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Danheim - "Heimferd" Review

Heimferd começa logo com o tema “Agermark” que me lembra da sonoridade folk do saxofonista norueguês Jan Garbarek, com os sopros a entoarem uma melodia solene com a percussão a servir de suporte; a flauta entra eventualmente elevando os ânimos ao ouvinte. Há ainda algo na melancolia entoada por um instrumento que soa como um trompete que me remete para o tema “In Cold Blood” do álbum de estreia do contrabaixista português João Hasselberg.
O segundo tema, “Brenhin LLwyd” lembra os Heilung pelo recurso a cânticos, mas também o álbum Anonymous dos americanos Tomahawk, o qual consistia em arranjos modernos de temas tradicionais de origem nativo-americana, nomeadamente nas percussões neste último caso e a voz grave (a lembrar a de Mike Patton, algo que volta a suceder no tema-título). Com efeito, Heilung, Wardruna e Tomahawk (mais especificamente no álbum Anonymous) são os principais referências sonoras que me parecem aproximar-se mais da sonoridade deste álbum do multi-instrumentista e vocalista norueguês Reidar Schæfer Olsen.
Segue-se “Haukadalur”, em que há um recurso a instrumentos que se assemelham a violinos na sonoridade, o que me remete para o disco “Koder Pa Snor” dos dinamarqueses Valravn. O single com direito a vídeo, “Stormdans”, que foi o que me chamou para este álbum, surge a cerca de quinze minutos do disco dando-lhe um necessário ímpeto para o ouvir até ao fim: desde a voz feminina sussurrada alternada com uma voz ameaçadora por detrás, ao som dos instrumentos tradicionais semelhantes a violinos que entoam uma melodia épica.
Um dos pontos centrais por detrás da intensidade musical em Heimferd é a percussão, a qual é usada ora para um ritmo marcial (“Haukadalur” e “Heimferd”), ora para um leve acompanhamento que fica em segundo plano (“Agermark” e “Jqtunsvärd”).
Dadas as raízes musicais de Reidar Schæfer Olsen, o mentor dos Danheim, na música ambiente, torna-se evidente a principal influência na execução deste disco: um maior enfoque na construção de ambientes sonoros do que em músicas individuais. Desta forma, o disco flui como um todo do princípio ao fim. No entanto, acaba por se tornar pouco variado em termos de sonoridade e de dinâmicas, o que pode desencorajar repetidas audições; falta-lhe a entrega épica que os Heilung aperfeiçoaram neste género de música inspirada pela tradição pagã europeia. É de sublinhar que Danheim é inspirado pela tradição viking e dinamarquesa, ao passo que os Heilung vão procurar inspiração aos povos germânicos da Idade do Ferro, o que influencia a sonoridade dos projectos. 

Não posso deixar de concluir afirmando que, perto do final, com “Vindfari” e “Ygdrassil II”, Heimferd consegue re-capturar a energia e promessa do tema que abre o disco (e do single “Stormdans”), fazendo valer a pena ouvir o disco até ao fim, como um todo.

Nota: 6/10

Review por Raúl Neves