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Da Grécia chegam-nos os Lachrymose com esta estreia, “Carpe Noctum”. Com membros dos Rotting Flesh, o que esta nova banda apresenta aqui é um death/doom de contornos góticos que dá logo ideia de estar desfasado no tempo. Mas já lá vamos. Antes de tudo, e apesar daquilo que a intro orquestral sugere, a banda não faz grande uso de teclados – até porque não tem teclista na sua formação – confiando apenas nas guitarras e na voz de Hel para dar uso (e abuso) à melodia. É nesta parte fulcral onde as coisas começam a falhar. Não é que Hel tenha má voz – muito pelo contrário – apenas a usa de forma genérica, tal como muitas bandas nos finais do milénio passado e inícios do presente.

As músicas apontam numa direcção doom que é sempre de salutar, embora, lá está, é uma abordagem doom mais próxima do heavy metal do que propriamente do death metal. Cá no nosso burgo vimos surgir algumas bandas deste género, como os In Soulitude e Oratory. Para ser bastante franco, qualquer uma destas bandas fizeram um trabalho mais apelativo que as músicas que nos são apresentadas nesta estreia. Isso nota-se sobretudo nas músicas de longa duração (“My Shadow (A Revelation)” e o tema título) em que há uma pontada de aborrecimento que se começa a instalar e abordagem vocal de Hel cansa.

É um trabalho que agradará aos que gostam de vozes femininas e que não andam à procura de emoções muito fortes e mesmo assim não é garantido que todos estes consigam apreciar à primeira “Carpe Noctum”. Deixa um sabor insonso nos ouvidos e acaba por terminar sem deixar muitas saudades, isto sem também deixar a noção de que se trata de um álbum declaradamente mau. Vive ali na mediania que está condenada a passar despercebida, tal como o trabalho como o seu todo, exceptuando um momento ou outro, como a energética “Face Of Horro”. Isto acontece durante a audição mas principalmente depois desta findar.


Nota: 5/10

Review por Fernando Ferreira