferente na história da banda. Com Saga Flygare Täll a assumir os vocais e a guitarra, o quarteto explora novas nuances sem perder a energia do hard rock que o caracteriza. Falámos com a banda sobre a nova formação, o processo criativo, as influências por detrás de “Wax” e os planos para o futuro.
M.I. – “Wax” marca um novo capítulo para os Åskväder, particularmente com a entrada de Saga Flygare Täll na banda, nos vocais e na guitarra. Como surgiu esta nova formação e de que forma mudou a dinâmica da banda?
Os elementos dos Åskväder estavam à procura de uma nova vocalista para a gravação do novo álbum. Já me conheciam, pois conheço o antigo vocalista deles, Albin, e por isso contactaram-me para fazer alguns testes. Trabalhámos bem juntos desde o início! Em termos de dinâmica, suponho que os rapazes saberiam responder melhor, mas acho que a minha voz se adapta bem à música que estamos a escrever!
M.I. - Saga, entrar numa banda já estabelecida e assumir as funções de vocalista deve ter sido um grande desafio. O que sentiste que podias trazer aos Åskväder e como tem sido a experiência até agora?
Para ser honesta, não tinha 100% de certeza de como iria correr, pois não conhecia nenhum dos elementos da banda anteriormente. Mas andava à procura de uma nova banda, tendo regressado recentemente a Gotemburgo, depois de viver em Estocolmo, e decidi experimentar. O resultado parece fantástico agora que gravámos um álbum e ainda melhor a cada concerto que damos.
M.I. - Comparando com os vossos lançamentos anteriores, qual pensas ser a maior diferença nos Åskväder que ouvimos em “Wax”?
Estamos cada vez mais próximos daquilo que somos, penso eu. Mais avançados e, ao mesmo tempo, mais simples. Permitindo que cada músico brilhe e dê o seu próprio contributo àquilo que fazemos. A maior diferença talvez seja o facto de parecer um pouco menos punk e mais soul, talvez?
M.I. - O novo álbum parece dar ainda mais destaque à melodia, mantendo ao mesmo tempo a vossa atitude característica de hard rock. Foi algo que procuraram conscientemente durante o processo de composição?
Não, na verdade não. É algo que foi crescendo organicamente ao longo do tempo. A entrada e saída de elementos na banda também levou a diferentes contributos, o que poderá ter influenciado o resultado global, mas não foi uma decisão consciente.
M.I. - Como funciona a composição dentro da atual formação? A chegada da Saga influenciou a forma como escrevem ou arranjam as músicas?
O início daquilo que virá a transformar-se em músicas surge sobretudo na cabeça do Martin (guitarrista) durante os seus longos duches. Ele traz essas ideias para a banda e aperfeiçoámo-las juntos até se tornarem algo mais acabado. A minha chegada mudou ligeiramente as coisas, pois eu e o Martin começamos agora normalmente as ideias juntos com a minha música, para ver o que resulta e permitir que a minha influência se faça sentir desde cedo. Isto poderá evoluir com o tempo, mas, por enquanto, é essencialmente isso.
M.I. – “Wax” move-se entre o hard rock clássico, o heavy metal e o rock n’ roll escandinavo. Que influências foram particularmente importantes para vocês durante a criação deste álbum?
Estivemos numa fase Beatles enquanto escrevíamos este disco, o que poderá ter influenciado o resultado final! Clássicos como Kiss, Hellacopters e ZZ Top, etc., estão sempre nos nossos ouvidos e nos nossos corações, por isso a base está lá, como de costume.
M.I. - Gotemburgo tem uma tradição de rock e metal muito forte. Acham que o legado musical da cidade influenciou o som ou a atitude dos Åskväder?
É possível, pois conhecemos tantos colegas talentosos e simpáticos no mundo da música! É certamente inspirador fazer parte de uma cena tão fantástica.
M.I. - Lançaram “Salt” e “Farewell” como antecipações de “Wax”. Por que escolheram estas músicas em particular para apresentar o álbum?
Lançámos “Farewell”, “Salt” e “Aim High”! E “On The Fence” será lançado em breve. Estas músicas pareceram-nos uma boa seleção para mostrar aquilo de que trata o álbum e foram também músicas pelas quais a nossa nova editora, a ICEA, tinha um carinho especial. É sempre difícil escolher as nossas favoritas, mas sentimos e esperamos que estes singles demonstrem aquilo que somos!
M.I. - A vossa música combina riffs pesados com melodias muito contagiantes. Quando escrevem uma nova música dos Åskväder, o que surge normalmente primeiro: o riff, a melodia, as letras ou outra coisa?
Depende! Normalmente começa com um riff de guitarra inspirado ou com uma melodia especial que nos surge na cabeça. As letras que se acrescentam são construídas a partir de temas que nos afetam no momento em que estamos a escrever, como perdas na família ou amigos que partem, por exemplo.
M.I. - Bandas como The Hellacopters, Dead Lord e Honeymoon Disease são frequentemente mencionadas em conjunto com os Åskväder. Veem-se como parte de uma nova geração de hard rock escandinavo ou preferem evitar esse tipo de rótulos?
É uma excelente companhia para sermos mencionados! Esperamos um dia ser tão bons e tão memoráveis como qualquer uma das bandas mencionadas acima e sentimos, sem dúvida, que voamos sob a bandeira do Rock Escandinavo. Com orgulho!
M.I. - Qual foi a importância da experiência ao vivo na composição de “Wax”? Já estavam a pensar em como estas músicas iriam soar e ser sentidas em palco?
Para algumas delas, foi certamente esse o caso! Normalmente, quando sentimos que escrevemos algumas músicas mais lentas e orientadas para a melodia, queremos incluir pelo menos alguns temas mais rápidos e explosivos. Na nossa opinião, uma atuação ao vivo precisa de ondas de temas rápidos, acompanhadas por breves períodos de descanso.
M.I. - Finalmente, o que podemos esperar dos Åskväder depois deste lançamento?
Depois do lançamento, temos alguns concertos locais marcados e, depois disso, pretendemos fazer uma digressão com o novo disco. Já estamos também a escrever música nova, o espetáculo tem de continuar!
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Entrevista por Sónia Fonseca












