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Corre o ditado, não tão popular como outros, que “tudo é melhor no Porto”. Dando margem à maior ou menor concordância , a verdade é que uma vez por ano, a invicta recebe um evento que nos aproxima um pouco mais dessa conclusão. O Amplifest, cortesia da Amplificasom, nasceu em 2011 e transformou-se rapidamente num dos majors em Portugal, tendo celebrado recentemente mais uma edição de sucesso, a quarta. Composto por dois dias de coisas a acontecerem em simultâneo ou de forma intercalada, desde exibições de filmes a conversas, passando ainda por audições de álbuns, ou simplesmente visitas à maravilhosa Ribeira, foi principalmente na música audível e visível que todo o fim-de-semana se alicerçou de forma segura, competente e saudosa.

1º Dia

O público foi chegando ao Mercado Ferreira Borges. Lá em baixo via-se o Douro a seguir o seu curso normal, e a espreitar por entre os velhos edifícios da zona em mais um dia da sua vida. Cá em cima, com mais ou menos barba (maioritariamente com mais), a fila para receber as pulseiras cresceu e, talvez por isso, o primeiro concerto do dia e do festival tenha conhecido um ligeiro atraso. Seria de facto uma pena que a sala estivesse a meio gás, quando um dos principais nomes desta edição subisse ao palco. 

Com a sala 1 do Hard Club a caminhar para a enchente, “Ball of Molten Lead”marcou o imponente início da actuação dos Yob. Os dados estavam lançados e nunca mais o nível desceu. Com um expressivo Mike Scheidt a liderar a banda e a distribuir energia através dos seus chakras, a banda norte-americana deixou um profundo rasto esotérico que se sentiu no final do concerto.  O peso e ambiente ali criados deixaram os presentes num estado meio aéreo durante um período, (os fumos não devem ter sido alheios) a que se seguiu o jazz esquizofrénico na Sala 2. Como uma bufetada estridente, Peter Brotzmann e Noble construiram com mestria difícil de digerir um caos jazzistíco que muitos pareceram apreciar, antes de Marissa Nadler assumir o palco no regresso à sala de maior porte. 

Se antes haviamos viajado com os Yob e, depois, entrado num espaço mental muito estranho com a dupla de free jazz, era a vez da acalmia reinar. Por ventura, um reinado demasiado vincado, demasiado etéreo e “bonito”. As duas meninas arrancaram aplausos, mas cortaram de forma abrupta as emoções que ainda vinham de um início arrebatador. Como que voltávamos à terra. Felizmente, disseram alguns, não por muito tempo. 

Quem disse que um caixão é pesado, nunca o carregou com um corpo lá dentro. Os amplificadores voltaram a fazer das suas quando chegou a vez dos Pallbearer puxarem por eles. Colocando o nível de decibeis no ponto mais alto do dia, os doomers deram um dos melhores concertos do festival, segundo opinião geral. Com apenas dois álbuns, ambos visitados na setlist, o quarteto debitou doom como deve ser - poderoso, lento, intenso, com tremendos riffs de guitarra –, e deixou o palco debaixo de grande reconhecimento, antes da romaria para a sala principal, onde os icónicos Swans estariam durante 2 horas e 20 minutos. 

Sendo, como disse, uma banda de referência que influenciou muitas outras ao longo dos anos e das diferentes fases, está longe de ser de fácil acesso e, muito menos, de relação. Não ando longe da verdade se disser que ou se ama ou se odeia (uma força de expressão), e apesar da larga maioria ali presente amar, foi possível observar que muitos não aguentaram a cadência e a repetição exaustiva de acordes e sons produzidos pela banda de Michael Gira, tendo ido espreitar talvez o documentário “Ufomammut: XV”. No final, em diversas conversas, percebeu-se que para os acérrimos fãs terá sido uma viagem daquelas, mas para os que não sabiam bem ao que iam, apenas um concerto muito longo. 

Seguiu-se o pack Hexis + Pharmakon, em concertos de meia hora cada (se é que chegou a tanto). O “hardcore negativo” dos Hexis, como já ouvi descrever, foi potente e intenso, debaixo de uma luz branca que se intrometia na escuridão, e deixou muitos a desejarem um pouco mais. Já Pharmakon, bom, creio que o adjectivo que melhor descreve o que Margaret Chardiet ali desenvolveu é…perturbador. Som ambiente obscuro, em crescendo, com a loirinha numa gritaria infernal de desespero e de pertença a um lugar que não este. Tudo assumiu outra intensidade com a sua descida para o meio do público, onde andou a serpentear enquanto gritava, criando algum desconforto que acabou por ser mágico. No final, reações como “Wow! O que foi isto?” ou “não me perguntem porquê, mas eu gostei!” foram o pão nosso. No seguimento desta viagem perdida e desconsolada, Ben Frost agarrou no seu portátil e outros elementos e foi para a Sala 1 dar-nos sons e ambientes. Com outro tipo de equipamento, a verdade é que, tendo sido um banho interessante de imersão, a este nível não houve pai para Pharmakon. A noite aproximava-se do seu epílogo. 

Muitos já iam ficando do lado de fora a apanhar ar, mas faltava ainda a banda supresa desta edição. No cartaz chamavam-se “?”, mas o seu nome real, descobriu-se, era Sektor 304. A banda de industrial, com influências mais ou menos claras de Godflesh, encerrou o primeiro dia do Amplifest deste ano de forma bem interessante, com sons do submundo dos canos onde as ratazanas dominam. O cansaço acumulava-se e o descanso era um pedido imperial do corpo, horas antes de do 2º e último dia do festival, onde muita coisa boa aconteceu.

2º Dia

Prontos para mais, foi à hora de almoço que recebemos a primeira notícia do dia. Infelizmente, uma das piores para quem fez centenas largas de km’s. O cancelamento de Urfaust, por via do estado de saúde da filha de IX (vocalista e guitarrista), foi um soco no estômago de muitos e nem o anúncio do novo ritual preparado por VRDRBR (baterista) juntamente com outros músicos ali presentes animou as hostes. É certo que acabou por ser agradável e valeu, pelo menos, pela atitude da organização e do próprio Jimmy de arranjarem uma solução em cima do joelho. Mas já lá vamos. 

Coube aos Black Shape of Nexus abrirem as hostilidades, no palco onde os Yob haviam feito o mesmo no dia anterior. Olhando para o cartaz, se quisessemos peso bruto a abrir dificilmente encontrariamos banda melhor para isso, e foi exactamente assim que aconteceu. Os alemães carregaram nos pedais e destruiram o ar com a distorção e a agonia de riffs lentos e pesadões que não podem ter passado ao lado de nenhum fã do género. Na voz, um vocalista doentio que se destacou por entre aquela massa de drone e doom. Se por um lado é bom não esperar por este tipo de bandas um dia inteiro, por outro vamos para o segundo concerto e já temos o cérebro em papas. Um massacre que, felizmente, conheceu pares mais à frente. 

As amplitalks e audições de álbuns continuavam no hall do Hard Club. Prosseguindo, como sempre, na dinâmica “Sala 1, Sala 2, Sala 1, Sala 2”, voltávamos ao mercado nacional com os Bosque, uma possível banda sonora para qualquer funeral. Foi tudo o que o funeral doom deve ser, mas acabou por assistir à saída de algumas pessoas mais cedo, ora por falta de mood, ora porque, olhando para o relógio, percebeu-se que os Conan na outra sala já estariam a começar mesmo antes dos Bosque terminarem. Talvez por terem começado com ligeiro atraso, atrasaram também o final, atropelando a “Crown of Talons”, primeiro tema de Conan…e que tema impressionante! Os britânicos de Liverpool, desafiaram o som e tocaram tão alto quanto podiam, aniquilando por completo os volumes de Pallbearer e de B.SON.! Tudo à volta tremia e os ouvidos foram autênticos heróis, num dos concertos de maior impacto do fim-de-semana, na antecâmara de um ritual “not Urfaust but also something dark”. E assim foi. Foi Urfaust? Não, infelizmente não. Mas foi interessante? Vejamos, deixando de lado a tristeza e fazendo de conta que os holandeses nunca estiveram previstos, acabou por ser um bocado bem passado com o Jimmy a reunir músicos para produzirem uma viagem negra e asfixiante. Para solução de recurso, houve qualidade e dignidade. O lado bom da desilusão, é que os Urfaust são já a primeira banda anunciada para 2015! 

Outro nome aguardado com entusiasmo era Wovenhand. E pelo que nos foi dado a perceber, não desiludiram em palco e terão até elevado o nível que atingem em estúdio. Concerto competentíssimo mas que foi muito além disso, com grande alma de princípio a fim, antes de outro lhe seguir as pisadas. O cavernoso casal Wolvserpent, acompanhado por velas e incensos, levou-nos ao espaço numa espécie de Darkspace versão Doom/Drone, naquele que foi, mais que um concerto, um ritual super intenso e psicológico. Tocando o segundo álbum quase na íntegra, a banda contribuiu bastante para que esta visita ao Porto deixasse saudades. 

Era a vez dos Cult of Luna resgatarem todas as atenções, por ventura o último grande acto previsto no cartaz. A talentosa banda que já viu alterada a sua formação várias vezes, apresentou-se de forma consistente e competente, e com dois bateristas a trabalharem em perfeita harmonia, o que significou um ponto de interesse enorme principalmente para quem nunca os tinha visto. Não defraudaram as expectativas e todos foram felizes e contentes para a sala 2, onde se encerraria o Amplifest por um ano. Pelo caminho, foi ainda possível passar os olhos e ouvidos pelo blues de Alhousseini Anivolla, ao fundo do hall do Mercado Ferreira Borges. Num registo bem diferente do resto do fim-de-semana, os belgas Vvovnds libertaram o crust desenfreado que têm dentro de si, num final violento e cheio de rock, que pecou pela curta duração. 

Lá fora o Rio Douro continuava a correr como no início. Tudo estava igual à excepção das almas de todos nós. Essas, estavam mais cheias e precisariam de alguns dias para perceber o que lhes tinha passado por cima. A Metal Imperium aproveita para dar os parabéns à excelente organização e deseja que para o ano tudo se repita com a mesma intensidade. No mínimo! Até lá Amplifest, até lá Urfaust! 

Texto por Carlos Fonte
Agradecimentos: Amplificasom