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Chaos Synopsis, banda de São Paulo que, com “Gods of Chaos”, lança o seu quarto álbum de originais, surgiu nos nossos radares aquando da sua confirmação para o SWR XX e, tanto ao vivo como em cada um dos seus trabalhos, não são precisos mais de 30 segundos para sabermos com o que nos vamos deparar.

Um Thrash agressivo, pesado, grave, muito ao estilo dos primeiros álbuns dos seus compatriotas Sepultura. O toque a “Bestial Devastation”, “Morbid Visions” ou até “Beneath the Remains” é mais do que uma simples influência no som de Chaos Synopsis, tanto em “Gods of Chaos” como nos seus trabalhos anteriores. Estas semelhanças são desde logo evidentes pelo estilo vocal de Jairo Vaz, consistindo maioritariamente em berros graves, a roçar o gutural, pelo uso comum de riffs em trémulo e pelas constantes batidas rápidas.

O álbum arranca com uma forte e energética “Raising Hell”, que marca o ritmo para o resto do full-lenght. Com riffs rasgados e um rápido pedal duplo, elementos característicos da banda desde os primórdios, mas já com elementos inovadores presentes neste novo trabalho. Referimo-nos a secções mais melódicas, prática cada vez mais comum em álbuns de bandas de Thrash já com algum nome feito, ao uso de sons eletrónicos em alguns graves, e ao uso de uma dinâmica mais Groove que se tem vindo a tornar mais presente de trabalho em trabalho. Essa veia mais Groove e pausada é mais evidente em “Serpent in Flames”, a faixa mais lenta do álbum, e quiçá da carreira da banda.

Falando de músicas em particular, parece-me relevante destacar “Badlands Terror” como a faixa mais rápida do álbum, que inclusivamente poderia ser destacada como a nossa faixa favorita, não fosse, a pouco mais de metade da música, todo esse power ter-se dissipado por entre linhas melódicas e solos medíocres. Assim sendo, pela sua consistência, esse título será atribuído a “The Beast That Sieges Heaven”, faixa que nos parece jogar melhor com o novo e o clássico da banda, tendo como riff final um dos melhores do álbum.

Não querendo desvalorizar a criatividade da banda e a sua disposição a sair da sua zona de conforto, não nos parece que este formato, um pouco mais longe do Thrash seja o que mais valoriza a banda em questão, que prima bastante mais pela sua energia, velocidade e agressividade do que por um virtuosismo melódico que se apresenta, fruto das características da banda, dispensável.

Para terminar com as críticas, não poderíamos deixar passar o som do bombo que, num álbum eminentemente Thrash, nos parece demasiado artificial, não tanto pelo som em si, mas pelo volume constante e falta de dinâmica na mistura final, principalmente nos momentos mais rápidos.

No cômputo geral, este “Gods of Chaos” apresenta-se como um bom álbum, recheado de excelentes riffs e batidas rápidas e caóticas que, desde o E.P “Postwar Madness”, se mostraram como os elementos fundamentais para a reputação que banda mantém. É a introdução dos elementos mais modernos e inovadores que, a nosso ver, faz com que este álbum não consiga estar ao nível do seu antecessor “Seasons of Red”, que se mantém como o mais forte e consistente álbum da banda.

Nota: 7/10

Review por Jordi Lopes