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Já se passaram 10 anos, desde o álbum de estreia dos Theriomorphic. Quem diria. E como prova disso, os próprios decidiram, em boa hora, regressar aos concertos e comemorarem esse feito num evento intitulado,  Gods Of Death Over Lisbon, contando com a ajuda preciosa dos Shadowsphere e com os convidados Tales For The Unspoken e Bleeding Display para uma noite bem animada de thrash e death metal.
Os primeiros convidados, provenientes de Coimbra, tinham como missão aquecerem a sala bem composta do RCA Club. Possuídores de um metal movido a thrash e groove, os Tales For The Unspoken subiram ao palco, pontualmente às 22:30, fazendo soar os primeiros acordes cadentes das guitarras, o que antecedia  "Possessed", segundo tema do seu álbum de estreia, "Alchemy", lançado em 2011. A banda continuou, agora com dois temas que farão parte do seu novo álbum a ser lançado em Abril, que se intitulará "CO2". O primeiro, "Soul For A Soul", que provocou um tímido circle-pit, e o segundo, "I Claudios", dedicado a todos as bandas e, acima de tudo, ao movimento underground que não pode parar.  No final, uma salva de palmas ao RCA que, mais uma vez, é destacado pela sua qualidade acústica. Seguiu-se a faixa bónus do "Alchemy", ou seja, "Say My Name", que arrancou finalmente uma boa ovação por parte do público, compensando o suor da banda. O vocalista Marco Fresco aproveitou entretanto a breve pausa para agradecer àqueles que vinham de longe e,  especialmente, ao baixista Guilherme Busato que se encontrava na sala e que esteve com a banda durante 5 anos. Em jeito de dedicatória, seguiu-se a também novíssima "Taken", a constar do próximo álbum. Marco Fresco aproveitou novamente para agradecer às restantes bandas e "vender o seu peixe" ao relembrar o concerto de lançamento do novo álbum, que irá realizar-se no próximo dia 11 de Abril, em Coimbra. Por último, ficámos com a sempre tribal "Ntakuba Wena", que contou com a colaboração do público no que toca aos seus cânticos indígenas. Depois de meia hora na máxima velocidade, e de terem dado um concerto na noite anterior em Lamego, os Tales For The Unspoken não acusaram o cansaço, acabando por cumprir, com distinção, a missão de aquecerem a sala do RCA. E já que assim foi, esperamos ansiosamente pelo novo álbum que terá, de certo, a mesma força.

Para variar no género, mas nunca no peso, ficámos em seguida com os Bleeding Display e o seu grind. A banda de Lisboa tem um novo álbum na bagagem, intitulado "Deviance", e fez questão de o tocar na íntegra, perante uma plateia cheia de sorte. Começam, por volta das 23:30, com o seu instrumental "Reckoning", para depois prosseguirem brutalmente ao som de "Dark Passenger". Seguem-se as endemoninhadas "Persuasive Demons" e "Refinement Of Evil", que levam aos primeiros circle-pits da actuação e, para variar um pouco, "Beyond Flesh", o primeiro tema do álbum anterior, "Ways To End", lançado em 2006, que originou um circle-pit mais feroz. A banda tinha despertado o monstro, mas o vocalista Sérgio Afonso queria mais e, por isso, puxava pelo público, quase que pelas suas entranhas. Antes da banda continuar com mais dois temas do novo álbum, a saber os devastadores "Blood Cult" e "Inglorious Killing", Sérgio Afonso aproveitou para agradecer primeiramente ao baixista João Jacinto por substituir pela primeira vez, e bem, o baixista original Diogo Silva que se encontra ausente por algumas datas, e aos presentes por terem comparecido. Sem os Bleeding Display darem tréguas, seguiram-se "Deprivation" e mais agradecimentos, desta vez às restantes bandas e à organização pelo convite, algo se que tornou num motivo de orgulho para a banda, e logo a seguir, "Killing Spree", que não deixou arrefecer o circle-pit que teimava em abrandar. Até final, contámos com mais dois temas: o último tema do novo álbum, "Remains To Be Seen", que conta com a colaboração de Alexandre "Nocturnus Horrendus" Mota e, por isso, dedicada ao membro dos Corpus Christii, que se encontrava algures na sala, e o tema que dá nome ao álbum anterior da banda, ou seja, "Ways to End". Após o término da actuação, a banda recebeu uma excelente e merecida ovação e provou, mais uma vez, através da sua maturidade - até porque já andam cá desde 1999 - por que motivo são uma das maiores referências do death metal em Portugal. E se quiserem mais provas, oiçam o seu último álbum.

Antes dos Theriomorphic, tivemos ainda os Shadowsphere, principais responsáveis por este evento e que iniciavam nessa mesma noite a sua digressão ibérica. Além disso, e tal como os Theriomorphic, a sua actuação baseou-se no seu primeiro álbum "Darklands", que cumpriu recentemente 10 anos, desde a sua estreia. Como já é da praxe, a banda do Seixal iniciou o seu concerto envolta numa atmosfera vampírica, cheia de referências ao filme "Drácula de Bram Stoker", dando asas ao seu primeiro tema, que só podia ser "Nosferatu (Wolf Christendom)", cujo título entre parênteses dá nome, curiosamente, à sua próxima digressão. Ainda nas  erferências a Vlad Dracul, a banda prosseguiu com a já bem conhecida "Into The Lungs Of Hell", para gáudio do público. O vocalista Paulo Gonçalves aproveitava agora para puxar pelo público e destacar o 10º aniversário do "Darklands", bem como o facto da banda juntar-se aos anfitriões deste evento para algumas futuras datas. De destacar também o desempenho de Luis Miguel Santos, o novo elemento no baixo. Entretanto, os Shadowsphere avançavam com mais um tema do "Darklands", nomeadamente "At the Graves", finalmente com direito a uma boa ovação. Acompanhando o alinhamento do próprio álbum, seguiu-se a música "Carfax In Flames, óptima para dançar, segundo Paulo Gonçalves. Não houve dança, mas para compensar, houve uma enorme ovação no final. A actuação prosseguiu com um vocalista sempre bastante comunicativo e animado, com o mesmo a referir que a malha seguinte seria, em tom de brincadeira, uma cover dos Slipknot, devido ao apetrecho/timbalão tocado pelo próprio, desta feita no tema "The Everlasting Dream", tema esse que originou um fugaz circle-pit, mas muito headbanging. Desviamo-nos agora do caminho do álbum de 2004, para visitarmos o último trabalho da banda, o EP "Damnation A.D.", lançado em 2013, para escutarmos, desta vez, uma cover a sério dos Dio, de seu nome "Holy Diver", que proporcionou Uma entusiasta ovação no final, cujo vocalista Paulo Gonçalves retribuiu com um hilariante "Espectáculo!", ao jeito do apresentador do concurso O Preço Certo. Depois das inevitáveis gargalhadas, visitámos agora o álbum "Hellbound Heart" com o tema "The Forsaken", com direito a um circle-pit à medida. Para o final estavam reservados os temas "Red Dawn (Back In Gehenna)" e "Forever", dos trabalhos "Damnation A.D." e "Darklands", respectivamente. A banda despediu-se debaixo de uma grande ovação, com sentidos agradecimentos ao público e ao RCA, e com a promessa de voltarem a Lisboa no final de Maio, depois de uma digressão que já contará com algumas datas em Portugal e Espanha. Sendo assim, encontramo-nos na estrada!

Já a noite ía longa, quando os anfitriões Theriomorphic subiram ao palco, prontos para descarregarem o seu death metal, perante um público devoto e paciente, tendo obviamente como base o mítico "Enter the Mighty Theriomorphic", que perfaz 10 anos, desde o seu lançamento. Depois de um breve intro, a banda iniciou a sua actuação com a feroz/veloz "...and the Sorrowy Night" e, logo de seguida, "Till Death Do You Part", recebendo a primeira ovação. Breve pausa para agradecer àqueles que vieram com o intuito de fazerem parte da comemoração do primeiro álbum da banda, e uma dedicatória às restantes bandas ao som de "Burning Freedom". Seguiram-se "Bloodied Hope", "Death Almighty" seguido de um intro, e "Silent Moon", o que levou aos primeiros circle-pits de alguns corajosos. Posto de parte o álbum em destaque, a banda continuou com o tema inicialmente tenebroso "Flesh Denied" do seu último álbum, "The Beast Brigade", que contou com a participação especial do vocalista dos Shadowsphere, e que serviu para dedicar à equipa do RCA. Depois de "Marching Towards The Sun", tema pouco tocado ao vivo, a banda terminava assim o álbum, tocado na íntegra, com a épica "Theriomorphic", o que no final mereceu uma grande ovação, após actuação sentida do grupo. Com o final do concerto à vista, até porque já era tarde e a banda ainda queria festejar com os demais, fomos presenteados com mais três temas, a saber o novo "Absent Light", que puxou ao headbanging, e "Operators Of Triumph" e "The Beast Brigade", ambos do álbum com o mesmo nome deste último tema. Depois de um final apoteótico, a banda despediu-se com o dever de missão cumprida e com a confirmação de que está pronta para destruir os palcos nesta sua nova digressão, após  lguma inconstância nas suas actuações ao vivo. Com uma sonoridade já bastante coesa e para os amantes do bom death metal que se faz por cá, a Beast Brigade está finalmente de volta à estrada!


Texto por Bruno Porta Nova
Fotografias por Igor Ferreira
Agradecimentos: Shadowsphere e Theriomorphic