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Os Fuck The Facts são de longe a maior banda de grindcore do Canadá. Em quinze anos de carreira fortaleceu a sua posição no underground com infindáveis lançamentos, demos, splits, EPs e álbuns. Não é também a mais convencional das bandas em termos sonoros, não tendo medo de experimentar quando sente que o deve fazer. "Desire Will Rot" é o nono álbum de originais da banda e é um bom resumo de todas as suas potencialidades e capacidades. Para quem nunca lhes deu muito valor, sem dúvida que ficarão surpreendidos, pela variedade mas sobretudo pela qualidade.

Composto por onze faixas, "Desire Will Rot" pode e deve ser visto como uma viagem pelas diversas facetas da banda, com os primeiros temas a serem consecutivas pedradas no charco em forma de cuspidelas raivosas de grindcore, mas que não dispensam um toque aqui e ali de metal, como é o exemplo dos solos de guitarra bem melódicos. A voz Melanie Mongeon deverá servir também de exemplo para aquelas vozes irritantes femininas que por vezes aparecem no grindcore e que não são mais do que pesadelos sonoros. Tudo bem que o grindcore é suposto ser extremo, mas um pouco, mínimo de talento, também não faz mal a ninguém.

Portanto se malhões como "Everywhere Yet Nowhere", "Shadows Collide" e "Prey" são um festim para a violência sonora, temos coisas surpreendentemente melódicas como a "La Mort I", "Storm Of Silence" e "Solitude". Como se não bastasse, para o final ficaram três faixas, as mais longas e também as mais experimentais. "False Hope" é talvez a mais convencional, pelo menos no seu início já que depois se vai transformando lentamente num peça de doom rock onde o groove é inegável. De seguida, "Circle" nos seus quase oito minutos, onde a banda dá tanto no ambient, como no drone ou noise. "Nothing Changes" encerra o álbum com chave de ouro, com doom, um toque de pós-metal num monolito discórdico que vai embalando o ouvinte.

Para quem considera o grindcore um beco sem saída, os Fuck The Facts provam, mais uma vez que as limitações estão na cabeça de cada um. Isso e a falta de criatividade.


Nota: 9/10

Review por Fernando Ferreira