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Coroner - "Dissonance Theory" Review

O primeiro álbum dos Coroner desde a reunião em 2010, à distância de 32 anos face ao seu último lançamento (Grin), é algo que me suscitou a curiosidade, apesar de estar pouco familiarizado com a música destes veteranos do thrash metal progressivo. O tema que abre o disco, após uma breve intro, “Consequence”, é thrash desde a voz de Ron Broder a lembrar a Tom Araya em certos momentos, ao incrível solo de guitarra de Tommy Vetterli, mas com algumas mudanças de métrica que “trocam as voltas” ao ouvinte. Note-se, ainda, no interessante e pouco usual uso de vocoder.

O tema seguinte, “Sacrificial Lamb” mais uma vez traz o groove da bateria e do baixo para a frente, complementado com um solo de guitarra melodioso e intricado. O próprio riff principal da música é mais doom, contribuindo para uma atmosfera mais negra. Em “Transparent Eye”, o groove da bateria de Diego Racchietti volta a ter um papel central, assim como os seus apontamentos nos pratos, o que constituem prova de que se tornou um membro essencial para a sonoridade dos Coroner após a saída do baterista original Marquis Marky.

O uso em “Crisium Bound” de efeitos lembra os sintetizadores dos Cynic em Focus, especialmente na bridge que começa por volta dos três minutos, cortesia de músicos convidados. Com efeito, o uso de teclados em “The Law” introduz uma atmosfera mais misteriosa que os temas predecessores. O uso de teclados, nomeadamente o órgão, torna-se mais evidente no tema que encerra o álbum, “Prolonging”, transformando-o quase num tema jazzístico na onda da música de Corey Henry (ex-Snarky Puppy).

Em “Symmetry”, um dos singles com direito a vídeo, os Coroner entregam um hino thrash com riffs intricados, mas cativantes, o que o torna um dos pontos altos do álbum para mim. Aproveito para sublinhar que um dos aspectos a destacar neste álbum é o seguinte: existe uma complexidade em termos rítmicos, mas sempre complementada com um lado melódico que se torna memorável. Aliás, tanto “Trinity” como “Symmetry” apresentam solos de guitarra incrivelmente cativantes de Tommy Vetterly, demonstrando que estes veteranos não perderam a técnica, nem a capacidade de tornar o complexo em algo simples e memorável.

Em conclusão, Dissonance Theory é um álbum cheio de groove, sendo um álbum atípico de thrash lembrando, em certos momentos os Testament e os Megadeth noutros, como no riff que abre o tema “Renewal”. Ao mesmo tempo este lançamento presta, ainda que indirectamente, homenagem a outras bandas mais voltadas para a sonoridade prog, como Cynic (na sua fase pré-Focus e até mesmo os Atheist). Na minha opinião, dada a sua estrutura que une os diferentes temas numa sequência musical coesa, trata-se de álbum que se deve ouvir de seguida pois assim se torna uma experiência mais satisfatória para o ouvinte (ao invés de ouvir os temas isoladamente).

Nota: 8/10

Review por Raúl Avelar