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Retro. Como diria o povinho, há várias formas de esfolar um gato (ou coelho, já não me recordo bem) e assim é com o retro. Há várias manifestações de retro. Quando falamos hoje em dia no termo, pensa-se logo numa banda que parece que saltou do hard rock (ou até rock) da década de setenta para os dias de hoje. No entanto, não é o que temos aqui. Os Hexvessel são nitidamente uma banda retro mas a sonoridade que apresenta remonta a outro tipo de coisa. Com um feeling bem mais psicadélico e um orgão a condizer (parece que tem por ali dedinho ou dedinhos do saudoso Ray Manzerek dos The Doors), diriamos que a banda finlandese apoiu-se mais na década de sessenta.

Consta que nem sempre foi assim e que os Hexvessel outrora apoiaram-se mais em tonalidades mais space rock e até folk. Tendo em conta o que se pode ouvir nestas faixas, não temos muita razão para nos queixar, já que a qualidade continua a ser mais que muita. É certo que para quem achava o órgão de bandas como os já mencionados The Doors, vai ter uma grande dificuldade a conseguir com que esta sonoridade entre, ainda para mais com um som de distorção de guitarra tão precário como se tivessemos em 1967. Mas é precisamente reside o charme deste "When We Are Death".

Temas como "Transparent Eyeball"  e "Earth Over Us" que nos mostra como se fazia (ou deveria fazer) rock psicadélico na década de sessenta, assim como outras peças como a " "When I'm Dead" que tem lá pelo meio umas variações que nos fazem lembrar as extravagâncias músicas dos primórdios de bandas como King Crimson e dos primeiros tempos de Frank Zappa. Para tornar a coisa mais dinâmica, ainda temos algumas baladas ("When I'm Dead" e "Green Cold") que acabam também por quebrar um pouco o ritmo e tornar este trabalho um pouco mais mellow. Apesar de se conseguir apreciar, é um trabalho com um público alvo muito específico assim como uma disposição para tal. Para os apreciadores de sonoridades vintage, é um tiro em cheio, diferente daquilo que é habitual no género. Para os outros todos, nem vale a pena tentar.


Nota: 7/10

Review por Fernando Ferreira