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A Aula Magna praticamente esgotou para receber um dos grandes valores da música nacional, responsável por pela verdadeira música de vanguarda na década de setenta, fazendo algo no nosso país sem paralelo e sem comparação - talvez apenas os Tantra se possam incluir no mesmo registo. Se internacionalmente o rock progressivo estava a ficar na mó de baixo com a onda de música punk, em Portugal, o que surgiria seria a mistura do rock com o punk (sendo que ambas muito mais ligeiras do que aquilo que era feito lá fora a nível de atitude e da dureza de som) que monopolizaria as atenções não deixando espaço para o som e experimentação que "10 000 Anos Entre Vénus e Marte" representava.


Com um talento inegável e com uma carreira enorme, dedicada mais à música ligeira a partir da década de oitenta, José Cid não ficou alheio ao facto de que o mítico álbum gravado em 78 se tenha tornado um clássico não só cá dentro mas como cá fora, sendo considerado um dos melhores álbuns de rock progressivo a nível mundial. Não se pode dizer que o público português, na sua generalidade, tenha evoluído o suficiente para apreciar esta obra como ela merece mas Portugal ficaria, provavelmente, surpreendido ao ver um dos seus mais talentosos filhos a encher uma sala de espectáculos como a Aula Magna, não só de pessoas contemporâneas da época em que o conceituado álbum foi lançado mas também de uma nova geração, apreciadora de música de qualidade - precisamente aquela que não passa nas rádios, não é noticiada nas televisões e como tal é dada como inexistente para o português comum, o que já deve dizer algo (muito) da forma como a nossa cultura é (mal) tratada.


A impaciência e simultaneamente a antecipação para o começo por parte do público era palpável e entrou-se em delírio quando as luzes se apagaram quase meia hora depois das dez da noite. Após uma breve apresentação e agradecimento pela presença, José Cid dá início à noite de grande música com um grande clássico seu, "Vida (Sons do Quotidiano)", um épico que ultrapassa os quinze minutos que resulta de forma perfeita ao vivo, revelando uma banda coesa e ao mais alto nível. Se o público não tivesse ficado imediatamente rendido com este primeiro contacto, seria impossível tal não acontecer com o tema seguinte, mais um épico mais um clássico. Dos tempos do Quarteto 1111, a segunda parte do tema/álbum "Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas", que evidenciou o talento enorme da banda que acompanhou sem falar do óbvio, do talento de Cid como compositor e como realmente estava realmente anos luz de tudo o que era feito na altura (74/75) no panorama nacional. O público entrou activamente na interacção com a música debitada do palco, delirando com os sucessivos duelos de solos que houve entre a guitarra a cargo de Chico Martins e nas teclas, partilhadas por José Cid e o maestro Augusto Vintém.


Com duas viagens ao passado, José Cid e a sua banda levou a Aula Magna para o futuro, trazendo quatro temas do seu futuro álbum de rock progressivo/sinfónico, "Vozes Do Além" a ser gravado no próximo ano e que se baseia na poesia de Natália Correia e de Sophia de Mello Breyner. Os quatro temas foram muito bem recebidos pelo público, demonstrando um equilíbrio perfeito entre o rock (grandes solos de guitarra, mais uma vez, que Chico Martins brindou o público da Aula Magna) e a melodia, deixando no ar alguma antecipação por este trabalho e pela consequente promoção do mesmo ao vivo.


Depois deste início, o público estava mais que pronto para iniciar uma viagem pelo espaço, com a descolagem feita pelo tema "O Último Dia Na Terra", com os pormenores de teclados a serem entoados por alguns membros do público. A euforia era aprecíavel e certamente recebida como combustível para a actuação da banda. O ecrã gigante atrás da banda no palco mostrou a ostensiva arte que o vinil do trabalho aqui homenageado tem. Totalmente imerso no espírito o público vibrou a cada tema do clássico álbum e "O Caos" foi um dos pontos mais energéticos do setlist. A melancolia de "Fuga Para O Espaço" também foi muito bem recebida e entoada, mais uma vez revelando a empatia da plateia numa noite que se estava a sentir como sendo especial e única. A participação do público na melodia principal foi algo digno de ser registado - e estava a ser registado para um futuro lançamento em DVD.


O público viria a comparecer mais uma vez na tarefa de fazer os coros do tema título tornando este tema ainda mais arrepiante do que aquilo que é, tarefa que parecia impossível de acontecer. Os dois cantores de apoio em palco também ajudam em muito nesta tarefa, tanto neste tema como no "Memos" que encerra o álbum. Pelo meio ainda ficou a música instrumental "A Partir do Zero" que evidenciou novamente a grande banda de apoio a este grande músico. Para o final e revelando que estava a recuperar de uma gastroenterite e que por isso motivo não poderia tocar o álbum novamente na íntegra como tinha afirmado que faria. Acabou por tocar novamente o tema "O Caos" e o tema título, que mais uma vez foi cantado de forma arrepiante por uma Aula Magna de pé e de braços abertos.


Se a recuperar de uma doença ele dá um espectáculo destes, faria se estivesse em pico de forma. Com os seus setenta e dois anos, José Cid provou, sem ter necessidade de o fazer, que é um dos grandes músicos vivos de Portugal. Convidou a plateia para Vilar de Mouros a dia 1 de Agosto, afirmando de forma irónica que não tem nível para o Rock In Rio, demonstrando que continua a ter um sentido de humor mordaz. Uma noite em grande, com uma grande banda, grande música e um grande público, tudo de fabrico nacional. A prova que para o melhor, não devemos nada a ninguém. Nem para a magia como aquela que se fez viver na Aula Magna.

Reportagem por Fernando Ferreira
Fotografia por Anne Carvalho
Agradecimentos: Malpevent