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Os suecos Dead Lord editaram “In Ignorance We Trust” a 25 de Agosto ultimo, através da Century Media. Enquanto andavam em tour a promover o terceiro disco, a Metal Imperium teve oportunidade de falar sobre ele com o baixista Martin Nordin e com o baterista Adam Lindmark, e sobre a razão pela qual a Suécia anda a dominar a cena Hard Rock europeia!!

M.I. - Comecemos pelo mais óbvio: Como é que surgiram os Dead Lord?

Tudo começou com o Hakim Krim (vocalista/guitarrista). Era guitarrista de uma outra banda e quando abandonou mudou-se para Estocolmo e tinha imenso material que nunca tinha sido usado. Encontrámo-nos e ele perguntou se eu queria formar uma banda com ele. Eu respondi que já estava em cinco outras bandas, o que é uma atitude tipicamente sueca: se não estás em pelo menos três bandas então não tocas numa banda!! Estava relutante de início mas quando ele me mostrou as demos o material era mesmo muito bom, tanto assim que usámos a maioria nas gravações do primeiro LP, “Goodbye Repentance”. Tinhamos connosco o guitarista Olle Hedenstrom, e pedimos ao Tobias Lindkvist, que é do norte do país, para mudar para Estocolmo e ser o nosso baixista. O Tobias e o Olle conheceram-se no exacto dia em que iniciámos a gravação do nosso primeiro EP, “No Prayers Can Help You Now”, em 2012. Nem fizemos uma demo, juntámo-nos e gravámos tudo. Isso conseguiu um bom contrato para o primeiro LP, que foi feito ainda durante o primeiro ano de existência da banda. Começámos a tocar ao vivo mas em 2015 o Tobias saiu para se concentrar nos Enforcer e entrou o Martin. A partir daí gravámos um Segundo LP, tocámos em imenso lado e estamos agora a lançar o terceiro LP!


M.I. – Quando pensamos na cena musical escandinava, vem à memória imagens pré-concebidas de florestas frias e escuras, cenário de inúmeras bandas de death e black metal, mas esquecemo-nos que a Suécia tem uma excelente cena rock, com bandas como os Hellacopters, Spiders ou Graveyard, entre muitas outras. Como é que vês essa cena sueca e porque achas que é tão bem recebida mundo fora?

Como disseste, há inúmeras bandas suecas a sair for a de portas e a tocar pela Europa regularmente. Acho que podemos culpar os longos Invernos frios que temos, onde não há muito mais que fazer senão estar no estúdio de ensaio a tocar com os amigos. Se vivesse em Portugal estava sempre a surfar!! De facto, a Suécia é um país pequeno em população e toda a gente se conhece, pelo que somos inspirados uns pelos outros um pouco.


M.I. – Consegue-se conhecer toda a gente?

De um modo geral sim! A cena que as pessoas falam parece melhor quando olhada de fora! Em Estocolmo somos um punhado de amigos que frequenta os mesmos bares e que tem uma banda com algum sucesso, pelo que nos conhecemos todos.


M.I. – Estão a promover “In Ignorance We Trust”, o vosso terceiro LP. Este foi mais uma vez produzido por Ola Ersfjord, com quem têm trabalhado desde sempre. Já o consideram o quinto elemento da banda?

Para o processo criativo das letras e música fazemo-lo nós mesmos, mas adoramos trabalhar com o Ola porque tem sempre imensas ideias de como tornar as nossas musicas um pouco melhores. É um quinto elemento da banda no sentido que confiamos nele como confiamos em qualquer um de nós. Quando entramos em estúdio sabemos que ele sabe o que queremos e sabe como o conseguir. Há imensa confiança sem nos obrigar a fazer nada que não quisermos. Esta é uma das razões pela qual gravámos este disco em Madrid.


M.I. – Essa era exactamente a minha próxima questão! O disco anterior foi gravado em Estocolmo e agora usaram o Cuervo Recording Service em Madrid. É o mesmo produtor mas até que ponto mudar de local ou país influencia o produto final?

Acho que podemos ouvir essa mudança apesar de não conseguir dizer exactamente onde, mas o ambiente obviamente influencia. Estávamos a suar no estúdio e quase podemos provar o suór nas músicas. O primeiro LP foi gravado em Dublin, um sítio difícil, e isso refletiu-se no som. Onde estás influencia a tua criatividade, claro! Também o estares longe da rotina permite estares focado a 100% no que estás a fazer.


M.I. – Continuam a achar que gravar um disco enquanto o tocam ao vivo no estúdio é a melhor maneira de o fazer?

Sempre o fizemos e vamos continuar a fazer, principalmente porque é como soamos e não resultava gravado em bocados. Soa muito melhor; pode perceber-se que estamos todos a tocar ao mesmo tempo. Quando gravas ao vivo, os pequenos detalhes que só tu percebes deixam de importar. Fica uma boa onda!


M.I. – Gravado o disco têm de o tocar em palco. Existe espaço para improvisar?

Claro que sim! Fazes sempre algo diferente, pequenas alterações. Algumas das músicas têm enorme espaço para se poder improvisar. Outras nem por isso mas ao vivo não podemos querer ouvir tal e qual como está em disco. Um dos meus discos favoritos, “On Your Feet or on Your Knees” dos Blue Oyster Cult, não tem uma única música que consigas ter igual na sua discografia. Estamos muito habituados a tocar tudo ao vivo tantas vezes que é fácil alterar as coisas.


M.I. – Há uma faixa favorita neste disco?

Acho que todas se complementam, por isso não há uma forte candidata a favorita, mas temos tocado a “Reruns”, o nosso primeiro single, há mais de um ano e há sempre grande resposta, mesmo só estando gravada agora. “Darker Times” foi também um sucesso instantâneo. É uma música que soa muito bem apesar da letra pesada que tem. “Too Late” é também uma óptima faixa para tocar ao vivo.


M.I. – O título deste LP leva-me de volta ao vosso Segundo disco, especialmente nas letras. Parece uma mensagem sobre como o dinheiro controla o mundo e as pessoas tornam-se egoístas, e sobre acreditar-se em tudo o que lemos. Não são propriamente temas cliché do hard rock…

Acertaste em cheio!! As críticas dizem que estamos mais políticos mas não queremos influenciar ninguém politicamente. Preocupa-nos muito que as pessoas gostem de ser ignorantes, com a imensidão de notícias falsas e factos alternativos que abundam hoje. É o maior problema do mundo hoje em dia. Nunca tivemos tanta informação ao nosso dispor mas estamos a ver opinião ser tomada como factos. É um caminho muito perigoso.

M.I. – O disco saiu em Agosto. Como é que o têm estado a promover?

Tivemos um Verão cheio de concertos e agora em Novembro iremos estar pela Europa com os Imperial State Electric. Com um novo disco parece que estamos a começar do zero, porque podemos criar um alinhamento completamente diferente.


M.I. – Uma mensagem final para os nossos leitores!

Muito obrigado pelo apoio. O nosso disco saíu ainda melhor do que esperávamos, por isso oiçam. É muito bom!

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Entrevista por  Vasco Rodrigues