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Sigh - "Go-ka" Review

Tendo acompanhado os Sigh desde que lançaram Graveward em 2015 é sempre com antecipação que espero um novo lançamento desta banda. Ora, Go-Ka é o primeiro álbum de originais desde Shiki de 2022, dado que I Saw The World End lançado no ano passado foi uma re-gravação de Hangman’s Hym. Trata-se de um álbum conceptual escrito com o intuito de retratar as diversas fases da decomposição do corpo humano, segundo a tradição budista. Aqui, a banda de Mirai Kawashima continua a contar com Dr. Mikannibal não só no saxofone e vozes, mas também o shamisen, o que aumenta o recurso da banda a instrumentos tradicionais japoneses (o próprio Mirai aumenta a sua “paleta de cores” em termos de recursos instrumentais). De volta, está também o mais recente membro oficial da banda, o talentoso guitarrista Nozomu Wakai, assim como os colaboradores convidados de longa data: Mike Heller (ex-Fear Factory) na bateria e percussões, Frédéric Leclrecq (Sinsaneum, Kreator, ex-DragonForce) no baixo.
O álbum abre com “Ku-so-shi 1,2,3”, disparando em várias direcções, com uma instrumentação variada, de forma épica ao estilo dos Dream Theater. Segue-se-lhe “Jigoku-Zoshi-1”, que abre com a bateria agressiva e precisa de Mike Heller e com teclados frenéticos de Mirai Kawashima. Este é um tema mais thrash e directo, com solos frenéticos de Nozomu Wakai. Segue-se “Anzenshokon” mais solene, relembrando o trabalho a solo de Andreas Kisser (Hubris I e II), começando com um cântico acompanhado de flauta, percussão e teclados, que a tempos dá uma reviravolta para a distorção e agressividade dos temas anteriores, mas voltando sempre à atmosfera tranquila do início.
Na sequência deste álbum conceptual seguimos para “Ku-so-shi 4,5 and 6”, com uma sonoridade mais negra e sombria: a voz de Mirai Kawashima a variar entre o registo cantado (por vezes com vocoder) e gritado; aqui o ponto alto é o breakdown em que a guitarra acústica e órgão trocam solos. O single com direito a vídeo, “Unputenpu” é um dos temas mais relaxados do álbum, onde a guitarra de Nozomu Wakai brilha mais uma vez com solos competentes e intricados. Com efeito, lembra-me de bandas folk metal como os Finlandeses Korpiklaani pela atmosfera mais alegre, por um lado, e os seus conterrâneos Wintersun, por outro lado, devido à voz ríspida de Mirai, uso de diversos instrumentos e ambiente épico. 
“Jinmenjushin” começa lento, mas de repente explode num frenesim de órgãos e bateria, neste tema brilha o saxofone de Dr. Mikannibal. “Jigoku-Zoshi- 2” conta com coros no refrão e um excelente solo thrash de Nozomu Wakai. Segue-se “Kushukankyo” com uma bela melodia de flauta, demonstrando a diversidade instrumental do álbum, mas também a diversidade em termos sonoros, dado que relembra a sonoridade mais ambiental de álbuns folk. “Kuso-shi -7” funciona como um interlúdio de um filme de terror com o recurso a sons de sintetizador, lembrando o EP “Kult of Kariba” dos Carach Angren. O tema que encerra o álbum é também o mais longo, ultrapassando os 11 minutos, e aqui o baixo do francês Frédéric Leclercq sobressai pela primeira vez no álbum (um dos aspectos negativos do disco é a ausência do mesmo na mistura). 
Na minha opinião, os arranjos são o que torna os álbuns dos Sigh interessantes: os momentos de loucura que se misturam com momentos de relaxamento deixam sempre o ouvinte à espera do que poderá surgir; trata-se de um perfeito equilíbrio entre o caos e a contenção. Em conclusão, Goh-ka parece o culminar do trabalho que a banda têm vindo a desenvolver ao longo da sua carreira, indo no sentido de uma sonoridade mais orquestral e progressiva, com um maior recurso a instrumentos tradicionais japoneses. O resultado é um álbum de difícil audição que várias vezes leva o ouvinte por caminhos estranhos, que vale a pena ser revisitado várias vezes, pois cada audição abre novos caminhos.

Nota: 9/10

Review por Raúl Avelar