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“Winter’s Gate” é o 7.º álbum dos finlandeses Insomnium. Niilo esteve à conversa com a Metal Imperium e falou sobre o único tema do novo álbum e fez um apelo especial aos portugueses.


M.I. – 19 anos volvidos desde a formação dos Insomnium, estamos aqui para conversar sobre o 7º álbum da banda… a banda cresceu muito desde o início. Alguma vez imaginaste que seria assim?

Nem pensar! Éramos uma banda muito humilde com poucas expectativas, nunca pensamos que chegaríamos aqui, que andaríamos em tournée por todo o mundo, que faríamos sete álbuns e que seríamos tão grandes como somos agora. No início, eramos putos com 16/17 anos e queríamos tocar numa banda por diversão, aprender a escrever músicas e fazer uma demo… mas as coisas foram acontecendo e chegamos aqui!


M.I. – O álbum “Winter’s gate” é composto por um único tema com 40 minutos que foi baseado num história escrita por ti e que ganhou uns prémios literários. Porquê o título “Winter’s gate”?

Tem a ver com a história… não quero revelar muito mas está relacionado com um grupo de vikings que estava a viajar para a Irlanda e o inverno estava a chegar… eles sabiam que deviam voltar para casa, caso contrário estariam em apuros. “Winter’s gate” refere-se a algo que aconteceu. Penso que é um bom nome para a história e penso que tem a atmosfera adequada para a história e para a música.


M.I. – Como te lembraste de usar esta história no álbum?

Eu escrevi-a há uns 10 anos atrás e não tinha nada a ver com Insomnium, era ago pessoal. Recentemente pensei que seria fixe escrever um tema longo e achei que a história encaixaria na perdeição. Fiquei reticente por ser uma história sobre vikings e nós não somos um banda de viking metal mas, como a história é melancólica, decidi mostrá-la aos outros membros da banda e eles gostaram do conceito. Então, decidimos traduzir a história para Inglês e enviámo-la para a editora que adorou a ideia e nos disse que até estavam a pensar inclui-la num livro.


M.I. – Deve ter sido muito trabalhoso transformar a história numa música, não?

Claro que foi difícil mas estivemos os 3 a compor a música e foi incrível termos facilmente conseguido obter as melodias. Muito rapidamente tinhamos conseguido 40 minutos de material. O processo foi muito fácil. Tivemos de adaptar a história às letras e recontar tudo de maneira que encaixasse na música e isso é que foi mais demorado. Há muitas interpretações para a história e é possível descobrir detalhes novos de cada vez que se ouve a música ou que se ouve a versão audio da história contada por mim… é um álbum multidimensional.


M.I. – Um livro com a história será disponibilizado com o CD… é um sonho tornado realidade? Foi a primeira vez que escreveste histórias?

Eu tinha 8/9 anos quando comecei a escrever histórias, portanto a minha primeira tentativa de criar arte foi com a escrita. Só na adolescência é que comecei a envolver-me na música e deixei a escrita de parte. Agora partilho o meu tempo livre entre a música e a escrita, pois gosto de fazer as duas coisas. É um sonho tornado realidade no sentido de ver a minha história publicada a nível mundial e traduzida para Inglês e Alemão. Espero mesmo que o pessoal a consiga apreciar. Sinto-me verdadeiramente afortunado!


M.I. – O álbum é muito rico com diferentes melodias e emoções. Quais são as tuas expectativas?

Vamos ver como corre! Claro que para alguns será demasiado dificil porque não conseguirão estar concentrados durante tanto tempo e é mesmo necessário ouvir o álbum algumas vezes antes de se conseguir “entender”… exige que se tenha tempo para ouvir e explorar… haverá sempre um pormenor novo a cada nova audição. É na mesma um álbum de Insomnium e não estou preocupado. O feedback tem sido muito bom e os fãs têm gostado muito. 


M.I. – Então tendes tocado partes do álbum nos festivais de verão? Como é que o pessoal tem reagido?

Não, as pessoas ainda só ouviram as partes que estão incluídas nos trailers. A primeira vez que tocaremos o tema ao vivo será na tournée em Outubro.


M.I. – Já que o álbum é composto por um único tema de 40 minutos, será fácil tocá-lo ao vivo? Não poderá tornar-se aborrecido já que não haverá pausas?

Espero que não e acho mesmo que não. Claro que não haverá pausas mas isso já acontece quando tocamos 5 ou 6 temas sem falar com o público. Como as melodias variam bastante, há momentos em que os músicos podem beber água e relaxar um pouco e não será monótono. Para quem não é fã, pode ser demasiado puxado mas acho que, por lealdade aos nossos fãs, devemos tocar o tema completo ao vivo. Veremos como corre!


M.I. – O Dan Swano foi escolhido para masterizar e misturar o álbum. Porquê ele?

Ele foi a escolha óbvia, porque tem trabalhado com os Omnium Gatherum. Todos somos fãs de Edge of Sanity e isto é uma espécie de tributo a essa banda de culto. Mal lhe perguntamos se estava interessado, ele concordou. Ele aprecia bastante o álbum e já o disse várias vezes. Foi uma experiência espectacular poder trabalhar com alguém que sempre admiramos!


M.I. – Sim, ele disse que o álbum tem potencial para entrar para a lista dos melhores álbuns de um tema só. Deve ter sido uma alegria ouvir isso! De qualquer modo, deverá ser complicado lançar um vídeo promocional , não? O que estais a pensar fazer?

Bem, temos lançado trailers para que os fãs possam ir ouvindo partes do álbum mas lançar um vídeo de 40 minutos é quase impossível devido aos custos elevados. Portanto, quero deixar aqui um apelo aos fãs portugueses: Caso tenham jeito para animações, seria espectacular se conseguissem fazer um vídeo que se adequasse ao álbum, com animações do género das originais e se fosse a preto e branco seria porreiro! Se conhecerem alguém capaz de fazer algo deste género, entrem em contacto connosco!


M.I. – Vou tentar ver se encontro alguém! Daqui a dois dias celebrarás o teu 37º aniversário e tocarás ao vivo nesse dia… é a forma perfeita de celebrar?

É fixe que assim seja mas, normalmente, nesta época do ano, tocamos em festivais e é frequente tal acontecer no meu aniversário! 


M.I. – Já verifiquei as datas da tournée e Portugal não consta da lista. Porquê?

Geralmente fazemos tournées pequenas com pouco mais de três semanas mas depois mais datas vão surgindo. Já estivemos a conversar que gostaríamos muito de incluir Portugal e Espanha pois raramente vamos aí… vocês estão aí num cantinho de difícil acesso! Nós queremos muito ir aí e já andamos a ver possibilidades. Ainda não sabemos se será num festival ou não mas temos uma relação especial com Portugal e com os portugueses, porque já trabalhamos com técnicos portugueses e adoramos!


M.I. – Qual foi a maior lição que aprendeste ao longo destes anos com os Insomnium?

É uma pergunta difícil! Cresci muito, porque tocar numa banda implica que aprendas a trabalhar em grupo e exige trabalho em equipa, dinâmica de grupo e tudo o mais. Penso que é um dos melhores hobbies para se ter porque estás com os teus amigos e tendes um objectivo comum, viajais juntos e aprendes muito sobre ti e sobre os outros.


M.I. – Tens de trabalhar para além do trabalho com os Insomnium?

Esta é uma das situações mais complicadas… organizar a tua vida e conseguir gerir um emprego e tournées e a banda. Há dois anos tive de optar e escolhi dedicar-me à banda. Andava tão stressado por não conseguir cumprir tudo, que já não gostava de nada e sentia-me em baixo. Mas tenho de me sustentar e agora a banda está numa boa posição mas não sei quanto tempo durará. Foi muito complicado ter de optar!


M.I. – Já viajaste por todo o mundo com os Insomnium. Qual o país que mais te surpreendeu, positiva ou negativamente?

Pergunta difícil… o que hei-de dizer?! Adoro viajar e conhecer novos países e culturas. Acho que foi na China, por ser tão diferente e estranha, comparando com a Europa. Tocamos lá em Maio em Shangai e depois fomos para Pequim mas o concerto era numa localidade a cerca de 70 kms. Lá tinha uma réplica da Cidade Proibida e estava completamente vazia. Estavamos lá nós e mais ninguém! Era assustador. Eramos os únicos clientes do restaurante. No concerto tinha pessoal mas, fora disso, não se via vivalma. Foi uma das experiências mais estranhas e surreais da minha vida!


M.I. – Já tiveste oportunidade de conhecer alguns dos teus ídolos musicais? 

Sim, conhecemos os Paradise Lost, Amorphis, Dark Tranquillity… andamos em tournée com músicos que sempre apreciamos. O primeiro impacto foi estranho porque éramos fãs deles desde a nossa adolescência mas, agora que os conhecemos, vemos que são pessoas simples e simpáticas e que são como nós.


M.I. – O que tens ouvido neste últimos tempos?

Tenho viajado tanto que nem tenho tempo para ouvir música. Tenho muito a tendência para ouvir álbuns antigos que me influenciaram.


M.I. – E, quando tocas ao vivo, ouves as outras bandas do cartaz?

Se for possível, ouço. A maior parte das vezes, andamos sempre a correr… chegamos lá, fazemos o soundcheck, tocamos e arrancamos logo para a cidade seguinte mal saímos do palco.


M.I. – Os fãs portugueses estão desejosos que Insomnium voltem a Portugal, portanto deixa uma mensagem aos fãs e leitores da Metal Imperium.

Estamos ansiosos por regressar a Portugal. Já faz algum tempo que fomos aí mas esperamos voltar em breve! Sois um espectáculo!

Entrevista realizada por Sónia Fonseca