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Os Venom Inc nasceram em meados de 2015 como uma nova banda que reúne toda a força e poder dos seus membros: Tony “Demolition Man” Dolan (baixo/voz) com os membros originais de Venom – Jeff “Mantas” Dunn (guitarra) and Anthony “Abaddon” Bray (bateria). A banda tem estado em tournée pelo mundo para trazer aos seus fãs os clássicos dos Venom, bem como canções novas. Lançado a 11 de agosto, o novo álbum “monstruoso” “Avé” acabou de chegar. Vamos descobrir mais com o Demolition Man...


M.I. - Podes falar-nos acerca desta reunião como Venom Inc? Sentem-se, como banda, mais poderosos que nunca?

Sim, eu penso que sim. Foi uma espécie de incidente, nós não o planeamos. Eu e o Mantas estávamos a trabalhar na cena de M-Pire e apenas uma oportunidade para mostrar, onde alguém estava, eles viram o Abaddon na audiência e questionaram-se em como seria se nós tocássemos num concerto juntos, depois de todos estes anos e eu nunca pensei que fosse acontecer. Eu perguntei ao Mantas que  não estava interessado. Eu perguntei ao Abaddon, ele disse que estava. Então, eu voltei ao Mantas e expliquei que era apenas para um concerto, apenas algumas canções, apenas para dois mil fãs que se queriam, sabes, talvez divertir e nós poderíamos apenas ir e divertirmo-nos e seria isso, na verdade. Nós apenas adaptámos as nossas ferramentas e voltámos a algo como o que estávamos a fazer antes, fizemo-lo e foi a loucura.  Daí em diante, temos sido levados ao mundo todo e finalmente a um álbum e o mais surpreendente é que, a cada passo do caminho, nós não o planeámos, nós não tínhamos um motivo de fundo, nós não o fizemos por dinheiro, obviamente, nós não estamos a fazer tanto dinheiro assim, mas nós não precisamos; de modo que nós éramos como que livres para o fazer, porque não tínhamos gestores, nem promotores, nem agentes, nem editoras, todos a fazer pressão para tentar e ganhar dinheiro com  isso, então nós poderíamos...; se os nossos fãs nos pedissem para irmos a algum lado e eles conseguissem angariar dinheiro suficiente para nos levar lá, nós podemos dizer “sim” e vamos e tocamos. E isso era a forma mais pura de o fazer e eu penso que tu não compras, fazendo o álbum; até o título do mesmo, é para os fãs, é para toda a gente, é para dizer obrigado por nos darem esta oportunidade de desfrutar da música, dos fãs, do mundo em que vivemos e da comunidade que nós temos através da nossa música e apenas desfrutar disso. (...) É como se, ao fim do dia, os fãs não quisessem que nós fossemos e tocássemos, nós não estaríamos a tocar; se os fãs não quisessem que fizéssemos um álbum, nós não teríamos feito um álbum. Isto é tudo devido aos fãs. Então, é maravilhoso e se nos sentimos empoderados por isso? Bem, sim, porque, pela primeira vez nas nossas vidas, nós não estamos a ser ignorantes ou egoístas o suficiente para pensar que o que estamos a fazer é importante para nós e nós percebemos que o que nós estamos a fazer é o que os fãs querem que façamos e isso é empoderamento por si só, porque nós somos movidos por essas pessoas e nós estamos a dar-nos a essas pessoas e isso dá-te um grande sentido de ser e é maravilhoso.


M.I. - O que pensas acerca da cena metal nos anos 80 e agora?

Sabes, é muito engraçado porque eu falei com uma rapariga bastante jovem em França, há alguns meses atrás, durante uma entrevista e ela disse “É óptimo poder falar convosco e com pessoas como vocês, porque vocês são lendários, porque são daquela era e e tudo o que eu faço é: eu leio-o em livros, eu perdi essa parte da História.” e eu disse “Tu estás na História.”. Naquela altura, não existia “negritude” extrema quando nós começámos, chegou extremamente mais tarde e depois “os Metallicas”, “os Slayers”, o death metal, o black metal e o grindcore e todas estas coisas cresceram. (...) Os Napalm Death, provavelmente, devem tanto aos Ramones quanto aos Venom e a cena do black metal, como género, deve muito mais “aos Bathorys” que entraram nele. Tudo se integrou em si mesmo. Eu penso que, nessa altura, existiam algumas pessoas que pareciam tentar empurrar os limites para a frente e agora, em comparação com agora, é como que onde quer que vás no mundo de Lima, no Peru, a Tóquio e ao Japão, a Leninegrado ou ao Kazan, na Rússia ou à Austrália, Nova Zelândia, Índia, ao Médio Oriente... Onde quer que vás, existem pessoas jovens a criar todos os tipos de géneros de metal que possas pensar e grande musicalidade, música fantástica com referências culturais, especificamente. É maravilhoso, absolutamente maravilhoso. Isto é história viva. Esta é a altura para estar nela. Quando tu podes ir e ver... tu poderias ir e ver os Black Sabbath até há pouco tempo, tu podes ir e ver, ainda ver o Ritchie Blackmore, ainda podes ver Accept ou o Tom Warrior ou Slayer ou Metallica. Mas também podes ver “os Mayhems”, tu também podes ver tudo o resto que está a acontecer e (...) Quero dizer, é apenas uma cornucópia com música e tudo o que possas querer está aqui: old school, new school e agora... tudo! E o que eu lhe disse foi tipo “Quando tu dizes que apenas o podes ler no teu livro e é Historia. Não, tu estás na História!”. Este é o melhor momento para estar nela. Tu tens tudo e então eu sinto que é ótimo, é como se passasses o tempo todo a semear as sementes no campo e esperar que tenhas uma boa colheita e é quase como que se os campos estejam a transbordar agora e é maravilhoso.


M.I. - O vosso novo álbum “Avé” é verdadeiramente monstruoso e energético. Quais são as vossas expectativas relativamente ao seu feedback?

Muito obrigado. Fico contente por achares que é monstruoso.


M.I. – Eu creio que é. É poderoso, mesmo!

Obrigado. Fico contente. Sabes, eu penso que não temos expectativas, nós não tínhamos expectativas. Na verdade, em escrevê-lo havia um sentido porque o Mantas estava a sacar riffs e a enviar-mos e ele queria que eu contribuísse, mas eu disse “Continua apenas a enviar-me o que me estás a enviar, eu centrar-me-ei em todos.”, porque estava tudo a funcionar para mim e tudo batia certo e quando ele questionou a direção em que estavamos a ir, eu disse “Não existe direcção.”. Nós não temos nada a provar a ninguém. Nós não temos de ser outras pessoas. Nós não temos de tentar e copiar algo que fizemos no passado. Tudo o que temos de ser é nós mesmos. Temos de ser nós. É uma lição para a vida. Tu não tens de ser outra pessoa. (...) (Porque) é o mais honesto. Se tu és muito “isto é o que eu sou” e “isto é o que eu faço”, existirão pessoas que gostam disso, existirão pessoas que não gostam, mas depois é tipo como chá e café, não é?! Tu gostas de chá, eu gosto de café. É como: é a escolha da vida, mas como eu disse para lembrar, nós não estamos a tocar para as pessoas que não gostam, nós estamos a tocar para as pessoas que gostam. Os Iron Maiden e os Metallica, eles não saem e dão concertos para todas as pessoas que acham que eles são uma merda, eles apenas dão os concertos para os seus fãs que adoram ouvir (o som). E então eu penso que não tínhamos nenhumas expectativas, nós apenas tentámos fazer um álbum honesto juntos, da forma que nós somos, quem nós somos, como o tocámos, como o escrevemos, como atuamos e foi isso e depois foi o nosso presente para todas essas pessoas que nos apoiaram ao longo dos anos e que o queriam ouvir. Aí sim, se toda a gente o adorar, ótimo, se as pessoas não gostarem dele, bem, então não existe nada que possamos fazer, não está nas nossas mãos. Mas a única expectativa ou a missão que temos agora é que nós queremos tocar estas canções ao vivo. Nós queremos estar entre o set definido e os três festivais que fizemos que conduziram a turné americana - a turné “US North America” - que foi em setembro. Nós inserimos “Ave Satanas”, fizemo-lo quatro vezes entre o nosso set de clássicos antigos com a banda, nos três festivais e as pessoas estavam a cantar connosco e a saltar para cima e para baixo e nós estavamos a pensar “Aquilo é mesmo estranho. Como – nós acabamos de o fazer?! Como é que eles todos o sabem?”. Mas pareceu encaixar no set. Nós encaixámos “In Nomine Satanas” mesmo antes de “Bloodlust” e sentiu-se que sempre esteve lá e eu penso que, para nós, é um bom sentido da nossa identidade saber que fizemos um álbum que é parte de nós e se enquadra perfeitamente.  


M.I. - Os Venom Inc têm estado em turné pelo mundo inteiro desde 2015. Como estão a correr os concertos? Como está a reagir a audiência?

É inacreditável. É mesmo, Dora. Inacreditável porque nós não sabíamos... nós não esperávamos nada. Quando tu juntas uma banda, tu esforças-te para tentar e conseguir reconhecimento e queres ter um contrato e anunciar um disco e depois fazer uma turné com toda a gente e estás sempre à espera de respostas e eu penso que, talvez por termos estado nisso tanto tempo, ou talvez seja o período que estamos nas nossas vidas, que apenas pensámos que não estamos a decidir fazer uma turné porque nós queremos uma turné e nós não queremos saber se as pessoas querem que a façamos ou não. Nós não estamos a decidir fazer um álbum porque queremos fazer um álbum e não queremos saber o que as pessoas pensam. Fomos levados a fazer um álbum e não considerávamos fazer um, pelos fãs que iam dizendo “Por favor, façam alguma música. Por favor, façam alguma música.” E também o mesmo para a turné “Por favor, venham cá. Por favor, venham lá. Venham ao México. Venham à Costa Rica. Venham ao Taipé. Venham a...” Então apenas fomos onde nos foi pedido para ir. Para ir para algures dessa forma e sentir tal reação maravilhosa dos fãs que estão apenas a adorar o facto de teres ido lá – seja o Chile, São Paulo, Osaka ou Eslovénia... é realmente incrível. É como que, a qualquer lado que a gente vá, é como que se nós fossemos a família deles há muito perdida. As pessoas vêm até nós calorosamente e nós cumprimentamos toda a gente e depois eles vão embora e, muitas vezes, ouvi pessoas dizer “Oh, é maravilhoso!”. Eles tratam-te como se te conhecessem desde sempre e de uma maneira, eu suponho que é devido a nós termos..., sabes, nós ligamo-nos com talvez um tipo em 1985, mas uma rapariga talvez em 1981, outro tipo em 1989 ou 1995, mas quando nós nos ligamos com a música, mesmo que não estivessemos presentes quando essa pessoa descobriu e sentiu essa ligação. Então, de certa forma, nós já nos tínhamos ligado. É como encontrar velhos amigos, então, claro, nós somos calorosos e acolhedores, porque aqui está uma pessoa que tem uma colecção de discos que são a nossa música, eles estão a usar uma t-shirt ou remendos que são da nossa banda; então, estas pessoas são parte de nós e é o que estamos a gostar mais agora. A reacção é tão incrível que nos está a tirar o fôlego. Nós sentimo-nos muito honrados, mas também bastante entusiasmados por isso, porque mostra que a música é uma cena maravilhosa, porque transcende a política, cultura, religião, língua... Junta as pessoas e leva-te a uma família verdadeira, um verdadeiro sentido de comunidade e de todo o planeta e logo, sim, a reacção tem sido de tirar o fôlego.


M.I. - É cansativo estar em tournée ou realmente apreciam isso?

Bem, cansativo, sabes, nós dissemos anteriormente, eu e o Mantas, em particular, nós lemos material onde pessoas diziam “fazer tournées é mesmo difícil e tu ficas tão cansado”. Eu penso que se estás a dar concertos todas as noites, como nós damos, e não tens dias livres, pode ser cansativo, quando chegas a meio ou para o fim, porque está perto do fim, estou certo que começas a ficar um pouco cansado. Mas, uma vez que estás no palco, a cada noite, porque a audiência nunca é a mesma, nós reagimos à audiência. Nós poderíamos estar a tocar o último concerto de 36 concertos, mas aquela audiência é completamente nova e então as músicas deverão ser sentidas completamente novas para eles e tu encontras um outro tipo de energia. A audiência impulsiona-te. Eu penso que cansativo é começar a tournée quando tens de viajar de aeroporto em aeroporto, irem-te buscar e levar todo o teu material e tudo isso e, no fim da tournée, tens de fazer tudo de novo, porque depois tens uma longa viagem com todo o teu material e está tudo acabado. Mas a verdadeira viagem é maravilhosa. Tens a tua casa e refeições ou estás a voar e tens um hotel ou tens a tua cama no autocarro e, todos os dias, tu acordas e estarás noutra parte do mundo, com mais pessoas maravilhosas com as quais eu falei, que partilharam as suas histórias contigo. Portanto, eu não consigo pensar num emprego que seja assim; que eu não possa certamente dizer que é aborrecido, mas cansativo?! Não, é revigorante! Dá-te uma nova paixão pela vida, porque tu conheces pessoas todos os dias que estão entusiasmadas por te estarem a conhecer e ouvir e por te estarem a ver, então isso mantém-te entusiasmado.


M.I. - Consideras que a tensão existente entre Venom e Venom Inc poderá ser prejudicial ao vosso trabalho?

Não, acho que não. Quero dizer, eu acho que a cena é que o Conrad tem um grande problema connosco. Ele sempre teve. Quando ele deixou a banda no início dos anos 80, ele queria que a banda apenas parasse, então ele podia fazer a cena solo dele e ele não parou e quando não parou, ele atacou e depois ter um álbum que foi bem sucedido sem ele, ele atacou ainda mais, então sempre teve um amargo na boca. Para nós, as tensões entre os dois, eu penso que estamos a ignorá-las. A melhor coisa... sabes, eu não gosto de política e música, eu só quero que as pessoas tenham boa música e que a apreciem. Para mim, eu não me quero focar naquilo que ele pensa ou no que diz em palco. Ele deu um concerto, em Portugal, no sul de Portugal. Nós demos um no norte há alguns meses atrás.


M.I. - Em Barroselas...

Sim, exatamente. E a reacção foi incrível e nós tivemos uma experiência maravilhosa. Ele deu um concerto no sul de Portugal e os relatos que eu obtive foram que passou a maior parte do seu tempo no palco a dizer que ele era o verdadeiro, que eram os verdadeiros. Ele teve a sessão de autógrafos (...) e disse às pessoas para se irem fod*r, quando eles pediram fotografias. Algumas pessoas estavam a mostrar as nossas t-shirts e o novo álbum apenas para o chatear e é tudo um pouco desafiante com coisas que eu não posso estar aborrecido. Eu penso que o que ele precisa de fazer é focar-se em criar excelente música para os fãs e digressões tanto quanto possível e não se focar no que nós fazemos. É o mais importante, sabes. As pessoas querem vê-lo e querem ouvir música nova, então tu deves fazer isso. E se o fãs querem ouvir os clássicos, ele não deveria queixar-se acerca disso, deveria apenas tocá-los. Tal como nós fazemos. Nós somos guiados pelos nossos fãs baseando-nos no que eles querem e se uma pessoa quer que faças algo ou não, não significa que o deverias estar a fazer. Deves fazer o que sentes e eu acho que é desrespeitoso para ele não querer que demos concertos, se os fãs querem ver. E é também desrespeitoso para nós, ele não querer que o façamos, para que o possa fazer. Para ele, é tudo sobre fazer dinheiro. Para nós, não é sobre isso, é acerca de apenas fazer música. Então, sim, eu penso que o nosso foco está longe de tudo isso e deixemo-lo fazer tudo o que queira fazer. É lamentável que tenhamos que continuar a ouvir isto. Se um fã não quer vir e ver-nos, então que não venha. Se um fã não quer ouvir a nossa música, (...) não a ouça. Quero dizer, eu oiço todos os tipos de música. É lamentável que tenhamos de continuar a ouvir isto. Se um fã não quer vir e ver-nos, então que não venha. Se um fã não quer ouvir a nossa música, (...) não a oiça. Eu oiço todos os tipos de música. As pessoas enviam-me música a toda a hora, alguma é excelente, alguma é boa, alguma não é tão boa como qualquer outra, mas eu aprecio o facto de as pessoas me quererem mandar música e sentir que elas podem ser criativas. Então, eu sou sempre encorajador como posso, mas, lamentavelmente, nunca sairia do meu caminho para dizer a alguém que eles não deveriam ouvir algo ou eles não deveriam comprar algo ou que não deveriam seguir alguma coisa. Eu não compreendo. Eu não tenho esse tipo de poder. Eu nunca presumiria ser tão desrespeitoso para dizer a outra pessoa o que eles deveriam ou não gostar e então, sabes, eu penso que é sobre ser individual, se tu gostas disso, tu gostas disso, se não gostas, não gostas. Mas dá-te a ti próprio a oportunidade de o ouvir ou não o oiças. É como nunca ter comido gelado e dizer “Eu odeio gelado.” porque alguém te disse que não irias gostar. Como é que tu sabes? Como é que tu sabes que não vais gostar? Tu podes, em algum momento, comer algum e pensar “Oh, meu Deus! Isto é como a melhor coisa no mundo!” Então, experimenta! Experimenta!


M.I. - Os Venom são conhecidos como o avô do black metal. Os Venom Inc são fiéis às suas raízes, considerando as primeiras influências de Venom?

Sim, penso que para mim, sim. Penso, Dora, que nós não podemos ser tão chocantes como os Venom eram nessa altura, porque tu vês pentagramas em todo o lado agora e toda a gente e o seu tio a cantar sobre Satanás e todo o demónio sobre o qual já se escreveu. Nessa altura, na sociedade católica, de onde nós viemos, mostrar um pentagrama e depois dizer que estás ilegal, dizê-lo e depois vais cuspir na Virgem Maria e que se fod* a tua trindade, sabes, é tipo “O quê?!”, é como queimar uma igreja “Holy f*ck! O que é que se passa aqui?”. As pessoas também ficam assustadas, excitadas e assustadas ao mesmo tempo. Mas, como agora, em 2017, toda a gente já fez tudo, disse tudo, queimou tudo. Então lá está... tu não consegues mesmo chocar mas eu penso, para mim, a razão pela qual nós começamos a fazer a turné – eu queria fazer uma turné no 1.º single, não apenas desde a era Dolan, voltando ao início, porque eu senti que três tipos originais tinham uma espécie de química que era especial e eu descobri que nós, os três, temos um tipo especial de química, poder, ligeiramente diferente, mas nós temo-lo e eu pensei se temos que tocar estas canções antigas, então eu não as quero tocar como num cabaré. Não as quero tocar como “Aqui estão, bang bang bang, aí estão, eis algumas canções antigas interessantes!”. Elas têm de ser tocadas como se fossem originalmente tocadas com o intuito, com a agressividade, com o poder, com a sensação que é a primeira vez, como se tivesses vindo ver uma história. Podes ter ouvido black metal um milhão de vezes, podes ter visto no youtube, mas o que quero que experiencies é que é a primeira vez que tenhas ouvido esta canção, como se fosse a primeira vez que a tocamos para toda a gente. Essa é a beleza de grandes canções como essa. Soam frescas e reais e só podes fazer isso acontecer, certamente com uma canção que tem 30 anos de idade, se a sentires, se a representares, se a intenção está lá e se a tocares com a paixão com que foi escrita e eu quero provar às pessoas, numa atuação ao vivo, que essas canções antigas ainda são relevantes, agressivas, cheias de paixão e, depois, se nós podemos criar um álbum novo da mesma forma, com a mesma paixão, então nós estaremos lá e essa é a minha intenção... Sim, é bastante parecido com o que fazemos em palco. Quando nós tocamos em palco, nós prosseguimos – nós temos 16/17 anos de idade em palco. Quando saímos, podemos ter 60 anos ou 50 e tal anos, porque estamos cansados, mas no palco, nós deixamos cada parte de nós. Nós damos cada parte de nós à audiência, porque é o que eles merecem. Eu quero que as pessoas deixem o concerto tão exaustas, mas tão felizes e eu quero sentir o concerto, exactamente da mesma forma. Eu sinto-me absolutamente exausto, mas absolutamente feliz por termos partilhado aquele momento incrível juntos, com uma audiência e isso significa que também podemos desfrutar tocando excelente música. Eu considero que é importante ligar ao motivo pelo qual toda a gente adorava Venom naquela altura: era aquele fogo, aquela paixão, aquela agressividade e queria que elas o vivenciassem agora aquilo que um tipo de 50 anos vivenciou aí. Eu quero um rapaz ou rapariga de 16 ou 17 anos agora, a sentir o que eles sentiram, para então poderem ser a próxima geração a ser inspirada, a adorar ainda mais a música e então é importante manter esse mesmo tipo de paixão, penso eu.


M.I. - Por favor, deixa os nossos leitores saber acerca da origem da tua alcunha “Demolition Man”.

Basicamente, eu estava a dar um concerto com a minha banda Atomkraft. Nós éramos um trio. Nós eramos uma espécie de os Dickies extremo encontram os Motorhead. Eramos rápidos e barulhentos, para a altura. Quero dizer, agora, não soa extremo mas, naquela altura, era bastante selvagem e, na audiência, toda a gente costumava fazer solos como solo de bateria, depois tinhas um solo de guitarra, um solo de baixo... Todas as grandes bandas, “os Rainbows” e “os Kisses” mas, claro, todos nós – bandas mais jovens – que estavam a tocar em pubs e clubes e coisas, todos pensamos que o deveríamos fazer, porque este era o nosso momento “Madison Square Garden”. Nós estávamos a dar um concerto e chegou à minha vez de fazer um solo de baixo e estiveram lá dois tipos sentados à mesa e eu podia ouvi-los falar durante um set inteiro e isso estava mesmo a irritar-me, então, decidi quando chegasse ao meu solo, eu fá-lo-ia mesmo na mesa deles em frente a eles. Assim, eu corri e saltei para uma mesa e conforme saltei, a electricidade deixou de funcionar e eu virei-me e, na realidade, encostei todo o meu material e houve chamas e faíscas e pessoas a correr por todo o lado, com extintores, e eu era tipo “Merda! Merda!”. A questão era que o material era emprestado, não era meu sequer. Então, eu estava a pensar “Oh, fod*-se!”. Então eu voltei a correr para tentar e o levantar. Enquanto isto, os Mayhem estavam a atuar e o guitarrista foi ao microfone, o meu guitarrista, por essa altura, o Steve White, e apenas disse “Senhoras e senhores, o “Demolition Man” e foi isso. Todos me chamam isso desde então, porque suponho que sou uma espécie de... Eu trabalhei como engenheiro e carpinteiro, portanto, consegui muito boas mãos, mãos muito ágeis e mãos bastante fortes. Mas, quando estou no palco a tocar (...), eu tipo destruo os meus instrumentos, eu não me importo muito, portanto, eu acho que é esse tipo de caos que me dá a alcunha, é essa a razão pela qual me chamam “The Demolition Man”. Eu parto coisas – pessoas, coisas, tanto faz... Eu apenas faço isso, então...


M.I. - Mas também representas... Como é a tua experiência como actor?

Bem, sabes o que é estranho, Dora, como eu disse Venom Inc foi uma espécie de incidente, um feliz incidente; foi a mesma coisa com a representação. Eu trabalhei com a... Eu era um carpinteiro de palco a trabalhar para uma companhia chamada “Royal Shakespeare Company” e trabalhei durante muitos anos, quando não estava a fazer música, no teatro - apenas como técnico nos bastidores - e nós estávamos na Índia e alguém ficou muito doente e estávamos a fazer “The Comedy of Errors” e não tinham outro ator para preencher o lugar e eu apareci ao trabalho e basicamente ele disse-me “Prosseguirias e farias o papel?”. Eu nunca tinha representado antes. Eu fiz fragmentos, mas não representação mesmo. Eu apenas pensei, quando na tua vida tu tens uma oportunidade, deves sempre agarrá-la, porque tu nunca sabes e tens de te testar a ti mesmo e se disseres “não” a alguma coisa, e se mudares de ideias mais tarde, poderás não poder voltar a dizer “sim”; mas, se disseres “sim”, podes sempre dizer “não” mais tarde, se achares que não consegues fazê-lo. Então, eu apenas disse “sim” e eu fi-lo para os ajudar e depois meses mais tarde, eles levaram o espectáculo para Londres e eu recebi uma chamada telefónica do diretor a pedir se eu faria o mesmo outra vez, porque eles tinham alguém doente e ele foi ao elenco e disse “Quem podemos conseguir? Quem sabe o papel? Nós podemos consegui-los rapidamente.” E depois ele ligou ao Tony Dolan. Eles ligaram-me e eu disse “Está bem.”, mas eu disse que o faria se ele me ensinasse como representar. Então eu fui e fiz o papel, depois ele fez alguns workshops comigo e depois disso, (bang) eu pensei que eu gostaria de fazer um filme. Eu estava interessado. Eu pensei que gostaria de fazer alguma televisão. Eu estava numa série televisiva e foi tipo... aconteceu assim. Quero dizer, de novo, apenas acidentalmente. Eu decidindo que gostaria de o fazer e depois, de repente, eu estou a fazê-lo. Eu não sei qual é o truque e não sei se existe uma fortuitidade acerca disso, eu não sei se eu fui apenas sortudo ou eu não sei se eu na verdade estava focado, sabes. Mas, o que eu diria às pessoas é tipo se queres fazer algo, apenas fá-lo porque, tudo, aqui eu digo com a saída do novo álbum, um dos muitos que eu fiz, através da história das coisas de que estou mesmo orgulhoso de fazer, sendo eles massivamente bem-sucedidos ou não, estou orgulhoso de tudo o que fiz porque tencionava fazê-lo. (...) Absolutamente, tu tens de tentar. Tu nunca sabes e é isso. Nunca sejas a pessoa que se senta no alpendre, a pensar ‘gostaria de ter tentado fazer isto ou gostaria de ter feito aquilo’. Eu sempre prometi não ser essa pessoa. Tenta sempre. Desafia-te a ti próprio e surpreender-te-ás a ti mesmo. A coisa toda durante este período começou com um rapaz de 13 anos de idade sentado na sua cama, a ouvir um disco a perguntar-se como seria ter o seu próprio disco nas suas mãos, sabes. E ontem, eu fui a uma loja, na baixa da cidade, em Windsor, Ontario e eles tinham o álbum em vinil e eu comprei-o. Custou-me 40 dólares, mas tipo eu tinha de o fazer, porque é tipo “uau”. Tem sido uma viagem global mas tudo tem sido aquela atitude positiva para te desafiares a ti próprio. Às vezes é mais fácil, a maioria das vezes é mesmo difícil, mas não desistas. Não desistas! Acredita em ti e celebra-te a ti próprio. Define os teus objetivos que podes alcançar; não deixes os outros julgar-te; se eles disserem ‘Bem, tu fizeste isso, mas não foi assim tão bom’, tu achas que foi bom?! É o mais importante. Se tu defines o teu alvo e se o atinges, então foste bem sucedido.


M.I. - Planos para o futuro para os Venom Inc....

Planos para o futuro? Bem, obviamente, dominar o mundo, ser dominante, ser o rei em todo o lado e... Não, estou a brincar... Planos para o futuro ou tão simples como isto: temos o novo álbum cá fora, começamos a tournée em Setembro pela América do Norte e depois temos algumas datas agendadas quando voltarmos depois, em Novembro, no Reino Unido. Isso é um pouco até onde vamos. Se alguém aparecer e disser mesmo em Dezembro façam isto, nós vamos, ok? E depois, em Janeiro, façam isto, nós vamos, ok? Porque nós aprendemos a...


M. I. – Portugal, outra vez...

Sim, claro, claro. Devemos, devemos, sabes. É tipo isso, é tipo vamos apenas fazer o que queremos fazer e o que pedem, em vez de tentar fazer um grande plano, um plano-mestre. Quero dizer, eu lido com um novo álbum agora, provavelmente existirá talvez um de 12 polegadas algum dia, durante o período do Natal, e depois um novo álbum para o próximo ano. Mas quem sabe, podemos chegar ao Natal e podemos escrever outro álbum e poderá sair em janeiro ou talvez não. É tipo estamos a tentar não planear, estamos apenas a tentar vivenciar. Desta forma, nós podemos apenas fazê-lo à medida que vai evoluindo. Estou desesperado por nos levar a todo o lado e levar-nos a fazer quanta música quanto pudermos. Eu andaria constantemente em turné para sempre se eu pudesse e por toda a parte. Estamos abertos ao que quer que seja... O futuro é onde quer que os fãs queiram estar, se os fãs querem continuar, os fãs querem mais música, os fãs querem que a gente vá e toquemos e esse é o nosso plano. Simples como isso.


M.I. - Obrigada pelo teu tempo. Por favor, deixa uma mensagem aos vossos fãs portugueses.

Absolutamente. Eu diria “Obrigado” a todos! “A sério.” (...) Obrigado aos fãs portugueses. Eu não quero que eles sintam que têm de fazer uma escolha entre as duas bandas, podem gostar de tudo. (...) Nós gostamos tanto de Portugal. Eu espero que toda a gente goste do álbum tanto como tu. Muito obrigado mais uma vez.

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Entrevista por Dora Coelho