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Fuath - "III" Review

Fuath é um dos projectos de black metal do multi-instrumentista escocês Andy Marshal (Saor) e tal como no primeiro disco lançado por este projecto, mais uma vez todos os instrumentos estão a cargo do mesmo (o anterior lançamento contava com a bateria de Carlos Vivas, colaborador de Andy em Saor, tanto ao vivo como em estúdio).
Descrito como black metal atmosférico, a sonoridade dos Fuath é mais abrasiva e imersiva que a dos Saor, que mostraram uma curva evolutiva em termos sonoros que os aproximou mais da vertente folk deste subgénero de metal. A agressividade e foco na atmosfera é notável desde o primeiro tema de III, “The Cailleach”, com uma parede de guitarras distorcidas a servirem de base sonora com apontamentos de guitarra acústica em pano de fundo. O riff que conclui o tema é cativante e o recurso a teclados que parecem emular um cravo no seu final é um pormenor interessante.
O segundo tema, “Embers of the Fading Age” começa agreste com tremolo picking na guitarra, bateria energética e violenta; e a voz de Andy Marshal fria e ríspida como uma tempestade de neve. A dada altura a distorção desaparece e os arpejos das guitarras soam como um alívio da secção anterior do tema, se bem que a bateria continua a manter um ritmo frenético. Depois regressa a hostilidade e a voz a lembrar a rispidez e escárnio da voz de Noise dos Kanonenfieber. 
“Possessed by Starlight” relembra a sonoridade de outros projectos black metal, nomeadamente os americanos Panopticon. O tema que encerra o álbum, “The Sluagh” é tão abrasivo como aqueles que o sucederam, mas aqui as guitarras tornam-se mais proeminentes na criação de uma atmosfera sombria e fria. A meio do tema temos uma interessante pausa do caos instalado com guitarras limpas arpejando e um sintetizador entoando uma melodia quase gótica na veia dos Paradise Lost ou Cemetery Skiline e até post-rock semelhante aos Red Sparowes. Trata-se de um dos pontos altos álbuns do disco, trazendo uma frescura e um momento mais reflectivo ao ouvinte. 

Em conclusão, III é um lançamento que, infelizmente, não se compara àquilo que Andy Marshall conseguiu alcançar em termos sonoros com os Saor, mantendo uma sonoridade demasiado semelhante ao longo da sua duração. Esse acaba por ser o principal ponto negativo acerca deste lançamento: a falta de mudanças de dinâmica entre temas. No entanto, em termos atmosféricos e instrumentais está bem conseguido, sendo particularmente interessante o recurso a teclados para efeitos melódicos, ao mesmo tempo que é imersivo como outros lançamentos do género (por exemplo, Cosmic Church).

Nota: 6/10

Review por Raúl Neves