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Entrevista aos Amberian Dawn


“Encontra a tua força interior” é o significado principal por trás do álbum intitulado “Tempation’s Gates”, lançado em junho deste ano, mais precisamente no final do mês. Tuomas Seppälä, membro fundador e teclista da banda, falou sobre o álbum com a Metal Imperium. A entrevista aborda alguns temas, como a nova vocalista Nicole Willerton, a forma como ela se integra na banda, as faixas e as digressões. Uma excelente entrevista para ler com a mente aberta!


M.I. - “Temptation's Gates” foi lançado a 26 de junho. Se tivesses de descrever o álbum numa única frase a alguém que nunca tenha ouvido Amberian Dawn, o que dirias?

O álbum é, de certa forma, um álbum de Metal (Metal Snfónico). É sempre muito difícil atribuir um rótulo à nossa música, mas acho que se trata, de certa forma, de Metal Sinfónico, com alguns riffs de guitarra pesados e sons de teclado.


M.I. - O título do álbum sugere mistério, escolhas e ultrapassar limites. Que significado “Temptation's Gates” tem para ti, pessoalmente?

É um álbum importante! É o primeiro com a nossa nova vocalista, a Nicole. Por isso, para mim, é uma espécie de novo processo: começar a trabalhar com uma nova vocalista. É emocionante também! É um álbum muito especial, claro! Divertimo-nos imenso a gravá-lo!


M.I. - Analisando toda a vossa discografia, onde é que este álbum se insere na evolução dos Amberian Dawn?

Acho que é um álbum típico dos Amberian Dawn! É muito variado! Tem imensas canções diferentes (rápidas e pesadas). Até tem uma balada! Muitos estilos musicais diferentes! Acho que, se fores um fã de longa data dos Amberian Dawn, não vais encontrar grandes surpresas, mas ainda assim há algo de antigo e de novo. Por isso, é uma espécie de combinação!


M.I. - Houve algum tema, história ou emoção em particular que tenha inspirado o processo de composição deste álbum?

Na verdade, não! Acho que não houve nada de especial. Foi uma espécie de processo natural de composição. Acontece sempre no meu estúdio em casa. Começa com uma primeira ideia: pode ser, por exemplo, uma melodia, que me dá inspiração. Seria um ponto de partida! Depois, vou construindo a canção a partir daí e ela vai-se desenvolvendo por si só! É um processo natural!


M.I. - Qual foi a canção do álbum que foi mais fácil de compor e qual foi a que mais te desafiou?

Talvez “Temptation’s Gate”! Por alguma razão, a faixa de abertura foi a mais fácil para mim! Foi uma das primeiras canções que compus para o álbum! Já contava com a Nicole no projeto, já conhecia as suas capacidades como cantora! Portanto, sabia que ela era capaz de cantar todas aquelas linhas vocais bastante loucas! “Temptation’s Gate” foi a mais fácil! A mais difícil (é difícil dizer), “Life Is Art” foi um desafio! É uma espécie de canção operática, baseada numa ópera de Verdi. Conseguimos que funcionasse!


M.I. - Há alguma faixa no álbum que consideres que merece uma atenção especial por parte dos fãs, por revelar um lado diferente dos Amberian Dawn?

Sim! “Unchained” é um bom exemplo da diversidade do álbum! Tem um estilo musical diferente! Por exemplo, há aqueles riffs de guitarra tradicionais, teclados envolventes, mas também partes com guturais no refrão. Isso é algo novo na nossa música! Antes não tínhamos guturais!
Foi mesmo fantástico fazer essa experiência! No futuro, vamos fazer mais experiências com a nossa nova vocalista, porque ela consegue fazer coisas diferentes.


M.I. - Como compositor e teclista, experimentaste alguma coisa nova, tanto a nível musical como de produção, neste álbum?

Não é nada de novo, mas é como se já fizéssemos música há muitos anos com os Amberian Dawn. Estamos, claro, a ficar cada vez melhores no que diz respeito aos nossos instintos. Acredito que estou mais apto a fazer os arranjos dessas canções. Acho que está a haver alguma evolução nesse aspeto.
Além disso, participei mais na parte da guitarra neste álbum. Toquei, talvez, metade desses riffs de guitarra e até um solo! Foi um regresso como guitarrista!


M.I. - Houve algum momento durante as sessões de gravação em que percebeste que este álbum se estava a tornar algo verdadeiramente especial?

No início foi uma surpresa! Depois de a Nicole nos ter apresentado a primeira canção, percebi logo que ia ser fantástico, porque há algo de único na voz dela! Eu sabia disso desde o início!


M.I. - O que faz de “The Vision of Dreaming” uma boa introdução a este novo capítulo dos Amberian Dawn?

Eu não escrevo as letras de todo: limito-me a compor a música. Por isso, não tenho a certeza sobre as histórias por trás disso, mas, tanto quanto sei, a Nicole disse-me que há uma ideia forte de encontrar a liberdade interior neste álbum. É uma espécie de tema recorrente em quase todas as canções: sobre descobrir quem és, como podes ser tu próprio, independentemente do que os outros esperam de ti. Esse é um dos temas principais, em termos de letras!
Como disse, foi a Nicole que escreveu todas essas letras, por isso, ela é a pessoa indicada para responder a isso!


M.I. - Em que momento percebeste que “Unchained” tinha potencial para ser um single?

Normalmente, é difícil escolher esses singles! Só se consegue fazer isso depois de o álbum estar pronto! Quando estávamos a escolher os singles, o álbum já estava praticamente pronto e já sabíamos como iria soar. É impossível decidir isso com antecedência, porque todas as canções sofrem alterações ao longo do processo.
Depois de termos misturado o álbum e de este estar pronto, só precisávamos de escolher quatro canções e, por alguma razão, todos concordámos que essas eram as certas.


M.I. - Nicole Willerton é a nova vocalista dos Amberian Dawn. Qual foi a tua primeira impressão quando a ouviste cantar?

Acho que ela é mesmo única! Quanto a mim, acho que é essa a singularidade da voz! É o mais importante para um cantor, porque quando se ouve alguém a cantar, tem de se identificar essa pessoa imediatamente. Com a Nicole, bastam alguns segundos e já a identificas imediatamente. A voz dela é única! Por isso, essa é uma das coisas mais importantes para mim! Além disso, ela tem uma técnica muito boa, o que lhe permite cantar todas aquelas melodias difíceis. É uma combinação de técnica e singularidade!


M.I. - A voz da Nicole inspirou-te a abordar a composição de forma diferente em relação aos álbuns anteriores?

Ela inspirou-me, é verdade, mas mesmo assim não acho que tenha havido alguma diferença no processo de composição. Tem sido sempre o mesmo. É algo que se faz sozinho, em casa, sem ser incomodado por mais ninguém. Sempre foi assim, mas foi o que aconteceu quando ouvi a Nicole a cantar. Quando vi do que ela é capaz, isso deu-me, de certa forma, uma nova inspiração. É verdade!


M.I. - Como é que a química entre ti e a Nicole se tem desenvolvido desde que ela se juntou à banda?

Estamos muito felizes por a conhecer! Sentimo-nos como uma pequena família! Já a conhecemos há um ano e já a ouvimos dezenas de vezes. Passámos muito tempo juntos, por isso estamos a começar a conhecer-nos melhor. Somos muito parecidos! Gostamos da mesma música, dos mesmos vídeos. Temos o mesmo sentido de humor! É muito fácil estar com ela!


M.I. - A Nicole traz consigo a sua própria experiência musical e os seus projetos anteriores. Que elementos da sua trajetória musical enriqueceram os Amberian Dawn?

Para ser sincero, ainda não ouvi alguns dos outros projetos dela! Sei que ela faz parte de uma banda de Gothic Punk Metal. É algo estranho! Ainda não ouvi muito disso! Só a ouvi a cantar no canal dela no YouTube, a fazer covers de outras bandas, como algumas músicas do Devin Townsend, por exemplo. Na verdade, não sei muito sobre os outros projetos dela!


M.I. - Houve alguma canção em particular em que a Nicole tenha superado as tuas expectativas durante o processo de gravação?

Talvez tenha sido “Life Is Art”! É uma canção verdadeiramente operática e muito exigente para qualquer cantor! Por isso, talvez tenha ficado mesmo surpreendido ao ver como ela conseguiu cantá-la tão bem.


M.I. - Qual é a canção do álbum “Temptation's Gates” que melhor demonstra as capacidades da Nicole como vocalista?

Talvez seja “Unchained”, porque há esses estilos diferentes de canto nos versos e no refrão, que são muito distintos. Há aquelas passagens em que ela canta com voz rouca. Acho que é por isso que “Unchained” pode ser o melhor exemplo. Tem a ver com as capacidades dela em geral, mas a canção também reflete muito bem o ambiente do álbum.


M.I. - No dia 28 de junho, apenas dois dias após o lançamento do álbum, os Amberian Dawn atuaram no On The Rocks, em Helsínquia. Quão especial foi esse concerto para a banda?

Foi um concerto especial: o primeiro com a Nicole! Tocámos muitas músicas novas. Tocámos quatro músicas novas do nosso novo álbum! Depois, tocámos também algumas mais antigas! Foi uma espécie de mistura: antigo e novo! 
Também tivemos uma banda de apoio: os Dark Sarah! Foi um evento muito especial! Quem foi ao concerto pôde ver a nossa nova vocalista e a antiga no mesmo espetáculo! Foi interessante!


M.I. - Apresentar o novo material ao vivo tão pouco tempo depois do lançamento do álbum traz entusiasmo, pressão ou ambos?

Ambos! Já fizemos o nosso primeiro concerto no final do mês passado. Por isso, passaram-se talvez duas ou três semanas até estarmos juntos no palco. Foi emocionante para todos nós, porque tudo está a acontecer. É uma situação nova! Só temos de ser nós próprios e fazer o que sabemos fazer! Não é assim tão sério! Se algo correr mal, não é nada de mais! O mais importante é estarmos a divertir-nos no palco! Somos seres humanos e há margem para erros! Ninguém é perfeito! Estamos entusiasmados! É a melhor forma de descrever isto!


M.I. - Há alguma canção do novo álbum que estejas particularmente ansioso por tocar ao vivo pela primeira vez? E qual das faixas de “Temptation's Gates” achas que se tornará uma das favoritas dos fãs nos futuros concertos?

Todas essas canções são fantásticas para tocar em palco! Já posso adiantar isto: vamos tocar todos esses singles! Todas essas canções vão fazer parte do nosso alinhamento! Vão estar lá “Temptation’s Gates”, “The Vision Of Dreaming”, “Unchained” e “Moon”! Todas essas quatro canções vão estar presentes!
É difícil dizer, mas o público está a cantar essas músicas e «Moon» vai ser a aposta certa, se tiveres de apostar! É uma música rápida e frenética, com uns elementos melódicos folk fantásticos!


M.I. - Há algum plano de digressão ou participação em festivais a que os fãs devam ficar atentos após o lançamento do álbum?

Sim! Estamos a tentar organizar uma digressão para o próximo ano! Já temos vindo a discutir algumas opções de digressão! Não tenho a certeza se vai acontecer ou não! Vamos ver!
Hoje em dia, é preciso planear bem essas digressões, com até oito ou seis meses de antecedência! Portanto, se estivermos a planear fazer uma digressão no próximo ano, será talvez em fevereiro ou março.
Então, esse é o nosso objetivo... talvez uma vez por ano, uma espécie de digressão pela Europa e um Meet and Greet, aqui na Finlândia.


M.I. - Como é que decidem quais as canções clássicas dos Amberian Dawn que ficam no alinhamento, quando há tanto material novo para apresentar aos fãs?

Como mencionei anteriormente, tocámos quatro faixas do nosso próximo álbum e todas as outras eram canções mais antigas. Acho que temos sempre de tocar canções como “River Of Tuoni”, “Wild Grease”, “Magic Forest” e “Dragonflies”. Acho que são essas as canções que o público espera que toquemos e, além disso, gostamos de as tocar ao vivo!


M.I. - Olhando para trás, ao longo da sua carreira, o que é que ainda mais o entusiasma na criação de música nova?

Criar música nova é algo que ainda temos de fazer, porque é isso que queremos fazer! Já passaram vinte anos e fizemos imensas digressões e mais de dez álbuns! Por isso, já alcançámos mesmo muito neste ramo e ainda sentimos que queremos continuar! Pela minha parte, acho que vou fazer música toda a minha vida, porque não sei o que mais gostaria de fazer! A música é o nosso passatempo mais querido. É algo que queremos continuar a fazer no futuro.


M.I. - Se pudesses tocar “Temptation's Gates” para a versão mais jovem de ti mesmo que fundou os Amberian Dawn, o que achas que ele diria?

Talvez ele ficasse mesmo encantado, porque ainda consigo fazê-lo! Consigo compor novas canções e estou satisfeito com os resultados! Então, o que podemos dizer? Sinto-me, de certa forma, grato por ainda ser capaz de o fazer! 


M.I. - Se cada membro dos Amberian Dawn tivesse de guardar um dos “Temptation's Gates”, que portão guardaria a Nicole e qual guardarias tu?

(risos) Que pergunta difícil! A esse respeito, há alguns simbolismos. Essas coisas têm um significado! Trata-se de encontrar a tua liberdade interior, e esses portões representam, de certa forma, a sociedade que bloqueia a tua identidade e tens de te libertar, atravessando esses portões!


M.I. - Se “Temptation’s Gates” fosse um filme de fantasia, quem seria o vilão principal?

Se fosse um superpoder, seria um homem sábio. Acho que ele seria um homem bondoso e bom, não mau. Gostaríamos de fazer coisas boas, não más!


M.I. - Que músicos te inspiram mais?

Hoje em dia, sinto-me inspirado pela música clássica! Para mim, neste momento, quando estou a conduzir o meu carro, gosto de ouvir música clássica; além disso, também gosto de cozinhar e de fazer churrascos. Portanto, é algo que gosto de fazer! Dá-me inspiração para tudo! Além disso, gosto de ouvir bandas dos anos 80: bandas de heavy metal e de disco dessa década!


M.I. - Daqui a um ano, o que teria de acontecer para que olhasses para trás e dissesses: «Sim, o “Temptation's Gates” foi exatamente o sucesso que esperávamos que fosse»?

Tenho quase a certeza de que, daqui a um ano, continuarei satisfeito com o álbum. Só esperamos que todos os outros também estejam a gostar, porque tudo começa sempre por nós próprios! Temos de continuar a gostar do álbum e da música! Continuamos a ter a esperança de que todos estejam a gostar! Até agora, parece que a maioria dos nossos fãs está a aceitar a nossa nova vocalista e o nosso estilo atual!
Estou confiante de que, daqui a um ano, ainda aqui estaremos e continuaremos felizes com esta situação!


M.I. - Por fim, que mensagem gostarias de enviar aos fãs dos Amberian Dawn em todo o mundo, agora que se preparam para atravessar os portões da tentação?

Aconselho-vos a ouvirem o álbum com a mente aberta! Não esperem nada, porque se tiverem expectativas, vão ficar desapontados. Sempre que se espera um certo tipo de música e ela é diferente, fica-se chateado, mas se não se esperar nada, é mais fácil captar a essência da música.
Esse é o meu conselho: ouçam o álbum com a mente aberta e, com sorte, vemo-nos na digressão. Talvez no próximo ano!


M.I. - Alguma mensagem final para os leitores portugueses?

Um dia destes, no próximo ano, talvez seja a nossa primeira vez a tocar aí! Por isso, esperemos que isso venha a acontecer!

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Entrevista por Raquel Miranda