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No passado dia 20 de Outubro, a sala do RCA, em Lisboa, encheu-se de uma plateia sub-25 ávida de assistir ao regresso a Portugal dos Our Last Night, secundados pelos estreantes Blessthefall e New Volume. A uma primeira vista, e face ao maior sucesso mundial dos Blessthefall, seria normal pensar-se que a tour tinha o headliner errado, mas o facto é que a banda dos irmãos Wentworth acaba de editar material novo, pelo que justifica a organização da tour europeia como cabeça de cartaz.

Já com o RCA a registar uma excelente moldura humana e um calor quase sufocante (iria piorar muitíssimo com o prolongar da noite), entram em palco os New Volume. A banda sul-africana mas a viver em Londres vem substituir os The Color Morale nesta tour europeia e são uma boa descoberta! O trio composto por Tyron Layley (guitarra e voz), Ryan Morris (guitarra) e Adam Jenkins (bateria), aquece a plateia com um alt-rock energético, de ritmo simples mas a cumprir a sua função. Com apenas um álbum, “Envy”, editado o ano passado, a banda consegue cativar os lisboetas, que ao fim de meia hora aplaudem efusivamente a prestação. Destaque para "Should've Said No" e “Animal”.

Tempo apenas para mudar o pano por detrás do kit de bateria e dar oportunidade ao público para entoar mais alguns clássicos do pop-punk, de Limp Bizkit a Alanis Morrissette (!!) e eis que entram em palco os Blessthefall. Com um metalcore poderoso e melódico, a banda é recebida em êxtase, muito para o agrado do vocalista Beau Bokan, que imediatamente ordena que se faça a festa fora e dentro do palco. A ordem foi levada à letra pelo público presente, com mosh-pits a criarem-se a cada faixa debitada, e um crowd surfing que não parou o concerto inteiro. Sem material novo desde “To Those Left Behind”, editado em Setembro de 2015, a banda de Phoenix (Arizona) desfia uma dezena de temas em pouco mais de 45 minutos, com destaque para prestações brutais em “Hollow Bodies”, “Dead Air”, “2.0”, “Hey Baby, Here’s That Song You Wanted” ou a última da noite, “See You In The Outside”. Exaustos mas de sorriso de orelha a orelha, despedem-se de centenas de jovens adultos literalmente encharcados em suor, com a sensação de terem sido atropelados por um camião cheio de brita!

O intervalo pouco mexeu com uma plateia que teimou em não arredar pé durante os tempos mortos, e que se foi auto-animando com aplausos e gritos a cada música que o técnico de som lançava para a sala, entoando a plenos pulmões clássicos de Papa Roach ou AC/DC. Mas era difícil de esconder a expectativa que pairava no RCA para a prestação dos cabeças de cartaz. Os Our Last Night, oriundos do New Hampshire, têm redefinido o significado de sucesso na indústria musical. Sem editora mas com uma gigantesca armada de fãs, a sua atitude Do-It-Yourself tem servido de modelo a quem deseja fazer daquilo que ama a sua profissão. Auto-produzindo tudo, desde a música aos videoclips, conseguiram perceber a força da presença online, e através de excelentes versões rock/punk dos mais recentes hits da pop, solidificaram o seu sucesso, transportando os seus originais a esferas dificilmente atingíveis de outra forma. Depois da sua passagem por Portugal em 2015, a tour que parou na sala do bairro de Alvalade serve para apresentar o seu recente EP, “Selective Hearing” e perante uma plateia ansiosa as luzes apagam e surgem os primeiros acordes de “Broken Lives”. Primeira explosão de alegria e o início de um concerto que durante cerca de 70 minutos não deixa ninguém descansar. O clássico “Same Old War”, do excelente EP “Oak Island” (2013) antecede “Never Frelt This Way” e “Prisoners”, com muitos dos presentes a nem conseguirem acreditar que estão ali junto dos seus heróis. E a banda parece adorar os refrões cantados em uníssono, os gritos, os saltos, o mosh! Das famosas versões que ultimamente têm preenchido as redes sociais da banda, os Our Last Night decidiram presentear Lisboa com apenas uma: “Shape Of You” de Ed Sheeran, tocada de forma irrepreensível por uma banda que conta já com década e meia de existencia, a meias com uma ensurdecedora prestação do público. A banda tem incluído nesta tour um momento acústico, com “Falling Away” e “Reality Without You”, usadas também em Lisboa para fazer descansar um pouco a voz de Trevor Wentworth, cujos agudos estavam já a ressentir-se um pouco. “Ghost in the Machine” e “Common Ground”, ambas do novo EP antecedem o final apoteótico com “Home”, o primeiro single retirado de “Younger Dreams” (2015).

Quase duas horas depois, o RCA esvazia-se de um público jovem exausto, radiante pelo espectáculo que acabou de presenciar, vivendo aquela noite como se da última se tratasse.

Texto e fotografia por Vasco Rodrigues
Agradecimentos: Head Up! Shows