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Hardholz são uma banda de hard’n’heavy (embora aqui descaiam mais, muito mais, para o heavy) alemã que esteve em hibernação durante dezassete anos e que volta agora para o segundo álbum. Faz-nos pensar que a banda é como alguns dos vilões de filmes de terror como Jeepers Creepers ou dos Ficheiros Secretos que voltam de 30 em 30 anos, sendo que neste caso o prazo é mais curto. Não querendo dizer que os alemães são assim tão maléficos para a humanidade. Felizmente não é o caso, embora de início não pareça.

“Charon”, o primeiro tema de “Herzinfarkt” é banal e fora a produção moderna, não tem qualquer tipo de força ou potência que nos chame a atenção e tem a agravante de ser cantado em alemão, tal como todos os restantes temas. É logo uma agravante que nos faz pensar que vamos ter aqui uma estopada de todo o tamanho. Felizmente logo surge um “Die Prophezeiung” que nos apresenta com um saudável feeling Maiden que é mais que bem vindo e felizmente não está só porque nas seguintes “Herzinfarkt”, “Praeludium Wielandia” e “Wieland, Der Schmied” (estas duas últimas devem ser ouvidas de seguida) temos os mesmos pontos positivos.

E é fantástico este sentimento de sentirmos que nos enganámos e fomos injustos, porque é bem melhor termos uma banda a surpreender-nos pela positiva do que pela negativa. A forma como a banda trata o heavy metal neste álbum é de tal forma viciante que é impossível não voltarmos a ouvir certos temas, principalmente os instrumentais – sim, a questão da língua não desaparece e não deixa de ser um obstáculo que temos para que o vício seja maior, mas também serve para colocar em perspectiva… se assim já é o que é, faria se cantassem em inglês. Grande regresso e esperemos que não demorem 17 anos para voltarem a aparecer, até porque já se viu que não têm jeito para serem considerados flagelos à humanidade. Quando um álbum acaba com uma versão heavy metal do “Homem da Harmónica” do Enio Morricone, retirado do filme "Aconteceu No Oeste” é porque existe mesmo aqui algo de especial.


Nota: 8/10

Review por Fernando Ferreira