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Dia I - 30/04/2015

A décima-oitava edição do SWR Barroselas Metalfest teve lugar nos dias 30 de Abril , 1 e 2 de Maio. Este ano, o dia 0, uma espécie de pré-dia de aquecimento para o festival, teve lugar a 29 de Abril, mas não contou com a já habitual Wacken Battle, visto este ter sido o ano em que Portugal ficou de fora. 

Aos nacionais Equalfet coube a honra de abrir oficialmente as hostilidades do festival. Apesar de ainda estar uma plateia um pouco desfalcada, a banda entrou em palco com a atitude demolidora a que nos tem vindo a habituar. Foi uma excelente actuação do grupo, embora um pouco curta, que demonstrou o quanto estes merecem estar em palcos maiores.

Originários da Colômbia, os Internal suffering vieram lançar o caos e provocar os primeiros momentos de mosh do festival inteiro. Com um som de uma brutalidade extrema, a banda que recentemente voltou aos palcos depois de um período de separação, cumpriu com as expectativas esperadas.

Os Neuroma vieram continuar a onda de destruição iniciada anteriormente. Foi uma actuação que pôs muita gente a mexer, embora tenha sido demasiado curta. Tal deveu-se ao facto de banda estar com um baterista que apenas conhecia algumas músicas do set. No entanto, não deixou de ser um concerto bastante interessante.

Skyforger e o seu pagan folk black metal subiram ao palco para nos darem uma pequena lição de mitologia báltica/letã. Por ser uma banda diferente das habitualmente vistas nos cartazes do festival, atraiu um grande número de curiosos. Estes trouxeram consigo o seu mais recente álbum de originais, “Senprusija”, lançado no inicio do mês de Abril. Foi um espectáculo intenso, com um toque pagão e ritualista que lhe proporcionou uma aura especial, e que de certeza cativou muito dos presentes. Destaque ainda para a faixa “Migla Migla, Rasa Rasa (Oh Fog, Oh Dew)”, que terminou o concerto em altas. 


Com um visual bastante descontraído e longe da habitual mancha negra que domina o festival, foi a vez dos nacionais Killimanjaro nos guiarem numa viagem espiritual. Este trio e o seu groove puseram muitos a abanar a cabeça e a sentir o som. Um concerto que primou pela sua qualidade e que deu oportunidade à banda de apresentar o seu mais recente álbum de originais “Hook”, a um outro público num palco grande.

Fleshgod Apocalypse era para muitos o momento mais aguardado da noite. A banda entrou em palco de uma forma grandiosa e teatral, mas entanto alguns problemas de sons prejudicaram o inicio do concerto. No entanto, esses problemas não afectaram a prestação da banda que encantou os presentes com a sua brutalidade musical polida com toques sinfónicos e ópera pela voz belíssima de Veronica Bordacchini, uma combinação à partida deveras estranha, mas que resultou lindamente, e chegou para provocar o caos na plateia em algumas músicas. A setlist focou-se maioritariamente nos temas do último álbum do grupo, “Labyrinth”, mas sem esquecer algumas das suas musicas mais icónicas. 

Grime veio acalmar as hostes com o seu som lento e arrastado. Muitos aproveitaram este momento para recuperar energias, para os concertos que ainda faltavam. Em palco, o grupo italiano não se deixou desmoralizar e actuou para uma casa ainda relativamente composta no segundo palco. Foi um concerto que cumpriu as expectativas e que marcou pelo seu ambiente envolvente e pesado.

Vindos da Suécia, os Shining eram os cabeça de cartaz deste primeiro dia. Irreverente e provocador como sempre o vocalista deu uma actuação na qual predominou a personificação do degredo e a teatralidade. Acompanhado por músicos de excelente qualidade, e com alguns momentos caricatos pelo meio -  tendo em conta que são um grupo de Depressive/Suicidal Black Metal - tais como uma cover da “Sweet Child O’Mine” de Guns n Roses. Estes deram um concerto deveras interessante, que dividiu as opiniões dos presentes. A setlist  surpreendeu muito pela ausência de temas do mais recente álbum de originais destes “IX- Everyone, Everything, Everywhere Ends”, e contou com alguns dos temas mais clássicos do grupo, tais como “Submit to Self-destruction”, “Låt Oss Ta Allt Från Varandra” ou “For the God Bellow”.

Incinerate foi o acto que se seguiu. O grupo trouxe consigo momentos de brutalidade que reacenderam as ânsias de mosh no público. Apesar de o som não ter estado no seu melhor, a banda apresentou uma prestação sólida que se focou no seu mais recente álbum de originais, “Eradicating Terrestrial Species”, lançado meros dias antes do concerto.

Crisix fecharam o primeiro dia, e foram uma das grandes surpresas da noite. Com uma grande descarga de energia em palco, que contagiou os presentes, fez com que todo o cansaço do dia desaparecesse de um momento para o outro. Uma grandiosa presença em palco, um moshpit gigantesco e muito stage diving foram os pontos mais altos desta actuação. Este é com certeza um grupo a ter em atenção, e a esperar que regresse ao nosso país assim que possível para voltar a espalhar a destruição. Não podia ter havido melhor forma de encerrar o primeiro dia em altas.

Dia II - 01/05/2015

O segundo dia do festival começou no meio de chuva torrencial, mas isso não desanimou os presentes. Depois de um começo em grande, o cartaz para este segundo dia deixava adivinhar uma continuação das hostilidades a um nível elevado.

Os nacionais Örök provaram que foram a escolha acertada para abrir este segundo dia de festival. O grupo apresentou o seu mais recente álbum de originais, “Übermensh”, que fora lançado dias antes do festival, e a sua actuação intensa de certo que despertou o interesse dos presentes.

Claustrofobia tiveram a primeira enchente e descarga de energia da tarde. Provenientes do Brasil e já com vinte anos de carreira, o grupo rebentou por completo com as expectativas da plateia e provocou os primeiros momentos de agitação. Foi um concerto monstro de thrash metal que soube a muito pouco. 

Devido a problemas com os voos causados pela greve da TAP, a organização viu-se forçada a adiar o concerto de Emptiness, tendo chamado os Analepsy para o seu lugar. Foi uma excelente oportunidade para a jovem banda, que aproveitou da melhor forma a chance que lhe foi dada. Estes demonstraram uma vez mais o porquê de terem andado em altas na cena nacional no último ano e deram uma excelente prestação, na qual aproveitaram para apresentar oficialmente o seu EP de estreia, “Dehumanization By Supremacy”, lançado nesse mesmo dia.

Os britânicos Bong hipnotizaram o palco SWR Colosseum com apenas duas músicas. A sonoridade lenta e arrastada não era ara todos, mas ainda atraiu uns quantos curiosos, o que proporcionou uma plateia ainda bem composta. Foi uma actuação intensa que de certo agradou aos fãs do estilo.

Os Bleeding Display tiveram uma recepção muito calorosa, tendo lançado o caos na plateia, havendo mosh, headbang, e até stage diving do inicio ao fim. A banda trouxe consigo o sue mais recente álbum de originais, “Deviance”, lançado o ano passado, e contou com a participação em palco de convidados especiais. 

Os monstros do Black Metal Enthroned, provenientes da Bélgica, tiveram um inicio um tanto atribulado. O seu  baixista, que também é membro de Emptiness, apenas chegou quase a meio do concerto,mas isso no entanto não os impediu de darem o seu melhor e de porem a pairar uma aura negra e demoníca sobre o público. A setlist foi composta na sua grande maioria por temas de “Sovereigns”, o mais recente registo destes, lançado no final do ano passado. No geral, o espetáculo foi um excelente ritual negro musical, tudo aquilo que se esperava de uma banda desta magnitude.

Zom vieram da Irlanda para nos encantarem com a descarga de brutalidade crua que é a sua música. Foi um concerto pesadão que surpreendeu pela positiva. É de certo uma banda a vir a seguir com mais atenção.

A actuação de Primordial foi muito provavelmente o ponto alto da noite. Foram cerca de uma hora e vinte minutos arrepiantes e carregados de emoção, que provocaram algumas lágrimas na plateia, e não deixaram ninguém indiferente. “Where Greater Men Have Fallen”, a faixa títiulo do mais recente lançamento do grupo, marcou o inicio de uma jornada espiritual e musical que passou por juramentos de sangue, e nos fez viajar por tempos e civilizações longínquas. A banda teve uma excelente postura e presença em palco, e falou da sua relação muito especial com o nosso país. Foi um espectáculo completamente inesquecivel, tendo ficado no final um sentimento de êxtase e vontade de voltar a repetir a experiência num futuro próximo.

Estava-se ainda no rescaldo de Primordial, quando os 11Paranoias subiram ao palco. A banda apresentou ao público nacional o seu mais recente trabalho, “Stealing Fire From Heaven”, lançado no ano passado. No geral foi um concerto com um bom ambiente, mas sem nada que o fizesse destacar-se dos restantes.

Gutalax terminaram a noite em altas com uma festa enorme e de contornos um tanto carnavalescos. Foi um verdadeiro bailarico do caos onde não faltaram adereços, polkas e disco music no meio do maior mosh pit da noite. A boa disposição reinou do inicio ao fim, tendo feito muitos esquecerem o cansaço acumulado de um grande dia de concertos.

Falta acrescentar que os Emptiness acabaram por actuar no final, cá fora no palco SWR Arena (palco grátis). Este concerto pecou pela hora tardia e pela falta de aderência. Embora o grupo tenha feito o seu melhor, e tenha sido irrepreensível em palco, estes factores condicionaram um pouco a recepção que lhes foi dada. Resta esperar que regressem ao nosso país em melhores condições.

Dia III - 02-05-2015

Depois de dois dias de chuva intensa e grandes concertos, esta edição do festival chegava agora ao seu derradeiro dia. As expectativas e o ânimo continuavam em altas.

Os Midnight Priest regressavam agora ao festival que os ajudou a lançarem-se na sua grande aventura europeia uns anos antes, para mais um concerto onde o heavy metal era a lei. Neste momento de festa, não faltaram os temas mais clássicos da banda como "À Boleia com o Diabo” e “Rainha da Magia Negra”.

RDB instauraram o clima de festa e o primeiro bailarico do dia. Nome já veterano da cena grind nacional, estes tiveram o seu regresso aos palcos do SWR. A recepção do público foi excelente e agitaram as hostes do inicio ao fim. No seu reportório constaram alguns dos seus temas mais conhecidos como “Napalm na Obra”, “Sperm to Grind Your Ears” e “Fluido Vaginal”. Apresentaram também alguns temas que irão fazer parte do seu próximo lançamento.

Zatokrev foi emocional e intenso. O grupo suíço regressou ao nosso país para apresentar o seu mais recente registo de originais, “Silk Spiders Underwater”, lançado este ano, que fez muitas cabeças abanar. Apesar de lhes ter sido dado menos tempo do que este concerto provou que mereciam, ainda houve oportunidade de fazerem uma dedicatória com a música “Goddamn Lights”. Tanto o ambiente proporcionado como a actuação do grupo estiveram ao mais alto nível, tendo no final ficado a vontade para mais.

Benighted foi provavelmente um dos momentos musicalmente mais violentos do festival inteiro. O grupo francês subiu ao palco com toda a pujança e brindou-nos com momentos de pura brutalidade e destruição, tendo tido lugar o primeiro wall of death do dia. A setlist focou-se maioritariamente nos dois últimos álbuns do grupo, “Asylum Cave” e  “Carnivore Sublime”, mas não faltaram também músicas dos seus registos mais antigos. Foi um excelente concerto, que convenceu muitos dos presentes, tendo até superado expectativas. Uma verdadeira descarga de violência e caos que tão depressa não será esquecida. 

A actuação dos Nightbringer foi mais que um concerto, foi um ritual de missa negra com uma aura demoníaca. O grupo apresentou alguns temas do seu mais recente registo de originais, “Ego Dominus Tuus”, lançado o não passado. Foi uma performance ao mais alto nível e com um certo tom de teatralidade, definitivamente uma experiência musical intensa e caótica que não era para fracos, e completamente memorável.

Os finlandeses Impaled Nazarene são na teoria uma das bandas que mais se enquadra no espírito SWR. No entanto, o concerto que muitos tinham em altas expectativas desiludiu. Musicalmente foi bom, apesar de ter havido alguns problemas com o som. No entanto, parece que ficou algo a faltar. A banda não parecia estar nos seus dias, e a sua presença em palco deixou um pouco a desejar. Foi um bom concerto sim, mas ficou muito aquém do que seria esperado para uma banda daquela magnitude e qualidade. 

O grupo alemão Ahab conseguiu a proeza de hipnotizar e cativar os presentes com os seus riffs lentos e arrastadões logo desde o inicio. O peso musical que se fez sentir naquele palco mais pequeno e acolhedor (a actuação destes teve lugar no palco Loud! Dungeon), proporcionou um ambiente fantástico ao concerto que nos fez viajar por mares de emoção. Foi uma excelente prestação que surpreendeu bastante, e de certo ficou marcada na memória de muitos como sendo um dos pontos altos da noite, tendo também no final ficado no ar uma ânsia dormente para mais.

Os Entombed AD renasceram que nem uma fénix dos lendários Entombed, e o brutal concerto que deram foi mais uma prova disso. Este foi definitivamente mais um dos pontos altos de todo o festival. Com uma setlist que foi um verdadeiro luxo, onde não faltaram alguns dos  temas mais icónicos de Entombed como “Revel in Flesh”, “Left Hand Path”, “Chaos Breed” e “Chief Rebel Angel”, a banda incentivou o caos e a destruição do inicio ao fim. A presença destes em palco foi grandiosa e o ambiente de violência e brutalidade deram um toque especial ao concerto. Foi completamente arrepiante, e mesmo com AD no nome o espírito musical dos gigantes Entombed, e do death metal sueco old school, ainda perdura e encanta.

Lvcifyre foi uma autêntica bujarda musical. O grupo não se deixou intimidar pelo facto de seguirem a actuação dos Entombed AD e deram um concerto monstruoso. O grupo trouxe consigo “Svn Eater”, o seu mais recente registo de originais, que funciona muito bem ao vivo. Foi uma autentica descarga de energia e brutalidade com contornos negros e sufocantes, que no final deixou uma sensação agradável de dormência. 

Aos Skullfist coube a tarefa de fechar o festival. O heavy metal foi novamente a lei com este jovem grupo canadidano a encarnar o espírito (e a sonoridade) old school deste estilo. A setlist andou a volta do último álbum do grupo, “Chasing the Dream”. Estes demonstraram uma grande presença em palco e proporcionaram um grande ambiente de festa contagiante que fez com que muitos esquecessem o cansaço que se fazia sentir após três grandes dias de festival. 

Um terceiro palco, SWR Arena, de entrada livre, funcionou todos os dias do festival, inclusive no dia zero, e por lá passaram alguns nomes como Phil Goes Down, Dehuman, Without Face, Vizir, Wells Valey, Mother Abyss, Rato Raro e Jibóia entre muitos outros. Foi uma boa forma de dar a mostrar o trabalho de algumas bandas,e que funcionou como aquecimento e after party para os concertos nos palcos principais. 

E como nem só de música se faz um festival, há que destacar o ambiente de festa e o espírito de camaradagem que foi vivido durante estes três dias. Apesar de as condições atmosféricas terem sido longe de ideais ou até mesmo agradáveis, o pessoal não desanimou e aproveitou da melhor forma possível tudo aquilo que o festival tinha para oferecer. Foi mais uma edição de sucesso do SWR Barroselas Metalfest, que como sempre, deixa saudades. Para o ano há mais!


Texto por Rita Limede
Fotografias por Ana Carolina
Agradecimentos: SWR Inc