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É redutor afirmar que Process Of Guilt seja um dos melhores nomes nacionais, pois, na realidade, são um dos poucos, na história do Metal nacional, a tentarem criar um trilho sonoro só seu, minimalmente permeável ao que vem de fora e se escuta por aí. Face a estes argumentos, a curiosidade sobre um pedaço de som novo é sempre elevada, neste caso são cinco peças que reunidas totalizam quarenta e dois minutos de música, menos crua que antes, mais audível que nunca, começando com a perceptibilidade dos vocais.

A trademark de Process está presente, logo aos quatro minutos de “(No) Shelter”, depois dos urros de Hugo Santos, e a tempestade sonora a eles associada, segue-se um minuto de calma, com uma bateria compassada acompanhada por uma linha de baixo e guitarra, que pouco depois incorrem num percurso doomíco, em que Hugo volta às vociferações: “Your body is a cage”. Com temas quase sempre nos sete minutos, onde a excepção são os quase doze da faixa título, o disco até se revela curto, quando se atinge o final do derradeiro tema e se olha para o mostrador, esperando ainda mais, “It’s not enough”. 

Um disco onde o doom vence o sludge e a harmonia derrota o caos do gutural, este “Black Earth”, não sendo um disco de ruptura, é um trabalho que sobe a fasquia no percurso do quarteto alentejano, permitindo que muito seja feito com ele, e criando expectativas que a realidade do meio musical poderá limitar. 

Nota: 9/10

Review por Emanuel Ferreira

Ao quarto álbum ficamos com a prova definitiva que a banda eborense gosta de apresentar um registo diferente a cada lançamento. Tal também serve para dizer que, para bem ou para mal, o death/doom que se ouvia em “Renounce” e em “Erosion” ficou para trás, tendo a sonoridade da banda evoluído no sentido de se desconstruir sucessivamente até um post-doom desolador e minimalista. 

Mas que não se confundam estes atributos com algo estéril. É verdade que os temas de “Black Earth” são assentes na repetição da mesma estrutura de riffs, com uma paragem feita à base de distorção lá pelo meio, mas é o carácter vincado dos riffs cáusticos e as subtis alterações que fazem de cada tema uma audição interessante, como é o exemplo da constante agressividade em “(No) Shelter” ou do tema-título, que é o que melhor exemplifica toda aquela conversa de desolação e minimalismo que já aqui foi escrita.

É hábito dizer neste tipo de coisas que “menos é mais”, mas isso seria descompensar os excelentes três discos que antecederam “Black Earth”. Este novo capítulo mantêm a qualidade da banda, a qual poderá também estar a criar uma divisão entre velhos e novos fãs, e isto porque é difícil alguém gostar tanto de uma “Becoming Light” como de uma “Servant”; o mais natural é só se gostar mais de uma do que outra dada a disparidade na sonoridade de cada tema. No fundo, as questões antitéticas e opinativas de a banda ter feito grandes músicas no passado em contraposição com a banda estar finalmente a fazer grandes músicas é completamente irrelevante e fruto dos gostos pessoais de quem os ouve. O que realmente importa é que os POG fazem o que querem e sabem fazê-lo muito bem, tanto no início de carreira como agora, quinze anos depois.


Nota: 8.4/10

Review por Tiago Neves