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Heavy metal atmosférico. Já ouvimos muita coisa, já inventámos muito, mas heavy metal atmosférico nunca nos passou pela cabeça. A primeira coisa que nos ocorre quando temos rótulos como este é "temos que ouvir isto". Bem, a avaliar pela primeira faixa a sério (sem contar com a curta intro "Principio: Morsus), seria mais simples dizer que se trata de um heavy/power metal progressivo. Claro que não teria tanto impacto... mas pelo menos ia-se directo ao assunto. A parte do atmosférico deverá ser devido, de certeza, à utilização dos teclados, no entanto, não nos parece que seja suficiente para que o rótulo pegue.

Pormenores aparte, porque o que interessa é mesmo a música, este trabalho é um belíssimo trabalho de metal progressivo. Complexo, pesado, intrincado e mesmo assim com capacidade para trazer alguns momentos memoráveis - "Beyond This Scene" tem um riff que nos faz remontar aos dias dourados do power metal no final da década de noventa. Tendo em conta que esse é o grande desafio do metal progressivo, o jogo entre o uso e abuso da técnica e das composições complexas e o ter músicas minimamente memoráveis. Os italianos conseguem-no com destreza - ouvir o tema instrumental "Disharmonic Chaos", para se ficar com uma boa ideia disto.

Um dos pontos positivos da banda, além da óbvia destreza e talento dos instrumentistas, é a voz de Darka, a surgir como uma espécie de fusão entre Peter Gabriel dos tempos de Genesis, Phish dos tempos dos Marillion e Geoff Tate dos tempos dos Queensrÿche (os originais), uma voz que acaba por causar alguma estranheza inicialmente, é verdade, mas que consegue instalar-se bem e melhor que isso, ajuda a que as próprias músicas sigam o mesmo caminho. Trata-se de um segundo álbum a revelar uma banda que tem tudo para ascender à primeira divisão do metal progressivo. Bom álbum e boa surpresa.

Nota: 8.2/10

Review por Fernando Ferreira