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Entrevista aos Eye of Melian


O quarteto Eye of Melian, ávidos leitores de Tolkien, finalmente lançará seu segundo álbum, Forest of Forgetting. Mais do que uma simples "coleção de músicas", trata-se de uma verdadeira experiência cinematográfica. Para os fãs de Tolkien, bandas sonoras de fantasia ou simplesmente para aqueles que apreciam uma música que remete a um abraçar caloroso num mundo frio e místico, Eye of Melian convoca as forças da natureza e a Metal Imperium teve a oportunidade de falar sobre o que podemos esperar do álbum, com lançamento previsto para 20 de fevereiro de 2026.

M.I. - Espero que as tuas férias tenham corrido bem. Ano novo, álbum novo que sairá em fevereiro. O que podemos esperar de Forest of Forgetting, comparado com Legends of Light?

Essa é uma boa pergunta. Eu gosto sempre de brincar ao dizer que este é um bom álbum, mas o anterior era bem melhor.
Acho sinceramente que este novo álbum explora novas profundidades, porque no primeiro ainda estávamos a tentar conhecer-nos no processo artístico. No segundo álbum, já descobrimos como podemos trabalhar e aprofundar esse processo. Acredito que este seja um pouco mais profundo; tem mais escuridão, mas também mais luz.


M.I. - Podemos dizer que é um álbum mais maduro?

Sim, recentemente fiz uma entrevista com alguém que ouviu o álbum, e ele disse a mesma coisa. É um grande elogio, obrigado!


M.I. - A música tende a curar, encorajar ou até mesmo ajudar-nos. Na tua opinião, o que é que a música dos EoM transmite para nós, enquanto ouvintes?

Espero que possamos alcançar pessoas que estão a lutar ou lidar com os seus estilos de vida quotidiano e monótono. Todos nós, nas nossas vidas, temos os nossos sentimentos monótonos, mas espero que com a nossa música possamos ajudá-las a escapar um pouco da realidade.


M.I. - Tolkien deixou-nos um legado enorme, e muitas bandas de heavy metal inspiram-se no autor. No entanto, os EoM levam a literatura e o folclore de Tolkien para um nível totalmente novo, combinando-os com a natureza.

Todos nós os quatro somos fãs de Tolkien. Ainda assim, temos duas autênticas enciclopédias ambulantes no grupo.
Eles são o Mikko e a Robin. A minha esposa (Robin) escreve grande parte das letras, junto com a Johanna, mas foi a Robin quem sugeriu o nome. Ela inspirou-se no livro O Silmarillion, e muita influência vem de lá.
Tanto ela quanto o Mikko começaram a conversar sobre isso, ao mesclar esses detalhes do universo de Tolkien na música. Gostamos muito da literatura de Tolkien, mas os verdadeiros nerds são o Mikko e a Robin, de quem vem grande parte da inspiração. A Johanna também me disse que coloca um pouco da sua inspiração pessoal nas letras, de uma forma subtil.


M.I. - Vocês também trazem alguns músicos e convidados especiais no próximo álbum, como Patty Gurdy e Troy Donockley. Podes partilhar connosco a experiência de como foi trabalhar com eles?

Conheço o Troy há uma década, talvez até mais. É sempre um prazer trabalhar com ele, e sinto que a música ganha vida artisticamente. Ele traz muita liberdade ao tocar com a flauta, o que lhe permite trazer um toque mágico extra à música dos Eye of Melian.
Com a Patty, vi um vídeo dela com o Marko Hietala e, claro, conheço o Marko há muito tempo. A Patty, como pessoa e artisticamente falando, tem muito talento. Não me lembro como a contatei, provavelmente através da Napalm Records, mas enviei-lhe duas músicas e o resultado foi espetacular.


M.I. - Duas músicas já foram lançadas. Blackthorn Winter também é cantada em finlandês. Acreditas que a cultura e a tradição finlandesas são bastante ricas e semelhantes à Terra Média de Tolkien?

Sem dúvida! É de conhecimento geral pelos conhecedores de Tolkien que ele se inspirou na cultura finlandesa. Ele literalmente estudou o idioma, e é uma grande coincidência trabalharmos com músicos finlandeses, mas a ligação com a cultura de Tolkien é ainda mais incrível. Foi ideia da Johanna cantar em parte em finlandês, e o resto do grupo concordou.


M.I. - Já pensaram em compor música para a indústria cinematográfica?

Essa é uma ótima pergunta. A banda Eye of Melian é muito inspirada em bandas sonoras de filmes e nas músicas de Hollywood.
Nós gostamos muito de compositores musicais como John Williams, Hans Zimmer e Danny Elfman. Eu adorava fazer isso, assim como o Mikko. Se algum desses compositores ou produtores de cinema quiser entrar em contato connosco, estamos disponíveis e felizes em colaborar.


M.I. - Vai sair uma nova trilogia de O Senhor dos Anéis. Quem sabe?!

Sim, quem sabe?


M.I. - Por enquanto, temos dois concertos marcados para março, na Finlândia. E quanto às próximas turnês? Com ​​quem vão ser atuar?

Felizmente, na Finlândia é considerado uma turnê. Vamos fazer cerca de 11 concertos na Finlândia e, no final de fevereiro, tocaremos também na Holanda.
Teremos nossas festas de lançamento, digamos assim, na minha cidade natal, e o Troy tocará também connosco. Além disso, ainda não anunciamos, mas também vamos dar um concerto de percussão. O concerto na Finlândia começará em Kitee, onde a Johanna mora (conhecida como a capital dos Nightwish). Assinamos um contrato com uma agência internacional para mais concertos no futuro e, no próximo ano, esperamos poder participar em festivais.


M.I. - Não se esqueçam de Portugal!

Com certeza! Nunca tocamos em Portugal. Já tocámos no Brasil, mas em Portugal ainda não. É uma promessa.


M.I. - Gostarias de recomendar-nos três ou quatro compositores/ autores que estão no topo da tua lista de favoritos?

Vou começar com um dos meus compositores favoritos que escreve obras infantis, mas que, juntamente como Harry Potter, os adultos também gostam: Brandon Mull. Ele escreve obras como The Beyonder, Fablehaven e Five Kingdoms; Tolkien, claro, é definitivamente um grande nome; o terceiro, sei que é um cliché, mas não consigo evitar, mas adoro a J. K. Rowling; e o último é Hans Zimmer.

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Entrevista por André Neves