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Sétima edição do festival anti-crise. Quem diria que aquele festival que começou quase como uma teimosia por parte da organização em fazer algo de diferente em termos culturais para além da aposta continuada nos mesmos pimbas de sempre chega agora à sua sétima edição. Com muitas mudanças que não são tão surpreendentes quanto isso - quem esperaria que o crescimento por apostar em bandas diferentes e internacionais não teria de levar à transformação do festival gratuito para pago, ainda por um valor bastante abaixo da média, de certeza que não deve estar em muito contacto com a realidade.

Uma das grandes alterações deste ano é o local, tanto do local dos concertos como do acampamento, ainda mais perto do festival. O recinto passou para a periferia da cidade, no Parque de Merendas da Cidade e este primeiro dia provou que essa foi uma aposta ganha, havendo mais espaço par que as pessoas pudessem circular, estar em frente ao palco e comer. A afluência, essa, também justificou essa mesma mudança já que ao que tudo indica, tratou-se a maior de sempre da história do evento. Vamos então mergulhar na sétima edição do Santa Maria Summer Fest.

Dia 1

As actividades começaram no palco principal com os Hexecutor, banda francesa e dona de uma sonoridade de thrash metal old school, que fez recuar as pessoas que ainda estava a chegar ao recinto aos idos da década de oitenta, quando bandas como Kreator, Sodom e Destruction ainda davam os seus primeiros passos. O novo espaço ainda estava a receber as pessoas no entanto, enquanto não enchia, ficou a cargo dos franceses enchê-lo com o seu thrash metal cru, que ocasionalmente teve algumas falhas de som no que aos graves diz respeito, mas nada que perturbasse a qualidade da sua prestação. Nem faltou uma música dedicada aos nossos Midnight Priest, Inquisitor e Wanderer, as nossas pérolas do underground tradicional no que ao heavy metal diz respeito.

E por falar de heavy metal tradicional, é dentro desses espectro que se inserem os Amulet, que têm tudo para se tornarem numa das próximas coqueluches do género a nível europeu. A banda britânica assinou contrato com a Century Media o que por si só já é garantia de alguma qualidade. No entanto caso existissem dúvidas, o seu heavy metal puro e duro desfez-as por completo. O palco chamou mais pessoas para a frente que apreciaram temas como "The Hangman", "Mark Of Evil" e "Sign Of The High Priest", o que só prova de que um festival não é só bem sucedido por ter grandes nomes (embora seja obviamente importante) mas principalmente por haver visão em trazer boa música.

Após os Amulet, fomos dar uma saltada à Blast Beat Master Class no Forest Stage, onde iriam decorrer uma série de actividades e concertos que não obrigavam à compra de bilhete. A simpatia de Raphael Saini, o baterista brasileiro dos Cripple Bastards rapidamente conquistou aqueles que iam chegando e umas demonstrações de batidas em conjunto com o guitarrista companheiro de banda, Wild Vitto, foram bem apreciadas. No que nos diz respeito, infelizmente não pudemos apreciar até ao final, porque no espaço principal já tinham começado os Caronte. É o preço de se ter um horário bem preenchido e várias opções à escolha. Não podemos ir a todas.

Os italianos Caronte também podem não ser sobejamente conhecidos mas definitivamente deixaram a sua marca em todos os amantes de stoner/doom. Apesar desta sonoridade não ser propriamente a aposta mais segura no que diz respeito a um festival de música extrema, mais uma vez a musica sobrepõe-se aos eventuais riscos e mais uma vez, esta foi uma aposta bem ganha. A prestação da banda elevou a fasquia bem alta para todas as outras com o seu doom a ter um grande impacto, quer a nível de som (impecável), como da performance e as músicas em si. Que o digam o público que não arredou pé perante temas como "Ode To Lucifer", " Navajo Calling" (ritualista e bem hipnótico), "Wakan Tanka Riders" e a " Black Gold".

Foi o momento de voltar ao Forest Stage onde iam começar a actuar os Trepid Elucidation, uma banda de Lisboa que apesar de estar ainda a dar os primeiros passos (mais ou menos, tem quatro anos de existência) demonstra boas referências musicais e uma abordagem intrigante ao death metal old school e técnico. Sem dúvida com capacidades para ir mais longe. Enquanto isso e após algum atraso, subiram ao palco principal os Ironsword, a primeira banda nacional a subir ao mesmo - não deixa de ser algo irónico que tenhamos bandas estrangeiras (de qualidade, nunca é demais referir) a surgirem primeiro no alinhamento que nacionais. Não deveria ser sempre assim? Não se trata de nenhum favor ou questão nacionalista, já que os Ironsword já não têm nada a provar a ninguém há muito tempo e o valor de Tann e companhia e do seu heavy metal tradicional é inquestionável. Com uma boa mole humana à frente do palco, Os Ironsword provaram que não só o heavy metal não morre como também não envelhece como temas como "Beginning Of The End", "Ring Of Fire" (uma das várias incursões ao último álbum de originais "None But The Brave", a par de "Forging The Sword", "The Shadow Kingdom" entre outras) e Overlords Of Chaos. A banda queria tocar mais mas decidiu, por respeito às bandas seguintes, encurtar a sua actuação de forma a tentar com que o alinhamento do festival recuperasse do atraso.

Depois de algum tempo de espera, era chegada a vez de uma das grandes atracções do festival subir ao palco, os italianos Forgotten Tomb. O atraso não foi recuperado, apesar do sacrifício dos Ironsword mas o público não estava minimamente incomodado com isso, principalmente de um início bombástico com o tema "Soulless Upheaval", do último álbum de originais, "Hurt Yourself And The Ones You Love" que definiu bem aquilo que iríamos encontrar ao longo de pouco mais de uma hora de duração: um som bem definido e uma banda em topo de forma que conseguiu hipnotizar Beja com o seu metal depressivo e ainda assim, muito pesado. Não faltaram temas como "Reject Existence", "Daylight Obsession", "Deprived" e o tema título do já citado último álbum de originais. A banda rendeu-se a Beja e Beja retribuiu da mesma forma.

Perante tal actuação, foi-nos difícil abandonar o concerto antes do seu fim, pelo que quando nos deslocámos para o Forest Stage, os Venta de Exterko já estavam a tocar. E o que dizer da banda nacional de punk/hardcore? O seu som já dispensa apresentações, assim como temas como "Caos Em Portugal", "Vítimas do Sistema" e "Pode Ser Que Se Fodam". Também não é novidade nenhuma a sua boa disposição que transportam sempre para cima do palco e que transformou (ainda mais) o ambiente de festa. Acabaram a actuação com uma versão muito podre do clássico dos Mutantes, popularizado pelos Sepultura, "Polícia".

Voltámos novamente ao palco principal, onde estavam os austríacos Harakiri For The Sky.  A nossa curiosidade por ver a banda (que em estúdio é um duo) em cima do palco do SMSF era mais que muita e a expectativa existente não foi defraudada. O black metal de cariz épico e melódico agarrou o público ao longo de quase uma hora, e mesmo sem haver praticamente comunicação entre a banda e o público. Quando a música fala mais alto, não há necessidade de mais palavras. E assim foi. De certeza que a banda volta a casa com mais uns fãs angariados, isto quando têm o seu terceiro álbum - "III: Trauma" fresquinho às costas.

O Forest Stage estava em rebuliço e fomos ver o que se estava lá a passar. Aquilo que encontrámos surpreendeu-nos e só há uma palavra para o descrever: Extirpation. Parafraseando Monty Python, e agora para algo completamente alucinado. Com um thrash/black metal que faz com que os Sarcofago e os Nifelheim pareçam meninos de coro. Poderão pensar que ao dizermos que "só visto é que se consegue compreender" se trata de preguiça mas a verdade é que nem visto se consegue absorver tudo o que se passa no palco. Enquanto o baterista que tocava como um condenado blastbeats atrás de blastbeats, parecia o mais comedido, o trio de ataque composto pelo baixista/vocalista Darak, e pelos dois guitarristas Hellros e Magikkk parecia que estava a ter um ataque epiléptico vitaminado, ao mesmo tempo que estava a ser exorcizado, com os demónios nos seus corpos a recusarem-se a sair. Sem dúvida, um novo patamar de extremo naquilo que ao género diz respeito. Uma banda obrigatória de ver ao vivo.

No palco principal era tempo de algo mais comedido mas mesmo assim, intenso. Os Mata-Ratos voltam ao Santa Maria Summer Fest após 2011 e despejaram clássico atrás de clássico, como se não houvesse amanhã. Apesar do adiantado da hora, o público não desistiu de ver um nome tão emblemático como este e não puderam faltar temas como "C.C.M.", "Leis de Merda", "Paralisia Cerebral", "Napalm Na Rua Sésamo" e "Outra Rodada". A banda é já uma verdadeira instituição e prestações de qualidade é o que se pode esperar sempre deles e foi precisamente isso que se teve.

A madrugada já estava adiantada e só faltavam os Röadscüm que vieram preencher o espaço deixado vago pela desistência dos Vizir que cancelaram precisamente por causa da hora. Os Röadscüm é uma nova banda e contam com Tiago Steelbringer dos Midnight Priest (que vão arrancar numa digressão de trinta dias pela Europa no próximo mês), com um som que se pode descrever um cruzamento entre os Motörhead e os Gehennah foi uma boa surpresa. Simples e eficaz, metal descomprometido, ideal para quem procura o espírito do puro som pesado, da sua essência.

Dia 2

Tal como acontecia no ano anterior, Paulo Colaço marcou presença no SMSF. Abriu as hostilidades do segundo dia e encantou todos com a sua boa disposição no Forest Stage. Boa disposição que aliada ao som único da viola campaniça com distorção - porque como disse o próprio, este é um festival de metal - e a um dom de comunicação capaz de prender a sua audiência, fez deste momento um dos mais divertidos de todo o evento. E é assim que se atrai as pessoas para a nossa cultura, algo que Paulo fez muitíssimo bem, num ambiente que à partida seria hostil. Após este aquecimento, os bracarenses M.I.L.F. surgem no palco principal com o seu death metal moderno e peculiar, onde a voz de Mariana Faísca, soa potente como uma bulldozer e a bateria e guitarra preenchem bem o espaço restante, não se sentido a falta do baixo. Um projecto a seguir no futuro próximo.

Depois do grupo nacional, foi a vez dos nuestros hermanos Celtibeerian, que tal como os Northland no ano passado, foram os representantes da sonoridade folk metal e tal como a actuação do ano passado, acabou por ser um dos momentos de maior diversão no segundo dia em frente ao palco principal. É engraçada a tendência para as bandas espanholas que nos visitam têm a tendência para falar em inglês mas depois acabam por falar em castelhano - que diga-se de passagem é mais perceptível que a sua versão de inglês. Questões linguísticas aparte, o som da banda não trouxe grandes novidades, além de todos os lugares comuns do género, no entanto, o resultado foi uma actuação irrepreensível e que espalhou e contagiou com boa disposição. É exactamente isso que se pretende, certo?

Devido às atracções do palco principal, acabámos por perder as actividades do Forest Stage, Blastbeat contest, mas ainda fomos a tempo de presenciar um pouco da joint venture entre os OvO e os A Foice com a designação de Creating The Sound. Algo que os amantes do drone deveriam ter tido oportunidade de presenciar. De volta ao palco principal, verificámos o regresso dos Animalesco, O Método, e o seu crust potente colocou tudo a mexer em frente ao palco. Um duplo ataque vocal de impôr respeito que nos remete para bandas clássicas como Disrupt e que levou tudo à frente num género que é muito querido ao público do festival.

E por falar em porrada, teríamos que dar destaque a um dos grandes nomes desta sétima edição, os italianos Cripple Bastards. que fustigaram o público de Beja com uma dose de violência sonora saudável, despejando em cima do palco principal quase trinta anos de carreira de grindcore de protesto, conjugando com altos níveis de adrenalina e uma efectividade técnica de assinalar e que poderia surpreender os que só os conheciam como uma banda podre underground de crust/grindcore.

Também no palco principal, e também um nome grande do cartaz, os Sinister. De regresso ao nosso país após uma longa ausência (se não nos falha a memória, a última vez foi no Headbanger's Fest, no Seixal, em 2002, ainda com a Rachel como vocalista), a máquina trituradora holandesa estava bem afinada, deixando fruta de qualidade em cima do palco, destacando-se "Transylvania", "Blood Ecstasy", "The Grey Massacre", os destaques ao último álbum de originais, "The Post-Apocalyptic Servant", com "The Masquerade Of An Angel" e "The Science Of Prophecy", assim como as músicas mais clássicas e que são obrigatórias como a "Epoch Of Denial" e "Sadistic Intent". Um belo concerto que preencheu tanto a banda pela reacção do público como o público pelo death metal old school com o qual foi brindado.

Enquanto o death metal servido no palco principal aquecia as hostes, não podemos dizer que o Forest Stage estava com um nível mais baixo de intensidade. Para substituir os desistentes Örök, a solução foi encontrada nos Bas Rotten, que provocaram tal rebuliço na tenda do Forest Stage, que tememos verdadeiramente pela sua segurança. Ok, talvez seja um exagero, mas a verdade é que para aqueles que já estavam cansados e aborrecidos, aqui estava um antídoto perfeitamente natural.

Os atrasos pareciam ser o grande inimigo desta sétima edição, pelo que quando os Bizarra Locomotiva entraram em palco o mesmo já era grande. A intensidade foi aquela que já conhecíamos da Locomotiva, mas os problemas técnicos acabaram por assombrar aquela que poderia ter sido mais uma actuação marcante. Problemas esses que levaram a que Rui Sidónio saísse do palco por duas vezes, sendo que na última, não voltou mais, deixando o público a cantar sozinho o refrão do clássico "Apêndices". Pelo meio ficaram vários destaques ao mais recente álbum de originais "Mortuário", como "Foges-me Em Chamas", "Na Febre de Ícaro" e "Flauta do Leproso" e outros mais antigos como "Gatos do Asfalto", Escaravelho e ainda a participação de Daniel Cardoso na bateria do tema "Ergástulo".

De seguida o palco principal deu lugar à sonoridade neo-folk, uma novidade na história do festival e mais uma aposta ousada que, na nossa opinião e pelo público que se manteve em frente ao palco, foi uma aposta ganha. A sonoridade da banda é bastante diferente daquilo que já ouvimos no SMSF mas podemos dizer que apesar dessa diferença, o resultado foi bem agradável, ainda que tenhamos compreendido todos aqueles que se dirigiram para o Forest Stage, para verem os Bleeding Display a partir tudo em mais uma actuação simplesmente explosiva onde não faltaram bujardas como a "Beyond The Flesh" e "Deprivation" e ainda se teve direito ao clássico dos Napalm Death, "Suffer The Children".

O atraso do horário, o frio e o cansaço acumulado, não nos permitiu ver os Phantom Vision e o seu rock gótico no palco principal nem os OvO no Forest Stage, mas  pelas reacções dos resistentes, foram dois espectáculos de qualidade. Este segundo dia foi uma aposta ganha no que diz respeito a sonoridades mais alternativas ao extremismo habitual, onde tudo correu bem, excepto pelos atrasos e os problemas técnicos . Como diz o povo, há mais formas de esfolar um gato.

Dia 3

Parecia mentira mas já tinham passado dois dias e já estavamos a entrar na recta final. Este último dia apostava muito no black metal e também nalgumas experiências e surpresas. O dia começou no Forest Stage com os The Royal Blasphemy, banda nacional que mistura rock com metal moderno, nas sua vertente mais "nu", reuniu um bom público na tenda que ia parando conforme entrava no recinto. Destaque para o single, "Corruption", que encerrou a sua actuação, um dos temas mais marcantes, em conjunto com "Depression" e "Injustice". No final, já se ouvia os espanhois Empty e o seu black metal épico. Não seria talvez a melhor banda para iniciar o dia, já que somos da opinião que o black metal tem que ser tocado à noite mas isso em nada diminui a qualidade da sua actuação. O público ainda estava algo apagado nas suas reacções - talvez fruto do sol intenso que se fazia sentir - mas o seu número crescia a olhos vistos. Com quatro álbuns às costas, a banda demonstrou possuir experiência para ter uma actuação irreprensível.

Segui-se mais uma banda espanhola, mais uma banda de black metal, os Blasphemium, que carregaram um pouco mais no peso, embora a sua vertente pertencesse ao black metal mais melódico devido à presença dos teclados com um papel preponderente na sonoridade final. O público em frente ao palco já estava um pouco mexido mas a acumulação dos dias anteriores mostrava que o motor para a festa demorava um pouco mais a pegar. E como não há duas em três, no que ao black metal diz respeito, foi a vez dos nossos Decayed demonstrarem o seu lusitanian black fuckin' metal, com J.A. a ser o mestre de cerimónias, acompanhado por Vulturius no baixo e voz e Nocturnus Horrendus na bateria.

Teve-se direito a um desfile de clássicos, sendo que no caso dos Decayed, ficariam sempre alguns de fora, visto que o colectivo já tem uma carreira com mais de vinte e cinco anos. Ainda assim, não faltaram "Last Sleep, "Hell-Witch", "Drums Of Valhalla", "Spikes, Leather and Bullets" e a indispensável "Fuck Your God". No final da actuação dos Decayed surgiram em palco dois mascarados que vinham anunciar que iria tocar no Forest Stage a banda surpresa, que inicialmente estava prevista para tocar às duas da manhã e que passou para as oito e cinquenta.

A banda surpresa era nem mais nem menos que os Systemic Viølence, que recentemente analisámos aqui a sua demo "Fuck As Punk". A banda composta por várias personalidades do underground nacional onde se destaca Deris e Vulturius transportou na perfeição o espírito da demo e deu-lhe uma vida muito mais intensa do que aquilo que podemos ouvir em disco. A tenda encheu rapidamente em expectativa e podemos dizer que estas não foram de todo defraudadas, já que a tenda esteve apinhada do início ao fim da actuação. Uma actuação explosiva e motivou a diversos circle pits e a sessão de biqueirada que teve como final apoteótico uma versão da "Fuck Off And Die" dos Chaotic Discord e popularizada pelos Ratos de Porão.

De volta ao palco principal, mais black metal desta feita, os suecos Ixxi que nos trouxeram uma proposta bastante ortodoxa. A trasição dos Systemic Viølence para os Ixxi necessitou de algum período de adaptação, já que a fúria dos portugueses fez com que os suecos parecessem a andar em câmara em lenta, no entanto, o que é certo é que  a sua actuação deixou cativados um bom número de pessoas e foi crescendo em eficácia, sendo que a "Glory, Pride, Satan, Death", foi o expoente máximo da mesma. Foi um aquecimento mais que digno para a primeira confirmação e a grande atracção desta sétima edição do Santa Maria Summer Fest: Os Rotting Christ.

Esta foi sem dúvida a grande actuação de todo o festival. Sem problemas de som ou de qualquer outra parte e com uma multidão sedenta pelo seu som, a banda grega demonstrou estar em topo de forma e passeou de forma triunfante por toda a sua carreira, tentando focar um pouco de todo os momentos da mesma - haveria sempre alguma coisa de ficar de fora, de outra forma, um dia não chegava. Ainda assim tivemos alguns temas clássicos como "Fgmenth, Thy Gift" e "The Sign Of Evil Existence" com outros mais centes como "In Yumen-Xibalba", "Ze Nigmar" e "Athanati Este". A banda saiu rendida e o público também.

O black metal ainda não tinha acabado, já que ainda faltava verificar os brasileiros Mausoleum que estavam prestes a começar no Forest Stage. Pode não parecer mas os Mausoleum já têm mais de vinte anos e despejaram durante cerca de meia hora o seu metal blasfemo tipicamente sul-americano do qual temos que destacar temas como "Maníaco da Lua Cheia". Uma actuação onde não faltou o corpse paint e as movimentações do costume. Por falar em movimentações do costume, no palco principal tivemos mais um nome clássico da mistura entre o death metal e crust - todos os anos Beja e Portugal recebem um nome grande (Doom, Extreme Noise Terror, Varukers) do género e este não poderia ser excepção que distribuiu fruta a torto e direito, com um som potente e que convidava ao bailarico.

De seguida um dos momentos mais esperados, mais que não fosse pela curiosidade. Temos que ser sinceros, estávamos cépticos. Não é que o hip-hop de Allen Halloween tenha algum problema - na realidade, o problema é nosso, que não apreciamos hip-hop, por muito que a mensagem que transmite seja real e crítica dos problemas da sociedade. A questão é que não deixa de ser hip-hop num festival de música extrema e é desde longe um salto de fé para o escuro - embora sempre achássemos que nos escuro estava uma fogueira cheia de estacas de ferro à espera. Estamos a falar de um dia que teve na sua grande maioria bandas de black metal e passar de uns Extinction Of Mankind, que castigou (no bom sentido da palavra) Beja, para hip-hop seria uma transição que poderia ser problemática. Os Nickelback já levaram com pedras por muito menos.

Nada disso aconteceu e apesar de ser um estilo que não conseguimos apreciar, o público não arredou de frente do palco. Alguns iam abandonando, outros iam mandando os seus protestos, mas a verdade é que decorreu tudo dentro de uma normalidade assustadora - ficámos a pensar se ainda estávamos no mesmo país e tudo. Uma lição de maturidade que o público, no seu geral, deu. Pelo respeito à diferença e à liberdade de expressão, mesmo que essa liberdade de expressão passasse por algo que não fosse exactamente o que se queria ouvir. Parabéns ao público do SMSF e parabéns à organização que apostou, manteve a sua aposta e visão, mesmo quando muitos, nós incluídos, achávamos que tinha tudo para correr mal. E tinha. Mas correu bem. Muito bem.

Com a noite já acabar, ainda se teve o brinde de se ver ao vivo no Forest Stage, a segunda actuação dos Sinter, que surge das cinzas dos Sektor 304 através dos seus membros André Coelho (também responsável pelo trabalho gráfico do SMSF) e João Filipe, dupla que já conhecemos de outros projectos como Profan. A sua performance descreve-se como uníca, tendo durante cerca de meia hora, uma viagem pelos cantos mais obscuros da nossa alma, através de sonoridades que têm tanto de industrial como de noise, o ruído e o barulho a serem domados e transformados do caos para algo único que levou que o público ficasse hipnotizado, principalmente quando a rebarbadora começou a saltar faísca. Experiência (no verdadeiro sentido da palavra) única.

No palco principal a despedida era feita com Atila, que, infelizmente, a este ponto, já não reunia tantas pessoas como seria desejável, mesmo assim, o seu som electrónico e que também tem o seu quê de experimental acabou por ser a melhor maneira de encerrar o palco principal, nesta edição que a organização fez com que vários mundos se cruzassem e que tudo corresse pelo melhor. Do lado do Forest Stage, a despedida era feita com os A Foice, onde também o experimentalismo foi a palavra de ordem, marcando este final de festival e elevando a fasquia de forma considerável para o futuro. Foi sem dúvida a melhor edição de sempre, em termos de condições da (nova) localização dos concertos, em termos do público presente e dos nomes escolhidos. Há pontos a melhorar (havendo sempre, parar é morrer) e lições a aprender, mas o que fica para nós e para todos os restantes que estiveram presentes foram três dias de boa música e boa confraternização numa cidade que fica longe dos grandes pólos do país mas que já está estabelecida como a meca da música pesada no mês de Junho.

Reportagem por Fernando Ferreira

Agradecimentos: SMSF