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No que toca a álbuns conceptuais, baseados em torno de uma história de fantasia, todos nós já ouvimos um ou outro. Fosse Power Metal, Symphonic Metal, Black Metal, e por aí adiante, contudo, devo dizer que Xanthochroid quis ir um ou dois passos mais além do que é normalmente esperado duma banda.

"Of Erthe and Axen" é uma dupla de álbuns (daí o "Act I" e "Act II") que segue o maravilhoso "Blessed He with Boils" de 2012, explorando, mais uma vez, os eventos no mundo criado pela banda intitulado "Etymos", anteriormente ao dito disco de 2012. Para quem quer apenas boa música e não tem muito interesse na história que se desenrola por detrás, este álbum continua a ser bom, contudo ganha outra dimensão quando se lê a lore que a própria banda colocou no seu site.

Em termos apenas musicais e de escrita, "Act I", apesar de ser o lado mais sinfónico e menos Black Metal da dupla, acaba por ser o mais cativante dos dois. A verdade é que os 42 minutos do primeiro ato passam a correr. Com boa escrita, interlúdios interessantes, performances vocais excelentes e até riffs monstruosos, o facto é que o primeiro disco tem de tudo um pouco, o que pode ser visto como uma vantagem para uns e uma desvantagem para outros. Enquanto disco separado, "Act I" é muito mais eclético e contém os melhores momentos dos dois. Faixas como “To Higher Climes Where Few Might Stand” ou “The Sound of Hunger Rises”, passando pela faixa final, “The Sound Which Has No Name”, Xanthochroid entregam-se de alma e coração à música e, dependendo absolutamente nas suas capacidades enquanto músicos, entregam o que são momentos de arrepiar, com vocais femininos de louvar, e muito boa escrita. Faixas como essas são autênticas montanhas-russas que nos fazem viajar no mundo de "Etymos". Contudo, não deixa de ter as suas falhas. Em faixas como “In Deep and Wooded Forests of My Youth” ouve-se uns Xanthochroid mais relaxados e que deixam que as transições entre géneros "magoem" a fluidez da musicalidade em si. São momentos como “The Sound of a Glinting Blade” que podem fazer alguns ouvintes saltar para a próxima música. Contudo, não deixa de ser um disco sólido e com faixas interessantes cheias de vida acabando com a melhor faixa do álbum inteiro.

Relativamente a "Act II", este é simplesmente uma mixórdia de géneros, influências e sonoridades que em nada beneficiam a coerência das faixas. “Of Aching Empty Pain”, a primeira faixa depois da introdução, não só contém uma produção mais desajustada em relação ao "Act I", como não consegue manter o ouvinte cativado ao longo dos quase 9 minutos. Demasiados interlúdios no meio de cada faixa, demasiadas intercalações de tempo e de género deixam esta a faixa (e todo o disco) a soarem a uma experiência muito bem conseguida, mas sem deixar de passar disso, uma experiência. Enquanto "Act I" foi, mesmo que aborrecido por vezes, bem desenhado e escrito, "Act II" foi, erradamente, mais “in your face” e caótico (neste caso num mau sentido). Faixas como “Of Strength and the Lust for Power” e “Through Chains That Drag Us Downward” seguem o mesmo registo e acabam por ficar perdidas na mitologia que Xanthochroid está a criar. Quando chegamos à faixa final “Toward Truth & Reconciliation” já vamos esgotados de tanta mudança anteriormente ouvida. Já não há paciência para interlúdios de 2 minutos nem para mudanças de tempo de cada 3 em 3 minutos, vozes orquestrais intercalando com os vocais limpos e melódicos.

Não deixa de ser um disco razoável do género e para fãs que se gostam de imergir nos mundos contados da banda, "Of Erthe and Exen"  não deixa de ser uma viagem gratificante, mas para ouvintes que queiram desfrutar de uma viagem mais directa, esta dupla de álbuns acaba por ser uma maçada em certas ocasiões.

Nota do "Act I": 7/10
Nota do "Act II": 5/10

Review por Sérgio Rosado