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Entrevista aos Through Void



Composta por João, Jesus, Pedro, Bruno e Abreu, os Through Void são uma banda portuguesa de death doom oriunda de Lisboa e arredores. Formada em 2023, a banda nasce da ligação entre músicos que já partilhavam projetos anteriores e de uma vontade comum de explorar sonoridades densas, atmosféricas e emocionalmente carregadas. Com o álbum de estreia Forsaken recentemente lançado a 6 de fevereiro de 2026, estivemos à conversa com a banda para perceber o seu percurso, identidade sonora, processo criativo e visão sobre a cena underground nacional.

M.I. - Para quem ainda não vos conhece, quem são os Through Void? Que tipo de banda são vocês e o que podem dizer sobre a vossa música?

Somos uma banda de death doom, mais ou menos, de Lisboa e arredores. Somos malta que já se conhecia de outros projetos e outros que se juntaram mais recentemente. A banda nasce dessa junção de experiências e da vontade de criar algo mais denso e atmosférico.


M.I. - Como é que vocês se conheceram? A banda formou-se em 2023, correto?

Sim. Alguns de nós já se conheciam da escola secundária. Depois houve muitos anos sem contacto. Mais tarde formámos outra banda, que acabou, e no rescaldo disso voltámos a juntar-nos. Primeiro entrou o Pedro, depois o Bruno, e assim acabou por se formar o Through Void.


M.I. - O nome da banda surgiu de onde?

O nome foi pensado pelo Pedro. Procurávamos algo que estivesse numa das letras e que se adaptasse ao tipo de som que queríamos fazer. Entre várias hipóteses, esta foi a que soava melhor e fazia mais sentido.


M.I. - O vosso som anda entre o doom e o death. Isso foi uma escolha consciente desde o início?

Sim. A ideia inicial foi mesmo essa raiz death doom, com partes mais lentas, outras mais rápidas, um som mais escuro. Com a entrada do Bruno, as melodias trouxeram outra vivacidade ao som. A melodia muda muito a dinâmica.


M.I. - Para vocês, o que torna uma música verdadeiramente pesada?

Não é só a velocidade ou os BPM. Muitas vezes uma música lenta, dependendo da letra e da atmosfera, pode ser muito mais pesada. O peso vem da junção da música com a letra e da identificação de quem ouve.


M.I. - Quando acabam uma música, sentem que está fechada ou ficam sempre a querer mudar alguma coisa?

Trabalhamos muito em ensaio. Gravamos, ouvimos e, se houver algo a alterar, altera-se logo. Se mexermos demasiado, a música nunca mais fica pronta.


M.I. - O silêncio e o espaço no vosso som são planeados ou surgem naturalmente?

Muitas vezes surgem de trabalho de casa. Criamos ambiências, pausas, repetições, e depois experimentamos tudo em ensaio. Testamos muito até perceber o que funciona.


M.I. - A capa do álbum Forsaken é bastante marcante. Como surgiu essa ideia?

A capa é uma peça de um amigo nosso, o artista Hélder Igor. Quando vimos a obra, fez logo sentido. Curiosamente, a música “Echoes of the Forsaken” já existia antes da peça, mas quando vimos o quadro pensámos imediatamente nessa música.


M.I. - As letras abordam muito o abandono, perda e desgaste. Isso vem de experiências pessoais?

É um misto. Algumas partes são pessoais, outras vêm da observação do mundo. Falamos muito da condição humana, da mente, da fragilidade. Não temos um tema único.


M.I. - Quais são as vossas principais influências?

Bolt Thrower, Carcass, Death, Paradise Lost, Obituary. Muito death old school, especialmente o sueco, pelas melodias.


M.I. - As letras servem mais para libertar ou para enfrentar?

As duas coisas. Há partes muito pessoais e outras que são observação. No fundo, se não for um pouco das duas, não se consegue enfrentar nada.


M.I. - Por que escolheram “Echoes of the Forsaken” como primeiro single?

Porque representa muito bem o álbum e está diretamente ligada à capa. O nome do álbum vem dessa música e sentimos que ela define bem esta fase da banda.


M.I. - Como são os Through Void ao vivo?

É muito denso. Somos três guitarras e isso cria um som muito cheio e poderoso. As músicas têm muitas texturas e o público costuma ficar a ouvir, a absorver.


M.I. - Como veem a cena metal underground em Portugal neste momento?

É cíclica. Houve uma altura com muitas bandas e muitos espaços. Agora está mais limitado, mas começam a surgir muitos projetos novos. Acreditamos que a cena pode voltar a ganhar força.


M.I. - O álbum Forsaken sai a 6 de fevereiro de 2026. Qual é o próximo passo depois do lançamento?

Apresentar o álbum ao vivo o máximo possível, lançar merch e continuar a compor material novo.


M.I. - Para terminar, que mensagem querem deixar aos vossos fãs?

Apareçam nos concertos, ouçam a música, comprem o álbum! Bebam, comam e sejam felizes!


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Entrevista por Isabel Martins