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Primeiro Dia: 21 de Março 2014

Picos, correntes, balas e podridão. Algumas palavras que podem definir o VI Extreme Metal Attack que, pelo terceiro ano consecutivo tomou conta do Side B, em Benavente. Dois dias de black, speed, thrash e rock n’ roll, mas acima de tudo dois dias de excelente música underground, bom ambiente, público em número muito positivo, cerveja e devoção às sonoridades mais negras e sujas com a chancela da Helldprod, cuja dedicação e perseverança vai continuando a erguer aquele que é, hoje, um dos festivais nacionais mais respeitados. Comecemos pela primeira noite, onde o cartaz sugeria quatro nomes: os nacionais Armnatt e War Master, os espanhóis Interfectum e os italianos Demonomancy, a quem cabia encerrar a primeira parte desta jornada dos infernos. 


Foi então pelas 23 horas que os Armnatt subiram ao palco. O público, ainda muito disperso quando Velnius começou a puxar da voz, rapidamente foi ocupando o seu espaço mais perto da acção. O trio nacional brindou-nos com uma dose rápida e sem misericórdia de black metal cru, sem particulares invenções, sem conversa e a rasgar pano sem parar. Ficou uma amostra interessante daquilo que os Armnatt pretendem fazer e do que propõe em “Darkness Times”, o seu álbum de estreia lançado nos primeiros dias deste mês de Março.


Após uma pausa curta, como sempre se saúda (aliás apenas a ultima delas foi mais demorada, mas já lá vamos), cabia aos Interfectum dar seguimento à possessão. Os espanhóis são uma banda recente, têm apenas uma demo intitulada “Sepulchral Rites” mas atitude é coisa que não lhes falta. Um black/death caótico e primitivo a lembrar nomes como Beherit, com um vocalista de ar maníaco, a impor respeito do alto dos seus dois metros e idêntica envergadura, e um cristo de pernas para o ar a balançar na sua cintura. Violência na sua voz e em todo o instrumental arrancaram algum headbang da plateia,nesta primeira visita dos Interfectum ao nosso país. 


“Satan is the war master!”, foi assim que começou o concerto da banda mais “antiga” deste dia. Os serranos War Master, que já andam de volta do Black Metal puro e cruel desde 1998, lançando várias demos desde então, trouxeram na bagagem uma série de riffs que não devem ter passado ao lado de ninguém, com uma voz esporádica mas podre a sair da bateria. São só dois, o Arcanus na bateria e o Impius na guitarra, mas constroem em palco uma parede de som gigante, agressiva, através de uma rawzada dinâmica e bem executada.

O primeiro acto aproximava-se do fim. Faltavam apenas os Demonomancy arrastarem os seus corpos até ao palco. Mas, enquanto isso não acontecia, ouvia-se no Side B o álbum de estreia dos nacionais The Sorcerer - trabalho que seria lançado e apresentado no dia seguinte -. Pois bem, com a estreia assinalada por «Throne of Demonic Proselytism», um registo profano de black metal fortemente invadido pelo odor a caixão de um death metal cavernoso, os Demonomancy só não arrancaram chão porque não calhou. Os italianos emprestaram à noite uma brutalidade tal, que os espíritos malígnos assumiram o controlo das nossas almas e o caos tomou conta das nossa acções. Graves e mais graves, vozes do fundo do poço, devastação autêntica, peso e marcas nos pescoços. No final, não foi de admirar que muitos tenham acorrido à banca para trazer exemplares do excelente primeiro trabalho destes demónios. “Amanhã há mais!”.


Segundo dia: 22 de Março 2014


Segundo dia do Extreme Metal Attack. A afluência na primeira noite tinha já sido nota de destaque, mas para o dia mais preenchido esses números aumentaram e, sem dúvida, ofereceram ao festival outro brilho.

Tudo pronto dentro e fora do Side B. Por volta das 18 horas, os incógnitos Infra (pelo menos até subirem ao palco) marcaram o início do culto, com meia hora de Black Metal com unhas experimentais bem cravadas. Riffs pesadões de tal forma que uma corda da guitarra foi ao ar logo no fim do primeiro tema, problema rapidamente resolvido. As ideias do trio são bem interessantes e justificam atenção nos próximos tempos.


Os Scarificare lançaram recentemente o seu segundo álbum de originais intitulado “Postulado”. Agora em formato de duo, a banda do Porto centrou as suas e as nossas atenções sobretudo neste último registo, mas não deixou passar despercebido o excelente álbum de estreia que rapidamente os lançou na cena, com temas como “Sword” ou “Blood of Melancholy”. Notoriamente humildes sobre o palco e sem grande espalhafato, tocaram um set relativamente extenso, com competência (apenas o volume da guitarra pareceu estar um pouco em baixo) e, acredito, sentimento de dever cumprido. 



O primeiro nome estrangeiro do dia chegava da Holanda, e tinha como intenção mostrar thrash metal poderoso. Os Distillator, cujos cintos de balas ficaram no aeroporto, puseram finalmente a plateia a mexer-se com uma sessão de riffs bem metidos e intensos. Ainda assim, e como é fácil de compreender, foi ao tocarem uma cover de Slayer, no caso “Black Magic”, que a frente da sala entrou em parafuso e a roda se abriu com convicção. Os Distillator ainda agora começaram, mas as amostras têm surpreendido e ao vivo essa foi a opinião geral.



Por Pazuzu, Simão e companhia tomaram conta do palco e dos pescoços de muita gente. Os Martelo Negro deram um concertaço de black, thrash, o que quiserem, repleto de sujidade e atitude “Ugh!”. O facto de termos os membros de Blizzard lá à frente a deixarem-se levar pela música demoníaca de M.N., ajuda a explicar o quão bom foi (ugh!). Passando essencialmente pelo primeiro trabalho, «Sortilégio dos Mortos», a setlist mostrou um pouco do que vai ser «Equinócio Espectral», álbum novo da banda. Os espanhóis Paralísis Permanente foram relembrados numa cover, num concerto adulto, bastante sólido e cheio de rock. (Ugh!)



Entravamos nas derradeiras horas da 11ª edição do Extreme Metal Attack. O primeiro dia havia sido positivo, com boas surpresas, e o segundo estava a decorrer igualmente muito bem. O público divertia-se, o ambiente era bom, as bandas estavam ao nível desejado, tudo a conjugar-se para um fim de noite caótico. E, efectivamente, foi o que se passou. Os Iron Curtain, espanhóis de Murcia, eram um dos nomes mais apelativos do cartaz e que mais entusiasmo geravam. Depois de recentemente terem falhado data no Porto, pedindo mesmo desculpas pelo sucedido às gentes do norte que lá estavam, apresentaram-se em Benavente com vontade de deitar a casa abaixo com o seu Heavy/Speed metal, de riffs e refrões que se colam na mente e fazem as cabeças rolar de forma alucinante. Bem dispostos e comunicativos (traduzindo os nomes dos temas para a sua língua, bem à moda espanhola), estes operários siderúrgicos deram um senhor concerto, com temas dos dois registos de estúdio. Começando logo a desbravar caminho com “Black Fist”, e agarrando desde o primeiro momento um público sedento de air guitar e headbang, a banda terminaria com uma cover dos britânicos Savage e o orginal “Burning Wheels”. 



Dia de lançamento do álbum e dia de concerto para o apresentar. «A Graveyard of Fallen Dreams» é o trabalho debutante de The Sorcerer, projecto de Hugo Andremon que vem já de 1994, mas que só agora, depois de bastante tempo de amadurecimento, dá frutos sob a forma de discos. E que dizer do concerto? Absolutamente fenomenal. Como ele diz, foi “Entre as Trevas e a Sarjeta” que tudo se passou. Pelo meio, contaram com uma participação especial, mais concretamente Pedro Pedra, a conhecida voz dos Grog. Competência a toda a prova, tudo a soar como devia ser e um conjunto de temas que já transformaram este disco num dos grandes lançamentos do ano. Pedindo insistentemente ao público para se chegar mais à frente (em troca alguém recebia um cd), Andremon e os seus músicos de sessão fizeram Black Metal no palco do Side B e competiram seriamente para banda do festival. Se me permitem o toque pessoal ao texto, Blizzard é muito bom (e foi, mas já lá vamos), mas se a noite terminasse aqui, terminaria de forma perfeita. Não deixem passar este disco ao lado!



Era então chegada a hora dos germânicos Blizzard. As horas já não iam para cedo, mas a banda tinha de dar o litro, pois entre o público ainda sobravam algumas forças. O exército de tanques (gente muito simpática e acessível, diga-se), iniciou a sua ofensiva com a banda sonora da “Laranja Mecânica” e nunca mais recuou no terreno. Foi até terem a guerra ganha. E guerra foi basicamente o que se passou na plateia, com o mosh mais vigoroso dos dois dias e várias pessoas a irem ao chão, ou a perderem as suas cervejas, em temas como “Get Wild”, “Whiskey Demons” ou “666 Angry Barbarians”. O Speed/Thrash e Rock n’ Roll bárbaro e alcoólico dos alemães, espalhou o caos mesmo à frente do trio, num concerto que espelhou exactamente aquilo que costuma ser este evento, outrora na gélida Covilhã (mas que lhe dava um sabor especial). Se a noite acabava bem uma hora antes, diríamos que, afinal, os Blizzard fecharam em beleza mais um Extreme Metal Attack. Que para o ano haja mais degredo entre amizades e paixões!


Texto por Carlos Fonte
Fotografias gentilmente cedidas pela organização
Agradecimentos: HellProd