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A olhar para a capa deste “The Transcendence” fica-se com a ideia de que é um vinil qualquer (ok, se olharmos para a capa numa qualquer imagem na internet) esquecido da década de setenta. Lembram-se daquelas capas estranhas que se encontra sempre na colecção de vinis – algo que com o tempo começa a deixar de se poder dizer – de nomes obscuros que o tempos se encarregou e bem de enterrar. É que a capa transmite. Com um forte visual apoiado na década de setenta – o moço da direita então parece que é um Hell Angel que andou a fazer segurança pelos Rolling Stones aquando o mítico concerto que resultou no filme “Gimme Shelter”.

Musicalmente a coisa também não anda muito longe com um hard rock e com direito a uma voz de Jenna Disease arraçada de Janis Joplin – sim, os Blues Pills não são os únicos a possuir uma arma secreta deste calibre. E é inevitável não mencionar os Blues Pills como termo de comparação, embora aqui a base esteja mais longe do blues e mais próximo do hard rock. Simplificando demasiado, este seria o resultado se tivéssemos a Janis Joplin, mais contida vocalmente, a cantar com os Thin Lizzy a dar-lhe apoio. E poderá já cansar ouvir-nos dizer como estas bandas que vão buscar inspiração aos dias de ontem são fantásticas, mas a verdade é que este som é imortal e a contemplação da imortalidade deverá ser sempre enaltecida.

Todos os temas aqui contidos são preciosidades. Não por soarem a velho, mas pela energia genuína com que são debitadas e a forma como batem no ouvinte. Claro que não gosta de música, perdão, de hard rock de qualidade, poderá correr o risco de não encontrar qualidades em “The Transcendence”. Não tem nada de extremo, a distorção é quase substituída pelo fuzz e ainda assim tem-se bastante duelos harmónicos entre as duas guitarras e uma forma de escrever músicas que não são destes tempos. Parafraseando Saint Vitus, são temas como “Stargazer”, “Gotta Move” e “Break Up” (exemplos evidentes daquilo que pode ser encontrado nas restantes oito faixas) que nos fazem sentir que nascemos tarde demais.


Nota: 9/10

Review por Fernando Ferreira