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Já perdemos a conta às novas bandas que surgiram com álbuns de estreia neste ano de 2015 e que a maior parte delas conseguiu surpreender pela positiva. Os Kvltist são apenas mais um exemplo. Um duo na vertente mais comum do estilo (um cuida de todos os instrumentos e algumas vozes, neste caso MZI, enquanto outro apenas da voz, neste caso Amon Xul). Claro que o género é o black metal, como já estava bem implícito. O duo alemão aparenta vir de França, ou seja, a sua identidade musical assenta sobretudo no desconforto criado por melodias algumas vezes dissonantes (com o seu expoente máximo na “Darkest Light From Glaring Shadows”).

Quando se pega em fórmulas pré-estabelecidas, é muito fácil cair em becos sem saída e sem muito espaço para haver um crescimento. Felizmente não é de todo o que acontece aqui. As músicas conseguem dar bom uso às dinâmicas (e isto quando se tem temas com sete e nove minutos faz toda a diferença para que não exista um cansaço excessivo na globalidade do trabalho em si) e o álbum flui muito bem. No entanto, a sua grande vantagem é a forma como consegue estabelecer um ambiente e não nos enganamos, black metal é sobretudo a criação de um certo ambiente.  Recriar ambientes que fizeram sucesso (como por exemplo, um “Transylvanian Hunger” ou um “De Mysteriis Dom Sathanas”) é difícil mas não é impossível, no entanto, corre-se o risco de soar sempre a falso.

Aqui, por outro lado, o que temos é um ambiente que não sendo totalmente original é, pelo menos, único e mais não se lhes pode exigir. É também um trabalho complexo e intrincado que exige múltiplas audições por parte do ouvinte sem nunca se tornar aborrecido. Também é certo que não é propriamente o típico álbum para ouvir todos os dias (isto para quem aprecia coisas mais directas, claro). Ainda assim, assume-se como um trabalho ao qual se voltará muitas vezes no futuro. Boa surpresa e boa estreia. Mais um nome a seguir no black metal.


Nota: 8/10

Review por Fernando Ferreira