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Hulder - “Verbolgen” Review

Este duo de black metal oriundo do estado de Washington nos EUA composto pela multi-instrumentista e vocalista Hulder e pelo baixista Necreon tem feito lançamentos consistentemente desde a sua criação entre 2018 desde demos a EPs’ e dois LP. Ora, Verbolgen é o seu terceiro lançamento em formato de longa-duração.

A introdução instrumental (“Drie Raven”) começa apenas com guitarra, percussão e o som de um fogo a crepitar. Depois entra a flauta da convidada Januaria, assim como o hurdy-gurdy de Keld, relembrando a sonoridade de bandas folk como Dahneim. Segue-se o primeiro tema propriamente dito, “The Crowning”, um tema black metal directo e tempestuoso com as guitarras e a voz de Hulder a soarem frias e cortantes no início, depois mudando a voz para um registo limpo, mas sempre com a bateria do convidado Vrolok a manter o ritmo e o peso opressivos.
Com “The Binding Oath” mantém-se a atmosfera agreste, mas subtilmente bela, com a flauta a acompanhar a voz com uma melodia que segue o que vai sendo tocado pela guitarra distorcida. As texturas de teclado e a alternância entre registos vocais ajudam a dar uma roupagem mais épica ao tema. O tema-título segue na mesma onda do anterior, mas com maior enfoque na voz ríspida de Hulder, e com um maior destaque para o hurdy-gurdy dando-lhe uma atmosfera medieval.
“In Blood and In Earth” começa com a guitarra acústica, antes de entrar a distorção e a bateria em força. A voz ríspida e fria segue-se e, após uns versos o som de um hurdy-gurdy cortesia do convidado Keld. Também o registo mais grave da voz de Hulder ajuda a destacar este tema dos precedentes, demonstrando o surpreendente alcance vocal da vocalista. “Den Nacht Zijn Lied” tem um brilhante solo de guitarra de Keld que ajuda a tornar o tema mais esperançoso, antes de ele mergulhar de novo na escuridão  
“View From Nemeton” conta com mais um solo de guitarra e com a voz também num registo mais típico do death metal (grave e agressivo como o de Ross Dolan dos Immolation ou David Vincent dos Morbid Angel). Mais uma vez, a voz limpa e clara de Hulder também surge na recta final do tema, demonstrando que uma pequena variação na forma como canta acaba por tornar os temas mais de Verbolgen mais interessantes.
As harmonias de teclado no início de “The Glow of Dawn” são cativantes, aproximando-se da forma como os Alcest os utilizam ao longo dos seus álbuns para criar um ambiente mais etéreo. Trata-se de um tema instrumental que fecha com chave de ouro este registo dos Hulder. 
Um dos aspectos negativos deste lançamento é a (quase) ausência do baixo na mistura, algo que não é incomum no black metal, mas que quando é bem conseguido, dá outra força aos temas (ouça-se as linhas de baixo de King Ov Hell em “Winterbane” de Abbath). Outro é a falta de dinâmicas entre as músicas, o que as torna quase indistintas umas das outras (um claro exemplo é a passagem de “Verbolgen” para “And We Shall Sing…”). Por outro lado, existem diversos aspectos positivos: ouso da flauta e de teclados que dão outra dimensão aos temas (por exemplo, “The Crowning”); a contribuição dos dois bateristas Vorlok (destaco a precisão e apontamentos nos pratos em “In Blood And In Earth” e a agressividade quase thrash em “Den Nacht Zijn Lied”) e Vapula (que brilha em “View From Nemeton”, mantendo a tensão e aliviando-a em momentos-chave), que tornam o disco mais agressivo e interessante, dados os diversos apontamentos que cada um faz nos temas em que toca. Por fim, há que destacar a diversidade do registo vocal de Hulder que muitas vezes consegue tornar os temas não só distintos entre si, mas que também os torna mais interessantes do ponto de vista auditivo.

Verbolgen é, em conclusão, um álbum black metal com laivos de folk e texturas que o aproximam do chamado “black metal ambiental”, lembrando os conterrâneos Panopticon ou ambos projectos do escocês Andy Marshall (Fuath e Saor). Promete muitas vezes quebrar o molde do género por via de alternância entre registos vocais e de instrumentos pouco usuais no género, mas acaba por não o fazer.

Nota: 7/10

Review por Raúl Avelar