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O grito da “The Repressed” soa como um autêntico declarar de intenções, ainda para mais quando se segue de uma guitarrada cheia de groove que vai buscar um pouco aquele feeling de meados da década de noventa onde tínhamos propostas como Down, Corrosion Of Conformity ou até o mal amado “Load” dos Metallica. Claro que quando se fala nestas três propostas diferentes mas com alguns pontos em comum, há sempre um nome que é impossível de não mencionar – Black Sabbath. E o mesmo se passa com o álbum de estreia dos 88 Mile Trip, o aparecimento do bom e velho heavy doom aliado de um reconhecível sabor stoner doom que está sempre omnipresente.

Ou seja, não é nada de novo, não é nada que não tenhamos já ouvido muitas vezes antes mas é todo esse o encanto de bandas como estas, pegar naquele que é o puro rock norte-americano, que na verdade teve o seu maior desenvolvimento no Reino Unido, e continuar a apresentar novas formas de revitalizar o género. Bem, no caso dos 88 Mile Trip não poderemos falar bem de revitalizar o género mas que pelo menos temos nove malhas que rockam como nunca, isso é um facto. É essa simplicidade que muitas vezes confunde muitos. E irrita. Por outro lado, temos muitos que deliram que o frenesim sabbathiano de malhas como “20 And 8” e “Burn The Saints”.

Esta banda canadiana pode não apresentar nada de novo com a sua estreia discográfica mas demonstra também uma capacidade acima da média para escrever músicas que apelam aos instintos metaleiros mais básicos e geram momentos de identificação instantânea. Podemos até nem ter um impulso para ouvir este álbum compulsivamente mas o que é certo é que ao ouvir um tema como “Burn The Saints” e o seu longo solo/secção instrumental não precisamos de mais justificações. Se todas as coisas da vida fossem simples como o heavy/stoner/doom, sem dúvida que este mundo seria muito melhor. E mais relaxado.


Nota: 7/10

Review por Fernando Ferreira