O número de fans dos Avatar tem vindo a aumentar substancialmente no nosso país. É inegável. Quem tem acompanhado os concertos da banda sueca em Portugal sabe do que estou a falar. O anterior concerto, abrindo para os gigantes Iron Maiden, expô-los a uma multidão que não ficou indiferente à atuação dos Avatar e a lotação quase esgotada nesta noite no LAV, foi apenas o reflexo natural disso mesmo. Os nossos conhecidos Alien Weaponry embarcaram também nesta In The Airwaves tour, assim como as estreantes Witch Club Satan (WCS).

Já se sabia que um concerto dos Avatar traz consigo muita teatralidade, mas ela começou desde cedo, no concerto das WCS. As três norueguesas entraram em palco envergando vestes extravagantes. O seu black metal tem um cariz próprio e contagiou o público. Mesmo o tema” Mother Sea”, que não era mais que (longa) poesia declamada, tendo apenas piano como som de fundo, foi fortemente aplaudido. Depois de deixarem o palco a meio do seu concerto, cada elemento regressou praticamente despido, envergando uma longa cabeleira e pouco mais, tornando esta atuação ainda mais excêntrica.

Os Alien Weaponry são a prova viva de que a música é universal. Acredito que poucos, ou mesmo nenhuns dos presentes compreendesse uma única palavra dos temas cantados pela banda neozelandesa, mas todos vibraram com a sua música. Elas são cantadas na sua língua natal e para além disso, houve ainda lugar à tradicional dança Haka, protagonizada por um dos irmãos Jong, Henry, o baterista. Quanto à música? Digamos que logo ao primeiro tema se abriu uma roda no centro da sala do LAV para o habitual cirle pit. Os Alien Weaponry apostaram no seu álbum de estreia e também no mais recente, para o alinhamento desta noite, deixando de fora Tangaroa, de 2021. O concerto da banda de thrash/groove metal terminou com o guitarrista/vocalista Lewis envolto na bandeira portuguesa e ficou no ar a sensação que passou depressa demais. Sobretudo para aqueles que marcaram presença no LAV, precisamente por a banda neozelandesa estar no cartaz desta noite e que me arrisco a dizer, eram uns tantos, entre aqueles que quase esgotaram a sala.
A atração principal eram sem dúvida os Avatar. Quem estava à espera de algo grandioso, não ficou defraudado. Um espetáculo só à altura de grandes bandas, foi aquilo a que todos assistimos. Bons músicos, liderados por um verdadeiro frontman, que não deixou que houvesse tempos mortos durante a atuação dos suecos. O público ajudou à festa e foram muitos os que se apresentaram com maquiagem e indumentária semelhantes à do vocalista Johannes. Este último erguia uma candeia quando entrou em palco, sob fortes aplausos, para dar início ao espetáculo com “Captain Goat”. Num alinhamento muito bem escolhido, foi do mais recente álbum, Don´t Go in the Forest, que foram retiradas mais músicas e houve alguns momentos a registar. “Colossus” foi interpretada com o baterista John Alfredsson na frente do palco, tocando numa microbateria; “Howling at the Waves” teve o vocalista ao piano, num momento bastante intimista onde aproveitou para agradecer ao público português todo o carinho que a banda tem recebido e, claro, não podia faltar “Legend of the King”, onde o guitarrista Jonas se sentou no seu trono, envergando a sua coroa.
Os últimos temas da noite foram exaustivamente negociados entre Johannes e o público, em mais um momento de boa disposição. A escolha recaiu, como não podia deixar de ser, no clássico “Smells Like a Freakshow” e “Hail the Apocalypse” que foram o culminar de quase duas horas de espetáculo, onde o heavy metal melódico, com umas pinceladas de gótico, foi rei e que teve ainda direito a confettis na hora da despedida. Arrisco-me a adiantar que teremos novamente os Avatar em Portugal numa próxima digressão, quem sabe se numa sala maior.
Texto por António Rodrigues
Fotografia por Paulo Pereira Tavares
Agradecimentos: Prime Artists











