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Monsterworks - "Overhaul" Review


Não se pode dizer que a Nova Zelândia seja um poço interminável de bandas de metal mas a verdade é que as poucas que surgem, surgem de forma arrebatadora. A mais impressionante continua a ser os Monsterworks, que têm realmente um nível de trabalho absurdamente assombroso. A banda lançou o primeiro álbum em 2000 e até agora já lançaram onze álbuns. Este ano já é o segundo álbum, que editam, seguindo o exemplo do ano passado que lançaram também dois álbuns. Poderão pensar automaticamente: “Ok, lançar dois álbuns de música má, todos conseguem”. A questão é exactamente essa, a qualidade dos lançamentos da banda insiste em não baixar o nível de qualidade. Por incrível que pareça é verdade.

Como sempre, e quem tem acompanhado as nossas críticas aos trabalhos destes neo-zelandeses, “Overhaul” é praticamente impossível de catalogar embora seja muito fácil de digerir, não querendo isto dizer que o que fazem é totalmente original e sim que a sua identidade engloba tantas coisas, tantos elementos, tantos estilos, que é fácil se perder na altura de parar para dizer “onde é que estamos nós”. Esse momento surge no final do álbum quando a música acaba. Claro que aí surge mais em forma de pergunta “Onde é que estivemos nós?” e claro, a resposta é pronta: “Não sei, mas vamos lá outra vez!”.

Se há algum feeling que percorre o álbum todo, é aquele de progressão. Claro que apesar de tudo isto, muitos poderão confundir a amalgama de estilos e abordagens com pretensiosismo. E até poderá haver algum, mas o que interessa quando a música é boa. Quando temos um épico de doze minutos como “Resolution”, o que interessa se os músicos têm a mania? Com músicas como estas, até o Dalai Lama tinha a mania. O único ponto fraco no álbum acaba por ser a sua duração reduzida. É certo, quando se dá a mão quer-se logo o braço e com duas propostas por anos de alta qualidade, pouco mais se pode exigir, mas ignorando esse facto e analisando “Overhaul” como uma obra solitária, sabe a pouco. É a problema da excelência, deixa aqueles com expectativas a gritar por mais.


Nota: 8/10

Review por Fernando Ferreira