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Faltava uma hora para que o mini Ressurection Fest tivesse início na República da Música, e a confusão nas imediações já deixava antever uma séria invasão à sala de Alvalade. O que não surpreendia, olhando aos nomes que compunham o cartaz: Napalm Death, The Exploited e Hatebreed, além dos nacionais Primal Attack. Bandas que gozam de grande reconhecimento e que têm numerosos e acérrimos fãs. Ora, tudo junto, só poderia resultar numa casa a transbordar, com todos os problemas que se originaram. O calor absurdo e totalmente inaceitável que largas centenas de pessoas suportaram não lembra ao diabo. Mas bom, vamos então aos concerto na esperança que situações destas não se repitam, até porque ninguém tira qualquer proveito das mesmas. Sejam pagantes, mas também organização ou responsáveis pelo espaço. São manchas que acabam por tingir futuros eventos, e um meio pequeno como o nosso não precisa disso. 


Feita a crítica em jeito pedagógico, os Primal Attack avançaram para o palco à hora prevista. No interior da República da Música era já muito o público pronto para assistir à performance da banda, que agradeceu esse facto e foi pedindo insistentemente a participação da plateia, que acabou sempre por corresponder. Temas orelhudos, fortes e rápidos, aqueceram o ambiente e funcionaram como alongamentos para o exercício físico que se seguiria. A banda do Pica (Seven Stitches) e companhia, contou com a colaboração vocal do Hugo (Switchtence) na parte final de um concerto bem intenso e que se revelou uma aposta acertada.





Os Napalm Death dispensam qualquer tipo de apresentação. Visitantes relativamente frequentes do nosso país, uma vez mais ameaçaram seriamente a estabilidade do edifício onde tocaram. Em cerca de 45 minutos de mensagens políticas e sociais, a sonoridade do quarteto britânico violentou sem ponta de piedade e arrependimento os corpos que tinha diante de si, com temas como “Silence is Defeaning”, “Scum”, “Suffer The Children” ou “On the Brink of Extinction” a elevarem a intensidade do circle pit a um outro nível, bem como o ponteiro do termómetro. Naturalmente, a sui-generis “You Suffer” e a habitual cover de Dead Kennedys “Nazi Punks Fuck Off” não foram esquecidas, tendo a última sido entoada com afinco pelos fãs. Para muitos a banda da noite estaria encontrada, para outros tantos nem por isso, mas que as seguintes tinham de puxar dos galões, sem dúvida que sim.


Era a vez de um dos grandes nomes da história do punk internacional, os escoceses The Exploited, liderados pelo carismático Wattie que caminha já para os 58 anos. As expectativas apontavam para um concerto cheio de acção, mas o estado de saúde visivelmente debilitado do seu líder, rapidamente assumiu o papel principal, ao ponto do senhor da crista vermelha ceder em palco e a banda ter de colocar imediatamente uma pedra sobre o concerto. Segundo informação veiculada na comunicação social, o incidente pouco comum terá sido provocado por um enfarte.  Mas não se pode reduzir o espectáculo a esse momento. Até então, a banda esteve muito activa e a dar tudo o que podia…e aparentemente o que não podia. “Let’s Start a War” e a incrível “Fight Back” abriram a actuação com primor, e “Chaos is My Life” espalhou definitivamente o caos nas filas da frente. Infelizmente o fim precoce do concerto,  deixou “Fuck the USA” de fora do set. Apesar de tudo, o público obteve cerca de 40 minutos de punkalhada como manda a escola. A Metal Imperium, aproveita para endereçar os votos de melhoras e um regresso rápido a Wattie Buchan.




A noite ia já longa, o sufoco começava a deixar mossa, mas ainda faltava encerrar esta Tour of Chaos, tarefa que cabia aos Hatebreed. Da última vez que os americanos provenientes do Connecticut visitaram Portugal, deixaram e obrigaram a deixar tudo em Corroios. Novamente numa sala repleta, embora em condições bem mais desagradáveis, a banda de Jamey Jasta, voltou a não desiludir os fãs e durante mais de uma hora proporcionou a prática de artes marciais com altos níveis de elaboração. Mas, é justo e sério dizer, também muito headbanging noutros “sectores”. Com uma qualidade sonora superior à que, até então, se pôde ouvir, os Hatebreed deram uma volta pela discografia composta por seis álbuns, voltando ainda mais atrás, ao primeiro EP, com o tema “Before Dishonor”. “To the Threshold” foi como um camião a passar-nos por cima logo de entrada, mas “This is Now”, “Straight to Your Face”, “Defeatist” ou “I Will Be Heard”, que se notabilizou no filme Triple X, mantiveram de princípio a fim uma intensidade tremenda, numa comunhão facilmente testemunhada entre banda e fãs. Os Hatebreed despediram-se de Lisboa com “Destroy Everything” e litros de suor pelo chão. Todos chegaram a casa com menos 2 ou 3 quilos. Muitos com várias nódoas negras.


Texto por Carlos Fonte
Fotografias por Pedro Roque
Agradecimentos: Hell Xis