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Segundo dia do VOA Fest – iniciamos com expectativa e temperatura altas, como de costume. 

Mal os Terror Empire entraram em palco, imediatamente conseguimos assinalar os fãs fervorosos da banda – que não eram poucos. A plateia já começou mais composta face ao dia anterior. O vocalista Ricardo Martins riu-se (literalmente) do sol: “calor, cerveja, Satan, seitan”, e a partir daqui tanto ele como os restantes membros foram explosivos em quase meia hora de atuação. A banda vai lançar um novo álbum, “Obscurity Rising”, no próximo mês de Setembro, e foi possível ter um cheirinho (bom) do que vem aí. Chegaram e conquistaram.


Foi a vez dos espanhóis Childrain, do País Basco, pisarem o palco, nesta que foi a sua primeira passagem por terras lusas. A banda não era propriamente conhecida dos portugueses, embora estejam a alcançar cada vez mais notoriedade no seu país de origem (na realidade, já contam com um EP e três álbuns lançados, destacando-se o último, “Matheria”, nomeado em várias categorias). Apresentando um estilo metalcore com laivos de death metal melódico, a banda conseguiu agarrar o público português desde o início, apresentando-se comunicativa sempre que possível. Certamente ganharam fãs por cá.

O palco Loud! do segundo dia arrancou com os Adamantine. É certo que os lisboetas experienciaram alguns problemas a nível de som; contudo, conseguiram arrancar bastantes aplausos da plateia. Trouxeram-nos maioritariamente temas do seu último registo, “Heroes & Villains”, lançado no início do ano, e que apresenta uma sonoridade bastante interessante, oscilando entre o death melódico e o thrash metal. Riffs muito apelativos, letras que se destacam. 
Ficou claramente o desejo de os ver noutro contexto, e de os ver “Reborn In Darkness”, como referem num dos seus temas. 

Sem tempo de respirar, é a vez dos Death Angel surgirem em cena, um nome que ainda é desconhecido por alguns (ou cujo trabalho não foi aprofundado). Estes veteranos do thrash metal podem não ter alcançado o sucesso merecido (fruto, talvez, de um largo interregno nos anos 90, onde os membros da banda acabaram por abraçar outros projetos), se compararmos com outros nomes sonantes do thrash que surgiram na mesma altura, e que hoje são, sem pestanejar, cabeças-de-cartaz nos maiores festivais. Mas ficou provado que são capazes de dar um concerto digno de veteranos e tirar muitos (mas muitos!) pés do chão. Sempre bastante comunicativos com o público, fizeram uma provocação ao público português digna de registo -  apontando para os seguranças de serviço, referiu que eles não estavam ali apenas para olhar: “they are being paid, make them fucking work!”. E assim o fizeram. Os crowd surfers apresentavam-se em número superior aos seguranças, e foram vários os que repetiram a proeza vezes sem conta. A poeira não assentou. Destaque para temas como “Ultra Violence” (embora não tocada na totalidade), “Kill As One” (demo produzida por Kirk Hammett, nos primórdios da banda), “Lost” e “The Moth”.

Voltamos ao palco “dos portugueses” e, desta vez, cantando-se heavy metal também na língua portuguesa, com os Cruz de Ferro. O vocalista e guitarrista Ricardo Pombo foi direto – o tempo era curto e a banda estava ali para tocar, não para falar; “mas podem cantar comigo!”, refere. Esta data marcou a reedição do seu EP de estreia, “Guerreiros do Metal” (recordamos que a banda tem também um longa-duração, “Morreremos de Pé”, de 2015). 
Patriotas, mas bárbaros. Crus, porém épicos. Os “Defensores” foram recebidos e aplaudidos com euforia. 


Os Venom, liderados por Cronos, o único membro original da banda, eram um dos nomes mais sonantes desta edição do VOA. E com motivos para isso. Nesse sentido, mesmo que a banda tenha iniciado com temas mais recentes, o público ficou eufórico e os circle pits não tardaram em aparecer (e permanecer). Embora satisfeitos com temas como "From The Very Depths" e "The Death Of Rock'n'Roll", foi com os clássicos que o público vibrou: “Buried Alive”, “Bloodlust”, “Welcome To Hell” ou “Countess Bathory”, por exemplo. Cronos questiona se existem “punks” na plateia e o público responde, ouvindo-se as primeiras filas a entoar “Long Haired Punks” (talvez, dos temas mais recentes, aquele onde os fãs se manifestaram mais). Não tendo sido uma atuação perfeita do ponto de vista técnico, certamente que convenceu os fãs. O melhor para o fim: “Black Metal” e "Witching Hour" fecharam a atuação. 

A última atuação do palco Loud! nesta noite esteve a cargo do supergrupo Rasgo, projeto recente composto por membros e ex-membros dos Shadowsphere, Ignite The Black Sun, Tara Perdida, Trinta e Um, Pé de Cabra, Sacred Sin e Witchbreed. Com lançamento do seu álbum de estreia em Outubro, “Ecos da Selva Urbana”, a banda já havia mostrado aquilo que valia aquando da abertura do concerto de Slayer, no passado mês de Junho. Era, portanto, um dos nomes mais esperados deste palco, e com razão. Apesar de o som ter estado bastante alto ao longo da atuação, o certo é que foi uma das prestações mais aplaudidas no palco Loud!. Cantando em português, o vocalista Paulo Gonçalves puxou pelo público do início ao fim da atuação e ainda espicaçou o público que assistia à atuação sentado no relvado. Foi possível ouvir o tema-título do álbum, “Homens ao Mar (Puxa!)”, entre outros. Como o próprio nome do grupo indica, foi sempre a rasgar, e o público conseguiu um circle pit respeitável, mesmo com um espaço mais diminuto face ao palco principal. Depois deste lançamento, ficaremos a aguardar por datas em nome próprio. 

A noite terminou com os finlandeses Apocalyptica, que vieram comemorar o 20º aniversário do lançamento do muito aplaudido “Plays Metallica On Four Cellos”. Eicca Toppinen, que comemorava também o seu aniversário naquele dia, referiu que há 20 anos atrás estavam longe de imaginar o percurso que os Apocalyptica viriam a percorrer. E apesar de interpretarem os temas da banda norte-americana de forma sublime, o certo é que o seu valor enquanto banda vai muito para além do álbum acima indicado (como o próprio Eicca recordou). Este é um facto provado pelos vários álbuns de originais que entretanto vieram a lançar, enchendo palcos como o Coliseu de Lisboa e do Porto. Mas sim, esta era uma noite dedicada aos temas dos Metallica, e que bela noite foi. Não tocaram apenas os clássicos como “Enter Sandman”, “Master Of Puppets”, “Sad But True” ou “Fade In Black” (esta última, marcada pela entrada da bateria na atuação, que veio complementar a bela sonoridade dos violoncelos; surpreenderam com “Escape”, um excerto da “Thunderstruck”, dos AC/DC, entre outros grandes momentos. Eicca referiu que há 20 anos não se atreveram a incluir “Battery” no álbum dedicado aos Metallica, devido à complexidade do tema (foi incluído numa reedição muito recente, em 2016). Nesta noite, foi tema que não faltou e concordamos - foi precisa muita rapidez - mas os finlandeses não vacilaram. Em “Welcome Home (Sanitarium)”, relembraram o regresso de Antero Manninen ao palco. Membro fundador da banda, Antero apresenta-se sempre com uma postura muito sóbria, o que contrasta com os restantes membros da banda, que se mostraram, como sempre, comunicativos com o público e entre si, fazendo proezas com os instrumentos e espicaçando os colegas de palco (até "praticaram" esgrima com os seus arcos). No encore, ouvimos as emblemáticas “Nothing Else Matters” e “One”, conseguindo ainda arrancar um circle pit inesperado ao público. Os finlandeses provaram, novamente, que os violoncelos têm lugar no mundo do metal, e que boa música não precisa de rótulos – basta senti-la. 

Chegámos ao fim do segundo dia do festival de sorriso aberto. Era hora de recuperar energias, dado que este ano tínhamos um terceiro dia à espera - e que dia!



Texto por Sara Delgado
Fotografias por Hugo Rebelo
Agradecimentos: Prime Artists & PEV Entertainment