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O britânico Ozzy Osbourne é, sem sombra de dúvidas, um ícone na música pesada. Ser membro fundador dos Black Sabbath já era mais do que suficiente para ser considerado como tal; porém, a sua carreira a solo veio consolidar este título. Há 16 anos, o cancelamento da sua presença no Ozzfest, no Estádio do Restelo, abalou uma legião de fãs, que já havia perdido um pouco a esperança de assistir a uma atuação do músico. “Só acredito quando o vir”, leu-se várias vezes nas redes sociais. Foi razão para acreditar – o rei tardou, mas chegou. 

E se esta é a tour de despedida do músico (apesar de o próprio referir que nunca se irá reformar e que irá continuar a tocar em datas únicas), claro que precisava de convidados à altura. E foi assim que os Judas Priest vieram juntar-se à festa.

O pano cai e os britânicos apresentam-se em palco com “Firepower”, tema-título do álbum lançado há quatro meses. Este registo, que foi representado mais tarde com “Lightning Strike” e “Rising From Ruins”, veio reafirmar que a banda ainda tem cartas na manga. Depois de “Grinder”, Rob Halford grita “the priest is back, are you ready?” e o público mostra-se muito entusiasmado. De mencionar que o Altice Arena estava bem composto nesta noite, mas sem ter esgotado. Muito possivelmente, e com muita tristeza se diz isto, “era agora ou nunca”. Quem foi, já tem uma história diferente para contar a gerações vindouras. 

Seguem-se “Sinner” e “The Ripper”. Nesta última, o baterista Scott Travis pede para o público bater palmas, enquanto que no ecrã gigante, por detrás da banda, visualizávamos imagens alusivas a Jack, The Ripper. Ouvimos a já mencionada “Lightning Strike” e “Bloodstone”, mas foi a partir de “Turbo Lover” que o público mudou a sua postura de um “este concerto está a ser bom” para um “vamos aproveitar isto como se não houvesse amanhã”. Em “Freewheel Burning” surgem dois grupos de mosh, ambos na plateia em pé; os fãs do golden circle, mais próximos da banda, preferiram seguir todos os movimentos de Halford e companhia. Este foi, também, um dos temas no qual a voz de Halford se destacou mais: o músico está a caminho dos 67 anos, mas não é algo que se note no seu poderio vocal. “You’ve Got Another Thing Comin’” vem elevar os braços de grande parte da plateia, sendo possível ver uma bandeira de Portugal e outra da Turquia. Não há dúvidas que devem estar muitos fãs estrangeiros presentes na sala; afinal, se um português estivesse lá fora, é provável que também não quisesse perder este espectáculo.


“Hell Bent For Leather” traz Halford a conduzir uma Harley Davidson e vem reativar novamente aqueles dois grupos de mosh anteriormente falados. Plateia em pé 2 – Golden Circle 0. “Portugal, how are you doing tonight? We’ve got one more song, what do you wanna hear?”. Mais uma? Uma era pouco. Muito embora a vontade de ver o Ozzy fosse gigante, o público podia esperar e gastar mais algumas energias com o seu Priest preferido.  Antes do encore, ouvimos a estrondosa “Painkiller”, que manteve o mosh e ainda veio acrescentar algum crowdsurf, para desespero dos seguranças.

O encore foi especial, não só por trazer-nos “Metal Gods” e a obrigatória “Breaking The Law”, mas também porque pudemos contar com a presença de Glenn Tipton na guitarra. Recorde-se que, devido à doença de Parkinson, o músico não consegue tocar todas as músicas da banda, nem aguentar um concerto na íntegra. Assim, cedeu o seu lugar a Andy Sneap, que tem assumido a posição na guitarra. Contudo, e apesar dessa dificuldade, Tipton deu-nos a honra da sua presença nos últimos dois temas de Judas Priest e o público ficou grato, embora tenha ficado a impressão de que nem todos se tenham apercebido da dimensão do que tinha acabado de ocorrer. Tocar guitarra, correndo o risco de a experiência não correr bem devido a uma condição alheia a Tipton, não deve ser tarefa fácil, depois de tantos anos de concertos e álbuns lançados. Por isso, se um músico decide correr esse risco em frente a milhares de pessoas, quer seja por amor à música e/ou aos fãs, merece a maior ovação de todas. Obrigada, Glenn Tipton.

A atuação terminou com a frase “the priest will be back” no ecrã gigante. Cá estaremos para os receber.  


Começam a surgir imagens de Ozzy no ecrã, ilustrando momentos desde a infância até aos seus 50 anos de carreira, e o público fica em êxtase. “I want you to go fucking crazy tonight!”, diz Ozzy, pedindo palmas. A atuação iniciou com “Bark at the Moon”, seguindo-se “Mr. Crawley”, na qual Ozzy se ajoelha no chão e faz uma vénia ao público. Logo desde o início, Ozzy teve como missão criar uma grande cumplicidade com os fãs. Embora a caminhar para os 70 anos, o músico foi puxando pelo público e dirigia-se constantemente de uma ponta do palco à outra. Mesmo sem a agilidade de outrora, isso não o impediu de ser comunicativo, o que pode ser uma grande lição a outros nomes da música com muito menor capacidade de criar empatia. E a voz dele…impecável, superou as expectativas (e foram muitos anos a criá-las!).


“I Don’t Know” fez os braços do público levantarem-se e “Fairies Wear Boots” foi a primeira amostra de Black Sabbath. Para comemorá-lo, Ozzy dá início a um costume seu, que se repetiu ao longo da noite: dirige-se à zona da bateria, na qual se encontram vários baldes de água, pega num, vem até à ponta do palco, deita metade para cima de si e a outra metade para o público. Será este o segredo da juventude de Ozzy, baldes de água fria? Os baldes continuam em “Suicide Solution” e já se vê alguém a repô-los ao lado da bateria. O Ozzy parece, em simultâneo, um velho sábio e uma eterna criança (pendendo mais para o lado da criança!), sendo impossível não entrar no jogo dele. Em “No More Tears”, destaca-se o efeito de luzes na cruz gigante presente no palco, terminando com Ozzy a gesticular de forma algo bizarra (“Ozzy-style”). No fim de “Road to Nowhere”, Ozzy apresenta os músicos que o acompanham já há largos anos: o guitarrista Zakk Wylde, o baixista Blasko, o baterista Tommy Clufetos e o teclista Adam Wakeman.

O segundo tema de Black Sabbath contemplado nesta noite foi “War Pigs”, para grande regozijo dos fãs. Seguiu-se um medley dos temas “Miracle Man/ Crazy Babies/Desire/Perry Mason” que, todo junto, dava um grande tema de metal progressivo. O culpado foi Zakk Wylde, que decidiu vir mostrar os seus dotes à 1ª fila, percorrendo-a na íntegra até à outra ponta. Guitarra à frente do corpo, guitarra atrás das costas, o homem fez de tudo. É inegável a sua qualidade enquanto guitarrista; e enquanto que uns faziam cara de quem já queria o Ozzy de volta, outros maravilhavam-se com a mestria de Wylde. Quando o seu maravilhoso solo terminou, foi a vez de…Ozzy? Não! Foi a vez do baterista Clufetos fazer o seu solo. Todo este tempo deve ter permitido que Ozzy descansasse um pouco, pois esteve ausente durante esse período – nós desculpamos, Ozzy. O importante é ter saúde! Mas dois grandes solos depois, queremos-te de volta, ok?


Em “I Don’t Want to Change the World” ouviu-se Wylde na guitarra e nos vocais. Segue-se “Shot in the Dark” e, no fim, Ozzy diz que aquela é a altura de pedirmos mais uma música (dando a entender que ia terminar a atuação, como é da praxe). Ouvimos a emblemática “Crazy Train” antes do encore, que colocou Ozzy a correr de um lado para o outro e, novamente, a fazer vénias ao público. Foi um dos melhores temas da noite, mas sabíamos que o encore ainda estava para vir. Ouvir “Mama, I’m Coming Home” já no fim da noite é pedir para lacrimejar. Então Ozzy, essas maneiras? Enfim, não havia melhor forma de nos recompormos e de terminar esta atuação do que com a obrigatória “Paranoid”, dos Black Sabbath. Mosh, crowdsurf, gritos, dança – cada um sentiu a música à sua maneira. 

“God bless you all, thank you so much for coming”. Foi assim que Ozzy se despediu de Portugal. Custou – muito – virar as costas ao palco. Será esta a última vez que vejo este homem à minha frente? Muito provavelmente, sim. Obrigada nós por teres vindo. 


Texto por Sara Delgado
Fotografias por Everything Is New/ Nuno Conceição
Agradecimentos: Everything Is New