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Agora para algo completamente diferente. O que dizer da ideia de pegar em músicas tradicionais da cultura inglesa e escosesa e passá-la para a guitarra eléctrica? Para já, para os amantes do folclore anglo-saxónico (e e este termo folclore assume um sentido tão perjorativo quando enunciado em português, já que nos faz pensar em ranchos, no entanto, não é à tua que o mesmo é empregue aqui) a premissa é vencedora. Para os amantes do folclore e da música experimental (como o drone misturado com o ambient) então é tiro em cheio a dobrar.

O conceito do disco é pegar numa série de músicas do folclore inglês e escocês, como já dissemos, tendo como elo de ligação entre eles, as letras que falam de encontros de humanos com seres de natureza sobrenatural. Não que isso tenha particular relevância em termos musicais já que o disco soa assombroso de qualquer forma. Em poucos momentos temos a aproximação ao folk que tanto gostamos. O mais relevante talvez seja mesmo a "Rose In The Heather", mas esse não é um problema. Na verdade, é uma vantagem, bem grande.

Gravado apenas com uma guitarra, o foco mais que nas melodias que nos são fáceis de reconhecer (haja alguma vantagem por termos sido bombardeados durante anos e anos com a cultura deles) está nas ambiências criadas, sendo que em muitos momentos parece que estamos mais perante algo ambient drone do que propriamente versões de clássicos intemporais tocados com instrumentos acústicos. É neste ponto que a distorção assume toda a importância ficando uma abordagem muito diferente, algo fantasmagórica, que nos prende. Claro que compreendemos quem ache que apenas uma guitarra com distorção é uma seca descomunal... embora para nós é precisamente o oposto.


Nota: 8/10

Review por Fernando Ferreira