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Phil Simon, da Huffington Post, conduziu recentemente uma entrevista com John Petrucci, o guitarrista dos Dream Theater. Tendo em conta a enorme expetativa que existe em relação ao novo álbum da banda, esta entrevista abordou vários temas relacionados com o lançamento do “The Astonishing” e a tour que vai apresentar o álbum aos fãs.

Sobre a inspiração da banda para este álbum concetual, “The Astonishing”:

Petrucci: “Este álbum é realmente, até à data, o nosso maior desafio enquanto banda. A sua construção começou à cerca de dois anos. Começou como uma simples ideia musical, mas depois a história à volta desta ideia foi-se tornando cada vez mais envolvente”. 
“Desde o início que também decidimos todo o imaginário que este álbum implicaria – a história, o formato duplo, a apresentação como um espetáculo único, e até outras coisas em que este álbum poderia ser transformado… como um livro, um jogo, um filme, etc. Tem sido um projeto e uma experiência incomparável. Tem dado imenso trabalho, mas também tem sido muito gratificante, e eu estou muito orgulhoso deste álbum”.

Acerca da história de “The Astonishing” refletir parcialmente a sua ideia de que há realmente demasiado envolvimento da tecnologia no nosso dia a dia:

“Bom, neste momento vemos isso acontecer em todas as áreas – muito trabalho de manufatura está a ser automatizado e substituído por máquinas”. “Mas sendo eu um músico, e sendo a música uma parte fundamental da minha vida e das pessoas que me rodeiam, sabia que este tinha que ser um dos temas centrais do álbum. Como é que com todos os avanços tecnológicos, a música se tornaria cada vez menos importante… e como é que cada vez seria mais fácil fazer streaming ou ouvir uma música curta, ou no telemóvel, só por ser mais fácil e acessível. Sem esta importância, achei que seria interessante retirar o papel humano da música e das artes… como se tudo fosse feito por máquinas. E isto tornou-se uma representação do futuro na nossa história, neste trabalho. Passa-se tudo daqui a 300 anos, onde as pessoas já não têm qualquer papel na música, é tudo automático”.

Sobre o objetivo dos Dream Theater em tornar “The Astonishing” uma grande afirmação no panorama musical:

“Sim, como disse desde o início que a nossa ideia era fazer algo em grande. A nossa ideia sempre foi cruzar diferentes meios e experiências, e para isso tivemos sempre que pensar não só na música, mas também na componente visual, nas letras, no espetáculo ao vivo e no que isto se poderia vir a tornar. Daí ter a conceção e planeamento terem demorado tanto tempo”.

Sobre o frontman da banda, James LeBrie, interpretar diferentes personagens ao longo de todo o “The Astonishing”:

Petrucci disse: “Primeiro, tenho que dizer que ele fez um trabalho fenomenal. Esta tour vai ser o momento dele; vocalmente, acho que este foi o melhor trabalho dele até agora. Foi um grande desafio para ele interpretar e cantar as oito personagens que fazem parte da história do álbum, e ele conseguiu fazer um trabalho espetacular”. “Eu disse-lhe que não acreditava que qualquer outro cantor conseguisse fazer o que ele fez e tão bem, foi uma enorme prova da qualidade e criatividade dele enquanto vocalista.”

Sobre se seria a altura ideal para incluir o baterista, Mike Mangini, no processo de conceção e escrita de um álbum tão ambicioso como “The Astonishing”:

Petrucci: “Sobre o Mike, acho que não posso dizer coisas boas sobre ele que sejam suficientes para mostrar o quão importante ele foi neste processo criativo. Eu e o Jordan escrevemos a música e criámos demos sem qualquer tipo de percussão… e o Mike chegou e mesmo sem a componente vocal, tocou e interpretou os temas de uma maneira excecional. O instinto dele funcionou muito bem nas demos sem voz e uma vez mais, ele foi excecional.”

Por fim, sobre o risco de interpretar este álbum ao vivo, numa tour e concertos dedicados exclusivamente a “The Astonishing”, Petrucci disse:

“Há definitivamente algum risco associado a esta decisão. Nós já tocámos com grandes bandas, abrimos espetáculos de outras, tocámos em salas maiores e salas mais pequenas… fizemos todo o tipo de coisas. Mas desta vez queremos mesmo que seja uma experiência completamente diferente. Eu pensei, vamos marcar esta tour para todas as grandes salas de espetáculo, de grande prestígio, com montes de lugares sentados, em que as pessoas têm oportunidade de relaxar e aproveitar um grande espetáculo de entretenimento”.

“Vai ser um risco basear todo um concerto num álbum, mas acho que neste caso faz mais sentido acompanhar toda a história e conceito do álbum de seguida, como se fosse uma ópera ou um musical. É mais ou menos como se tivéssemos roubado uma página do livro dos Pink Floyd, no capítulo sobre a tour do ‘The Wall’. Essa tour foram apenas os Pink Floyd a tocar o ‘The Wall’ ao vivo, e esta tour vai ser apenas com os Dream Theater a tocar o ‘The Astonishing’ ao vivo.”

Fonte original: Huffigton Post

Por: Andreia Teixeira - 20 de Janeiro 2016