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Ainda talvez a saborear o êxito que foi o Moita Metal Fest 2017, a equipa que o produziu criou o conceito “MMF Sessions”, estabelecendo ao longo do ano uma continuidade da sua actividade  e trazendo a Portugal bandas de qualidade. Na passada sexta-feira, 19 de maio, o RCA Club , em Lisboa, recebeu uma delas, com o regresso a Portugal dos espanhóis Angelus Apatrida, poucos dias antes de abrirem para Slayer, nos concertos da banda norte-americana no país de nuestros hermanos.

O relógio marcava poucos minutos depois das 21h30 quando entraram em palco os Toxikull, que trouxeram de Cascais o seu speed thrash a mil à hora. Aproveitando o concerto no RCA para encerrar a sua “Black Sheep Tour”, que desde início de Abril viu a banda actuar em diversos clubes e festivais de Portugal e Espanha, Lex Thunder e companhia mostraram um excelente entrosamento, debitando uma mão cheia de faixas do seu CD de estreia (“Black Sheep” – Non Nobis, 2016) com muito power, e isto apesar do pouco público que à hora da sua atuação estava na sala. Destaque para “Vicious Life”, um tema do mais puro speed metal, e “The Shepherd”, o último tema do alinhamento, onde Antim concilia a tarefa de baixista com a vocalização, e que culminou um curto mas brutal desempenho dos Toxikull.

Breve pausa para mudança de material e do pano que atrás do baterista publicitava a banda em palco, e tomam posição os In Chaos, para uma prestação que apesar de ter raiado o brilhantismo, acabou marcada por imensos problemas com o amplificador do guitarrista-solo Jorge Martins, e que teve mesmo de ser mudado a meio do concerto (com um agradecimento público aos Toxikull pelo empréstimo). A actuação da banda lisboeta centrou-se no seu LP de estreia, “From Chaos Rises Order” (2016, Music In MY Soul), com o seu heavy/thrash melódico a preparar de forma muito competente para o que viria depois. Mesmo com os problemas na amplificação, Jorge Martins é um dos melhores instrumentistas, e a sua prestação em faixas como “In Hell”, “Dropzone” ou “World War III”, a encerrar o concerto, foi incrível de ver. André Marinho é um baixista/vocalista muito confiante e extremamente capaz, liderando um grupo extremamente coeso, que conquista cada vez mais público a cada concerto que passa. A quantidade de pessoas que envergava a t-shirt da banda é disso testemunho!

Nova pausa para troca de algum material de amplificação e começam a ocupar o seu lugar os membros dos Angelus Apatrida, que aproveitam o tempo para uma rápida afinação e troca de ideias com o técnico de som da sala.

Se há regra facilmente aplicada ao metal é a de que vamos ter verdadeiro speed metal se o guitarrista-solo aparecer em palco com uma Flying V da Jackson. O regresso a palcos nacionais do quarteto espanhol Angelus Apatrida foi uma celebração do thrash metal na sua vertente mais rápida, com o frontman/guitarrista Guillermo Izquierdo e o guitarrista David Alvarez a debitarem riffs a uma velocidade estonteante, para delírio de quem decidiu não ficar por casa e veio até Alvalade apoiar a banda de Albacete. Habituais por paragens lusitanas, os Angelus Apatrida têm já uma boa legião de fans por cá, e apesar do RCA não ter registado lotação completa, estava difícil circular pela plateia. Com uma energia estratosférica e uma visível alegria por tocar em Lisboa, a banda percorreu toda a sua discografia, elegendo os seus temas mais clássicos, mas naturalmente com ênfase no mais recente “Hidden Evolution” de 2015, que à semelhança dos anteriores “The Call” (2012) e “Clockwork” (2010) teve produção de Daniel Cardoso. Temas como “End Man”, “Give’Em War” ou “First World of Terror” colocaram o RCA em polvorosa, com a plateia a atingir ponto de ebulição numa prestação apoteótica de “Fresh Pleasure”, com a presença em palco do Hugo Andrade (Switchtense) na voz para ajudar à festa.

Para o encore, e a encerrar a noite em beleza, ficaram os clássicos “Serpents on Parade” (dedicado aos políticos espanhóis e com muito dedo do meio mostrado), “Thrash Attack” (com especial menção ao público português e ao apoio que presta ao underground), e “You Are Next”, um ponto final numa hora e picos de concerto, e que meteu o público todo a cantar o refrão, para evidente alegria da banda.


Fotografias por Ana Mendes
Texto por Vasco Rodrigues 
Agradecimentos: Moita Metal Fest