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Eisbrecher - "Kaltfront" Review

Kaltfront é o primeiro disco dos Eisbrecher sem o principal instrumentista e compositor musical, Noel Pix, que saiu da banda em 2024, pelo que se trata também de uma prova de fogo para uma banda que já contava com uma formação base sólida de há vários anos. O vocalista Alexander Wesselsky aqui conta com o baixista Rupert Keplinger como parceiro musical, lugar antigamente ocupado por Noel Pix. A faixa introdutória “Minus 90 Grad” prepara a atmosfera fria invocada geralmente pelos alemães Eisbrecher nos seus álbuns e respectivo artwork (assim como na forma como se apresentam em palco). Outro exemplo da estética visual da banda representada musicalmente é “Das Neue Normal” que continua a temática marcial, com a sonoridade na bridge a remeter para Marylin Manson.

O single “Everything is Wunderbar” é um tema rápido e animado, lembrando os suecos Pain de Peter Tätgren, na sua fusão de metal com música electrónica. É um tema orelhudo que fica na cabeça do ouvinte, muito depois de o ouvir, daí que seja uma boa escolha para single com direito a vídeo. “Auf die Zunge” é um tema pesado na veia dos compatriotas Rammstein, com as guitarras a funcionarem como o instrumento que acentua a letra cantada, tendo os teclados o papel principal em termos melódicos, ainda com um solo de guitarra bem colocado perto do final. “Waffen Waffen Waffen” começa com um solo de harmónica, como que se estivéssemos num western spaghetti, um elemento que volta a aparecer a meio do tema, misturado com percussão e o som de disparos. 
Em temas como “Dein Herz” ou “Tranen lugen nicht” a voz de Alexander Wesselsky atinge um registo mais melódico, indo além do típico registo grave; no primeiro a bateria e percussão electrónica são dos principais destaques em termos instrumentais, sobressaindo um pequeno solo de guitarra, no segundo o piano é o principal instrumento.

Chegando a “Zeitgeist”, a electrónica ganha destaque como principal instrumentação, relegando para uma sonoridade muito próxima dos supra referidos Pain, trata-se de um recurso sonoro que se irá repetir ao longo de Kaltfront, por exemplo, em “Einzelganger”. “Die Hoffnung stirbt zuletzt” conta com voz feminina, dando uma textura diferente ao tema, comparativamente com os que o precederam, trata-se de um tema mais pop e gótico, na veia dos Project Pitchfork. “Satt” é um tema em que as teclas emulam o som de instrumentos de sopro, com os sons electrónicos sempre ao som e o resto da instrumentação a servir de secção rítmica, é um dos temas mais divertidos e interessantes do álbum.
A recta final do álbum é “preparada” por um breve interlúdio (“Auf kalt”), seguindo-se o tema-título que encerra o álbum, enérgico, agressivo e bastante reminiscente dos Rammstein na forma como o refrão está organizado.

No seu todo, Kaltfront é um álbum de metal industrial competente que consegue, em determinados momentos ser contagiante como se tratasse de um álbum de música pop, em tema como “Die Hoffnung stirbt zuletzt”, “Toi Toi Toi” e “Everything is Wunderbar”, os temas que maior destaque merecem deste álbum. Falta, no entanto, a energia de temas antigos como os singles de Shock de 2015: “Zwische Uns” e “Rote wie die Liebe” para que se torne mais memorável. Não deixa de ser curioso como parece ganhar algum fôlego a partir do 11º tema, tornando-se mais energético e cativante até ao final.

Nota: 7/10

Review por Raúl Avelar