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Os turcos She Past Away têm vindo a alcançar fãs portugueses de dia para dia. Em 2014, estrearam-se em território nacional no festival Entremuralhas, em Leiria. Um ano depois, brindam o nosso país com dois espetáculos: no Hard Club, no Porto, e no Sabotage Club, em Lisboa. É deste último que vimos falar. 

A primeira parte da noite esteve a cargo dos nacionais Wildnorthe, compostos por Sara Inglês e Pedro Ferreira, e que contam com três anos de existência. Têm dois EPs lançados: um homónimo, editado em 2014, e o recente “AWE”, lançado no presente ano. É bastante compreensível que os Wildnorthe tenham sido escolhidos para iniciar o espetáculo. Embora com um estilo musical mais ambiental e minimalista que os turcos, a verdade é que a sua tonalidade sombria era o mote para criar ambiente numa das noites mais aguardadas pelos lisboetas amantes do post-punk e darkwave. O duo foi competente ao longo da atuação; porém, não conseguiu alcançar o feedback merecido. O Sabotage Club prima por ser um espaço intimista, onde músicos e espectadores estão frente a frente. Infelizmente, foram mais as ocasiões em que se ouviram risos e conversas entre o público, do que propriamente o belo contraste das vozes de Sara e Pedro. Contudo, houve quem se conseguisse abstrair e desfrutar do concerto. Ficou o desejo de os ouvir noutro contexto, pois revelaram-se um projeto promissor. 

Já pela meia-noite, e com esta atuação terminada, o espaço tornava-se cada vez mais pequeno para um público cada vez mais farto. De referir que a data já se encontrava com lotação esgotada há alguns dias, mesmo tendo em conta que os turcos também visitariam o norte do país. Ficou a clara sensação de que, da próxima vez que visitarem a capital, haverá corrida para garantir um bilhete!

A entrada dos She Past Away foi marcada pela humildade que lhes é característica. Sem quaisquer preciosismos, Volkan Caner e Doruk Ozturkcan sobem ao palco, certificam-se que o som está em condições e iniciam com “İçe kapanış (intro)”, do segundo álbum da banda, “Narin Yalnızlı”, lançado em 2015. A partir do segundo tema, “Belirdi Gece”, do primeiro registo dos turcos (com o mesmo nome), o público rende-se completamente. Uma multidão de negro a dançar fervorosamente (num espaço que parecia cada vez mais diminuto), por entre rendas, botas de biqueira de aço e cartolas, parecia uma tarefa difícil - mas os lisboetas concretizaram-na na perfeição. 

Os músicos agradeceram várias vezes a presença do público (ainda para mais “numa terça-feira”, tendo referido Doruk). É certo que o inglês custa-lhes um pouco a sair, mas vistas as coisas...não é que tenha feito qualquer diferença. E é interessante ver o quão nos diz a música destes turcos, cantada na sua língua mãe, quando grande parte do seu público não tem qualquer conhecimento da mesma. A boa música tem muito para além das letras, e os She Past Away são a prova disso. 

É difícil dizer que a banda escolheu as músicas mais emblemáticas, pois todas elas seriam aplaudidas com entusiasmo. Mas o público reagiu com particularidade aos temas do primeiro registo, destacando “Ritüel”, “Ruh” e “Bozbulanık”.

No fim da noite, era notória a cumplicidade entre os músicos e o público, que chegaram a brindar com cerveja. Após o primeiro encore, os fãs não se queriam despedir e pediram por mais. Felizmente, os turcos acederam ao pedido e iniciaram um segundo encore. Doruk questionou se havia algum tema que o público preferisse, e “Ruh” foi novamente tocado, a pedido da primeira fila. A atuação termina com dois fãs a abraçarem os músicos, e muitos sorrisos à mistura. 

Uma noite que, esperemos, se volte a repetir brevemente. 

Texto por Sara Delgado
Agradecimentos: A Comissão