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Já se tinham passado 27 anos. Sim, é isso mesmo, contámos 27 anos desde a primeira e única vez em que os míticos Anthrax pisaram os nossos palcos. Foi pela mão da Hell Xis Agency que nos chegou o regresso mais do que ansiado destes americanos, no passado dia 5 de Julho, e nós estivemos lá para ver. Os eborenses Mindtaker foram os escolhidos para abrir hostilidades numa noite que se previa quente. Se havia noite para o Cine Teatro Ginásio Clube de Corroios ferver, era esta.

Dias antes já se sentia o nervoso miudinho e burburinho que se gerava nas redes sociais sobre este concerto. Foi sem grande surpresa que chegámos a Corroios e nos deparámos com duas grandes filas, uma para troca de bilhetes (já esgotados) e outra para revista, devido às apertadas condições de segurança exigidas. Foi ainda com muita gente fora da sala que se puderam ouvir as primeiras malhas de Mindtaker.

Um projeto de thrash metal criado em 2012 e que não deixa grandes margens para dúvidas relativamente ao que esperar quando olhamos para os membros da banda alentejana. Os Mindtaker já deram inúmeras provas do que valem, principalmente se recordarmos a presença da banda no Wacken Open Air no ano passado. Nesta noite, não deixaram a tarefa por mão alheia e garantiram um bom espetáculo a todos os que chegaram mais cedo. Já com o seu som bem definido, demonstram bem a sua versatilidade e ficou claro que em palco se sentem como “peixes na água.” Entre temas como “Drink Beer For Thrash” e “Destruição Total” o convite foi “se souberem a letra acompanhem, se não souberem partam-se todos.” Sem dúvida que estes alentejanos souberam tomar conta da primeira parte da noite, contando já com uma sala muito bem composta.

Pensávamos nós que os Anthrax regressavam a Portugal por ocasião da sua For All Kings Tour e também por se ter juntado o útil ao agradável, tendo a banda concertos marcados no dia antes em Pamplona e no dia seguinte no Resurrection Fest. Mas como se pôde confirmar no decorrer da noite, o verdadeiro motivo deste regresso foram saudades. Saudades da banda, saudades do público, saudades de um concerto destes. Foi depois de terminar “Number Of The Beast” dos Iron Maiden que todas as luzes se apagaram e a reação do público foi instantânea, tornando-se quase ensurdecedora aos primeiros acordes de “Among The Living.” A partir do momento em que vimos Joey Belladonna, Frank Bello, Scott Ian, Jonathan Donais e Jon Dette em palco soubemos que pouco ou nada poderia ser tão importante naquele momento como o que estava prestes a acontecer dentro daquele recinto. Uma energia inesgotável, um ritmo alucinante e uma enorme boa disposição são, a existirem, as melhores expressões para descrever o que se viveu naquela noite. Seguia-se “Caught In a Mosh” e cedo se percebeu que seria problemático resistir e tentar sobreviver àquele ambiente caótico, principalmente estando tão perto do circle pit, facilmente um dos maiores que aquela sala já viu. Foi ao som de “Madhouse” que os Anthrax conseguiram levar o público à loucura e, já com mais de 50 anos, Belladonna continua a mostrar a todos aquilo que se espera de um frontman. Scott Ian chegou-se à frente para partilhar connosco que tinham “estado ligeiramente ocupados durante estes 27 anos” em tom de piada e também “obrigado por relembrarem como é tocar para vocês.” Do seu mais recente trabalho ouvimos “Breathing Lightning” e “All of Them Thieves”, mas foi com “Antisocial” e “Indians” que se conseguiu mostrar aquilo de que o público português é feito, com muito crowdsurf, sing along e cerveja pelo ar. Mesmo depois de terem espalhado dezenas de palhetas, baquetas e muita destruição, a banda sentiu que ainda não tinha sido o suficiente. Nós concordámos e eles decidiram tocar um tema que não fazia parte da setlist, exclusivamente para nós. Naquela sala e naquela noite todos nós fomos a lei ao som de mais um clássico, gritando a plenos pulmões “I Am the Law.” Não poderiam ter escolhido melhor forma de terminar e ainda nos deixaram uma promessa de regresso para o ano que vem. Nós já mal podemos esperar.

No espaço de um ano passam por Portugal Slayer, Anthrax e Metallica… faltando apenas um dos Big Four do thrash metal. Fica a dica.

Texto por Andreia Teixeira
Agradecimentos: Hell Xis